Investimentos em concessões rodoviárias e ferroviárias devem ampliar corredores logísticos, atrair capital privado e mudar a matriz de transporte do país, segundo o ministro dos Transportes, George Santoro, em entrevista ao Real Time, do canal Times Brasil, publicada em 29 de maio de 2026.
O ministro dos Transportes, George André Palermo Santoro, afirmou que o governo federal prepara um novo ciclo de concessões em rodovias, ferrovias e terminais logísticos, com previsão de R$ 396 bilhões em investimentos ao longo de quatro anos.
A declaração foi dada em entrevista ao programa Real Time, do canal Times Brasil, em vídeo publicado na última sexta-feira (29).
Segundo o Ministério dos Transportes, a carteira de concessões rodoviárias reúne 35 projetos e deve ampliar a participação privada em corredores considerados estratégicos para o escoamento da produção nacional.
-
Gigante do agro foca no Brasil e anuncia fábrica colossal automatizada de R$ 100 milhões no interior de SP
-
Petrobras coloca petróleo de lado e foca na soja ao produzir combustível de aviação com certificação inédita no mundo; lote de 3,8 mil m³ promete cortar até 70% das emissões e acelerar a transição energética
-
Brasil sancionou piso nacional de professores em R$ 5.130 para jornada de 40 horas, elevou salário mínimo da educação básica após reajuste de 5,4% e criou regra que impede aumentos abaixo da inflação nos próximos anos em todo o país
-
Luciano Hang oferece prêmio de R$ 40 mil na Havan, mas não é bem uma vaga de emprego: é um concurso de influenciador pelos 40 anos da rede, com contrato para o vencedor
A pasta informa que, entre 2023 e maio de 2026, foram realizados 23 leilões, com R$ 260 bilhões em investimentos contratados para mais de 11,3 mil quilômetros de rodovias.
Rota dos Sertões abre nova etapa no Nordeste
Na entrevista, Santoro destacou a concessão da chamada Rota dos Sertões, corredor formado por trechos das BRs 116 e 324 entre Feira de Santana, na Bahia, e Salgueiro, em Pernambuco.
De acordo com o ministro, o projeto tem peso especial por conectar uma região de crescimento econômico no Nordeste a alternativas ferroviárias e portuárias.
Conforme o Ministério dos Transportes, a concessão prevê mais de R$ 8,5 bilhões em investimentos para modernizar o trecho, considerado importante para o abastecimento regional, o transporte de cargas e a mobilidade da população.
O projeto inclui cerca de 502 quilômetros de extensão e passa por municípios da Bahia e de Pernambuco. Santoro disse que Salgueiro deve funcionar como um ponto de integração logística por causa da conexão com a Ferrovia Transnordestina.
Segundo ele, esse entroncamento pode permitir que cargas transportadas por rodovia sigam por trilhos até portos do Nordeste, criando uma nova rota de exportação.
“O trecho do Nordeste é inovador porque Salgueiro é um hub logístico muito importante”, afirmou o ministro ao Real Time.
Ele acrescentou que a região do Matopiba, formada por áreas de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, tem ampliado sua produção agropecuária e demanda corredores mais eficientes para exportação.
Governo aposta em padronização para atrair investidores
Santoro atribuiu o aumento no número de leilões a mudanças de modelagem econômica, jurídica e regulatória.
Segundo o ministro, a padronização de editais e contratos reduziu o prazo de estruturação dos projetos, que antes poderia chegar a sete anos e agora, segundo ele, fica em torno de dois anos a dois anos e meio.
De acordo com o ministro, a previsibilidade da carteira também ampliou o interesse de grupos nacionais e estrangeiros.
Ele afirmou que 17 novos grupos passaram a participar dos leilões desde o início da atual gestão e que fundos soberanos voltaram a observar os projetos brasileiros.
O ministro ainda comentou que a pasta adotou uma estratégia de apresentação da carteira em encontros com investidores no Brasil e no exterior.
Para ele, a combinação de segurança jurídica, matriz de risco mais clara e governança técnica tornou os projetos mais competitivos.
Santoro disse que a agenda não se limita às rodovias. O governo também prevê leilões de terminais ferroviários, concessões ferroviárias e chamamentos públicos para ampliar a integração entre modais.
A ideia, segundo ele, é construir corredores logísticos capazes de ligar áreas produtoras a diferentes portos.
Ferrovias entram no centro da estratégia
Na parte ferroviária, o ministro afirmou que o governo prepara oito leilões até o fim de 2026, com mais de 9 mil quilômetros de projetos e contratos de longo prazo.
Segundo Santoro, a expansão dos trilhos é necessária para reduzir gargalos históricos e dar mais alternativas ao transporte de cargas.
O ministro avaliou que a privatização ferroviária dos anos 1990 deixou lacunas porque não teria previsto investimentos suficientes em contrato.
Conforme Santoro, a malha operacional foi reduzida ao longo do tempo, o que aumentou a dependência de poucos corredores e concentrou cargas em determinados portos.
Entre os projetos citados estão a Malha Oeste, o arco ferroviário do Sudeste, o corredor Leste-Oeste e a ligação Açailândia-Barcarena, no Pará.
De acordo com o ministro, essas obras podem ampliar o acesso ferroviário a portos do Sudeste, do Nordeste e do Arco Norte.
“O objetivo é dar opção logística ao produtor”, afirmou Santoro. Segundo ele, a carga precisa poder seguir pelo porto mais eficiente, e não apenas pelo corredor disponível.
Essa diversificação, na avaliação do ministro, tende a reduzir custos e aumentar a competitividade das exportações brasileiras.
Meta é elevar participação dos trilhos para 35%
Atualmente, segundo Santoro, o modal ferroviário responde por cerca de 23% da movimentação de cargas no país, enquanto o transporte rodoviário concentra aproximadamente 60%.
A meta do governo é elevar a participação das ferrovias para 35% em até oito anos. “De 23 para 35 é um aumento de mais de 50%”, disse o ministro na entrevista ao Real Time.
A mesma meta foi publicada pelo Times Brasil em reportagem sobre a entrevista, que destacou a expectativa do governo de ampliar a presença dos trilhos na matriz logística brasileira.
Santoro ponderou que os projetos ferroviários exigem mais tempo de maturação do que as obras rodoviárias.
Segundo ele, ferrovias dependem de engenharia mais complexa, com exigências específicas de curva, inclinação e traçado.
Além disso, a operação só começa quando trechos inteiros estão concluídos. O ministro afirmou que o governo assumiu parte do risco do licenciamento prévio dos projetos ferroviários.
De acordo com ele, essa mudança busca dar mais segurança ao investidor, já que a concessionária passaria a assumir riscos depois dessa etapa inicial.
Sustentabilidade pesa nos contratos
A agenda ambiental também foi apresentada por Santoro como parte central dos novos contratos.
Segundo o ministro, os projetos do Ministério dos Transportes passaram a incorporar metas de carbono zero e mecanismos de financiamento para ações de resiliência da infraestrutura e transição energética.
Ele afirmou que, nas concessões rodoviárias, até 3% da receita pode ser destinado a iniciativas ambientais.
Nas ferrovias, segundo o ministro, a previsão é de 1% do capital investido para esse tipo de ação. Santoro disse que já há mais de R$ 1,5 bilhão por ano contratado para projetos de sustentabilidade.
O ministro citou a Ferrogrão como exemplo de projeto com possível impacto relevante na redução de emissões, pela substituição de milhares de caminhões no transporte de cargas.
Segundo ele, estudos de custo-benefício indicam potencial expressivo de redução de carbono caso a ferrovia avance.
BR-319 terá modelo de governança ambiental
Na entrevista, Santoro também tratou da BR-319, rodovia que liga Manaus a Porto Velho e é considerada a principal conexão terrestre do Amazonas e de Roraima com o restante do país.
O ministro afirmou que o governo busca conciliar a recuperação da estrada com novas medidas de controle ambiental.
Segundo ele, o trecho mais sensível da rodovia atravessa uma área complexa da Amazônia e exige uma estrutura de governança que envolva órgãos como Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, Polícia Federal, Exército e outros agentes públicos.
Santoro disse que a solução planejada envolve uma parceria público-privada voltada à governança e à manutenção do ativo.
O modelo, segundo ele, deve incluir monitoramento por câmeras, controle de entrada e saída de veículos e medidas para evitar desmatamento no entorno da rodovia.
O ministro afirmou que a proposta também prevê elevação do greide da estrada, passagens de fauna e sistemas para permitir o fluxo da água.
Na avaliação dele, a falta de governança foi um dos motivos que dificultaram tentativas anteriores de licenciamento e execução do projeto.
Pasta defende infraestrutura como política de Estado
Santoro assumiu o Ministério dos Transportes em abril de 2026, após a saída de Renan Filho, que deixou o cargo por causa das regras de desincompatibilização eleitoral.
Antes disso, ele era secretário-executivo da pasta e já acompanhava a estruturação da carteira de concessões.
Na entrevista, o ministro afirmou que a credibilidade dos projetos depende menos do perfil político do titular da pasta e mais da forma como os contratos são estruturados.
Segundo ele, transparência, governança e critérios técnicos são essenciais para atrair investimento privado em contratos que podem durar 30, 35 ou até 60 anos.
Santoro também disse que o ministério tem buscado atuar em parceria com governos estaduais, independentemente de alinhamento político.
Ele citou projetos desenvolvidos com Paraná e Minas Gerais e afirmou que a infraestrutura precisa ser tratada como política de Estado.
Ao final, o ministro defendeu que a escuta de investidores, órgãos públicos e sociedade civil reduziu conflitos e judicializações.
Segundo ele, dos 23 leilões realizados pela atual gestão até maio de 2026, apenas um enfrentou ação judicial, posteriormente solucionada.


Sugiro abrir leilão para Trem Bala Ultra Veloz entre as principais capitais do país para agilizar o transporte de passageiros do Brasil que sofre com a lentidão de projetos há décadas sem solução…