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Mineradora perfurava centenas de metros abaixo da área já mapeada no Pará quando encontrou novas zonas de cobre e ouro em Furnas, projeto que pode operar por 24 anos ao lado da Vale

Escrito por Geovane Souza
Publicado em 12/06/2026 às 10:24
Atualizado em 12/06/2026 às 10:26
Ero amplia área mineralizada de cobre e ouro no Projeto Furnas, desenvolvido com a Vale no Pará
Ero confirma novas extensões de cobre, ouro e prata no Projeto Furnas, desenvolvido em parceria com a Vale na região de Carajás (Imagem meramente ilustrativa)
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Novas perfurações indicaram que a mineralização de Furnas continua em profundidade e ao longo do depósito, ampliando o potencial de um projeto estimado em US$ 1,3 bilhão no Pará

A mineradora canadense Ero Copper confirmou, em junho de 2026, novas extensões de cobre, ouro e prata no Projeto Furnas, desenvolvido em parceria com a Vale Base Metals na Província Mineral de Carajás, no Pará. Os resultados vieram de uma nova rodada de análises envolvendo aproximadamente 24 mil metros de perfurações exploratórias.

As sondagens atravessaram zonas mineralizadas além dos limites usados na estimativa atual de recursos. Em alguns pontos, a empresa encontrou minério centenas de metros abaixo das áreas já conhecidas, enquanto outros furos ampliaram lateralmente a zona sudeste do depósito.

A atualização aumenta o interesse sobre Furnas porque o projeto já possui uma avaliação econômica preliminar que prevê vida útil inicial de 24 anos e produção média anual de aproximadamente 108 mil toneladas de cobre equivalente durante os primeiros 15 anos.

Isso, porém, não significa que uma nova mina esteja pronta para começar a operar. O empreendimento continua nas etapas de perfuração, estudos técnicos, licenciamento ambiental e avaliação econômica, processos que ainda podem alterar custos, produção, dimensões e até a decisão final de construção.

Sondagens revelam minério além dos limites já conhecidos

Segundo comunicado da Ero Copper divulgado em 10 de junho de 2026, mais de 75 mil metros de perfurações haviam sido concluídos em Furnas até o fim de maio. A companhia possuía resultados laboratoriais para cerca de 52 mil metros e mantinha dez sondas trabalhando simultaneamente no projeto.

Um dos principais resultados ocorreu na zona sudeste. O furo identificado como FURN-DD-00357 atravessou um intervalo de 90 metros com teor médio de 0,74% de cobre, 0,50 grama de ouro e 3,18 gramas de prata por tonelada, ampliando em aproximadamente 115 metros o limite conhecido da mineralização naquela direção.

Outro resultado relevante apareceu na chamada zona central, situada entre os corredores mineralizados do sudeste e do noroeste. Uma perfuração encontrou 41 metros com 0,94% de cobre e 0,44 grama de ouro por tonelada, aproximadamente 220 metros abaixo da estimativa atual de recursos e mais de 1,1 quilômetro a oeste da principal área de alto teor da zona sudeste.

O que os teores encontrados realmente significam

Quando uma mineradora informa um intervalo de 90 metros com 0,74% de cobre, isso significa que as amostras daquele trecho apresentaram, em média, cerca de 7,4 quilos de cobre para cada tonelada de rocha. O número ainda não considera todas as perdas que podem ocorrer durante a extração e o beneficiamento.

O ouro aparece em quantidades muito menores, medidas em gramas por tonelada. Mesmo assim, ele pode contribuir de maneira importante para a viabilidade financeira porque possui alto valor e pode ser comercializado como subproduto do concentrado de cobre.

Os resultados também são apresentados em cobre equivalente, ou CuEq. Esse indicador transforma o valor estimado do ouro e da prata em uma quantidade comparável de cobre, utilizando preços dos metais e taxas previstas de recuperação industrial.

Por isso, 108 mil toneladas de cobre equivalente não representam 108 mil toneladas de cobre metálico. Trata-se de uma medida econômica que reúne o valor dos diferentes metais previstos no projeto.

Os intervalos encontrados pelas sondas também não devem ser confundidos automaticamente com blocos prontos para mineração. Antes disso, os dados precisam ser incorporados aos modelos geológicos, classificados por nível de confiança e analisados em estudos de engenharia.

Furnas pode combinar minas abertas e subterrâneas

De acordo com informações publicadas pela CNN Brasil em fevereiro de 2026, a primeira avaliação econômica preliminar de Furnas projetou produção anual média de aproximadamente 70 mil toneladas de cobre, 111 mil onças de ouro e 532 mil onças de prata durante os primeiros 15 anos. Somados economicamente, esses metais corresponderiam às 108 mil toneladas anuais de cobre equivalente.

O investimento inicial foi calculado em cerca de US$ 1,3 bilhão. O estudo estimou valor presente líquido, depois dos impostos, próximo de US$ 2 bilhões e taxa interna de retorno de 27%, considerando preços de longo prazo definidos pela companhia para cobre, ouro e prata.

O planejamento inicial prevê uma combinação de cavas a céu aberto e duas minas subterrâneas nas zonas sudeste e noroeste. O minério seria enviado para uma instalação central de processamento com capacidade projetada para tratar 13,5 milhões de toneladas por ano.

A avaliação ainda inclui recursos minerais inferidos, categoria que apresenta maior incerteza geológica. Por essa razão, os volumes apresentados não são reservas minerais comprovadas e não existe garantia de que os resultados financeiros ou produtivos previstos serão alcançados.

Acordo pode entregar 60% do projeto à Ero

A parceria foi formalizada em julho de 2024 por meio de um acordo que permite à Ero adquirir uma participação de 60% em Furnas. Para isso, a mineradora precisa financiar e concluir programas de exploração, engenharia e desenvolvimento definidos no contrato com a Vale Base Metals.

A empresa informou que pretende terminar até o fim de 2026 os três programas contratuais de perfuração, aproximadamente dois anos antes do prazo originalmente estabelecido. Cumpridas as obrigações técnicas, a estrutura prevista é de 60% para a Ero e 40% para a Vale Base Metals.

Furnas ocupa uma área aproximada de 2.400 hectares e está localizado cerca de 70 quilômetros a sudeste das operações de Salobo. O terreno fica próximo de estradas pavimentadas, subestação de energia, unidade industrial de cimento e infraestrutura ferroviária, fatores que podem reduzir a necessidade de construir estruturas totalmente novas.

Carajás concentra quase todas as reservas brasileiras de cobre

A importância do projeto aumenta quando observada a posição do Pará na mineração nacional. Conforme o Sumário Mineral 2025 da Agência Nacional de Mineração, o estado concentra aproximadamente 95,5% das reservas brasileiras provadas e prováveis de cobre.

O Brasil produziu cerca de 384 mil toneladas de cobre contido em 2024, equivalente a 1,7% da produção mundial daquele ano. Pará, Goiás, Bahia, Alagoas e Mato Grosso apareceram como os principais estados produtores.

Em fevereiro de 2025, a Vale anunciou R$ 70 bilhões em investimentos para o Programa Novo Carajás entre 2025 e 2030. A estratégia mais ampla prevê expansão de 32% na produção de cobre da companhia na região, chegando a aproximadamente 350 mil toneladas anuais, embora isso não signifique que todo esse investimento seja destinado a Furnas.

O interesse pelo metal também está relacionado à expansão de redes elétricas, energias renováveis, veículos elétricos, construção civil e equipamentos eletrônicos. A Agência Internacional de Energia estima que, considerando apenas os projetos já anunciados, a oferta mundial de cobre poderá ficar cerca de 30% abaixo da demanda projetada para 2035.

Licenciamento e estudos ainda decidirão o futuro da mina

A Ero pretende apresentar o pedido de Licença Prévia de Furnas até o fim de 2026. Essa etapa é importante para avaliar a localização, a viabilidade ambiental e as condições que deverão ser cumpridas antes das fases seguintes.

O estudo de pré-viabilidade está previsto para 2027. Ele deverá aprofundar cálculos de custos, métodos de extração, infraestrutura, cronograma, recuperação dos metais e quantidade de recursos que poderão ser convertidos para categorias geológicas mais confiáveis.

Paralelamente, estão sendo realizados testes metalúrgicos, perfurações geotécnicas, estudos hidrogeológicos e levantamentos ambientais. A empresa já obteve autorizações relacionadas às atividades exploratórias, como manejo de fauna, uso de água e supressão de vegetação, mas essas permissões não equivalem à autorização para construir e operar a futura mina.

Uma das alternativas estudadas é utilizar separação magnética nos rejeitos do processo de flotação. A técnica poderia gerar um concentrado de magnetita com alto teor de ferro e, ao mesmo tempo, reduzir a quantidade final de rejeitos, caso a solução seja comprovada técnica e economicamente.

A ampliação de Furnas poderá fortalecer a produção brasileira de minerais estratégicos e movimentar empregos, serviços, arrecadação e fornecedores no Pará. Ao mesmo tempo, o tamanho do empreendimento exigirá fiscalização, transparência e medidas rigorosas para proteger recursos hídricos, comunidades e ecossistemas de Carajás.

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Geovane Souza

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