Atualizações liberadas em novembro e dezembro de 2025 adicionam IA conversacional, áudio direcional para ambientes ruidosos, integração com Spotify, novos idiomas e reforçam a estratégia da Meta de transformar óculos inteligentes na próxima plataforma central da computação pessoal
A Meta de Mark Zuckerberg anunciou, em atualização de fim de ano, novos recursos de IA multimodal, amplificação de voz e comandos visuais para seus óculos inteligentes, reposicionando o produto como plataforma pós-smartphone e sinalizando redução do foco estratégico no metaverso.
Os investimentos na tecnologia já duram anos, enquanto Mark Zuckerberg entende que os smartphones perderão centralidade na tecnologia pessoal, sendo gradualmente substituídos por óculos inteligentes com inteligência artificial, capazes de operar sem as mãos, interpretar o ambiente e funcionar como principal interface digital cotidiana.
Mark Zuckerberg sustenta há anos que a computação caminha para formatos mais naturais, contínuos e integrados ao corpo humano.
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No começo do ano, o CEO da Meta reiterou que dispositivos vestíveis, especialmente óculos inteligentes, representam a próxima grande plataforma tecnológica após os celulares.
“Acho que a tendência na computação é se tornar mais onipresente, mais natural, mais social”, afirmou Zuckerberg ao explicar por que acredita que os óculos substituirão os smartphones como principal dispositivo pessoal.
Segundo ele, a lógica é permitir interação constante com o mundo real, sem a necessidade de segurar uma tela.
A visão foi reforçada no evento anual Meta Connect, quando Zuckerberg classificou os óculos inteligentes como a “nova fronteira” da tecnologia, impulsionada por IA embarcada e uso totalmente mãos livres.
“Já existem de um a dois bilhões de pessoas que usam óculos diariamente”, disse no palco do Connect. “Assim como todos migraram para smartphones, acredito que quem usa óculos migrará para óculos inteligentes na próxima década”.
Zuckerberg argumenta que esse movimento não se restringirá a quem já depende de lentes corretivas. Para ele, o valor agregado por tradução em tempo real, capta de imagens, assistência contextual e comunicação contínua fará com que novos públicos adotem o formato.
Críticas à estagnação dos smartphones e ao modelo atual de plataformas móveis
O executivo também voltou a criticar o ritmo de inovação dos smartphones, especialmente após quase duas décadas de domínio do iPhone como referência de design e interface.
Em participação no podcast The Joe Rogan Experience, Zuckerberg afirmou que os celulares permitiram avanços globais importantes, mas acabaram se tornando plataformas excessivamente controladas e pouco inovadoras nos últimos anos .
“Por um lado, o iPhone foi ótimo porque colocou um celular na mão de praticamente todo mundo”, disse. “Por outro, eles usaram essa posição para impor regras arbitrárias e não inventaram nada realmente grandioso há muito tempo” .
Na visão do fundador do Facebook, os óculos inteligentes abririam espaço para um novo ciclo tecnológico, rompendo a dependência de lojas de aplicativos, telas sensíveis ao toque e ecossistemas fechados controlados por poucas empresas.
Avanços recentes nos óculos inteligentes da Meta em 2025

A aposta deixou de ser somente conceitual e passou a ganhar corpo com atualizações concretas de hardware e software ao longo de 2025. No dia 16 de dezembro, a Meta iniciou a liberação da versão 21 do sistema dos óculos Ray-Ban Meta e Oakley Meta HSTN.
A atualização introduziu o recurso Conversation Focus, que utiliza microfones direcionais para amplificar automaticamente a voz da pessoa com quem o usuário conversa, mesmo em ambientes ruidosos, como ruas ou eventos .
Segundo a empresa, a função reforça a proposta de uso cotidiano dos óculos como substitutos parciais do celular, permitindo interação contínua sem fones, telas ou comandos manuais.
A mesma atualização adicionou integração direta com o Spotify, permitindo que o usuário solicite músicas ou playlists com base no que está vendo ao seu redor, usando apenas comandos de voz e contexto visual.

Expansão global e foco em mercados fora do eixo anglófono
Outra frente estratégica anunciada no fim de 2025 foi a ampliação do suporte a idiomas regionais. A Meta confirmou que os óculos com Meta AI passaram a oferecer suporte nativo às línguas Telugu e Kannada, faladas por dezenas de milhões de pessoas na Índia.
A iniciativa permite interações totalmente mãos livres em idiomas locais, ampliando a base potencial de usuários e sinalizando que os óculos inteligentes são pensados como produtos globais, não apenas ocidentais .
Analistas apontam que esse tipo de expansão linguística é fundamental para que os óculos avancem de um produto experimental para uma plataforma de massa, algo que os smartphones levaram mais de uma década para consolidar.

Mudança estratégica da Meta e redução do foco no metaverso
Os investimentos em óculos inteligentes ocorrem em paralelo a uma mudança relevante na estratégia corporativa da Meta. Reportagens publicadas em dezembro indicam que a empresa reduziu significativamente os recursos destinados ao metaverso.
Segundo análises de mercado, cerca de 30% do orçamento anteriormente alocado em projetos de mundos virtuais foi redirecionado para inteligência artificial e dispositivos vestíveis, incluindo os óculos com IA embarcada .
O Financial Times descreveu a guinada como parte de uma aposta de Zuckerberg em “superinteligência pessoal”, na qual dispositivos leves, sempre ativos e integrados ao corpo se tornariam a principal interface digital do usuário .
Linha de produtos, parcerias e projetos em desenvolvimento
A Meta entrou oficialmente no mercado de óculos inteligentes em 2021, com o lançamento da primeira geração em parceria com a Ray-Ban. Os modelos iniciais contavam com câmera de 5 MP, dois alto-falantes e três microfones.
Desde então, a empresa ampliou a parceria com a EssilorLuxottica, maior fabricante de óculos do mundo, adquirindo uma participação minoritária avaliada em US$ 3,5 bilhões, reforçando o compromisso de longo prazo com o setor.
Entre os projetos em desenvolvimento estão o Supernova 2, voltado a ciclistas e atletas e inspirado nos óculos esportivos da Oakley, e o Hypernova, que deverá incorporar uma pequena tela integrada à lente para exibição de notificações e mensagens.
Em setembro de 2025, a Meta também lançou o Ray-Ban Meta Display, com display monocular embutido, câmera de 12 MP e integração com um bracelete neural para controle por gestos sutis .
Corrida tecnológica e reação do mercado
A aposta da Meta ocorre em um cenário de competição crescente. Relatórios de mercado indicam que Apple, Google e Samsung trabalham em projetos próprios de óculos inteligentes com inteligência artificial, embora nenhum deles tenha apresentado um produto comercial de larga escala até dezembro de 2025.
Ao mesmo tempo, o avanço dos óculos começa a gerar debates culturais. Reportagens apontaram reações negativas de consumidores à possibilidade de uso desses dispositivos em ambientes como parques temáticos, onde críticos temem distração excessiva e perda da experiência presencial .
Visão de longo prazo e cautela pública
Apesar do discurso confiante, Zuckerberg tem reiterado a necessidade de cautela à medida que a tecnologia avança. Em entrevistas recentes, ele afirmou que ciclos de hype e frustração são comuns na indústria de tecnologia.
“Você nunca é tão bom quanto dizem quando está em alta, e nunca é tão ruim quanto dizem quando está em baixa”, declarou, ao comentar a adoção gradual dos óculos inteligentes.
Mesmo assim, o executivo mantém a convicção de que, ao longo da próxima década, dispositivos vestíveis com IA substituirão progressivamente os smartphones como principal ponto de acesso digital, redefinindo a computação pessoal após quase 20 anos de domínio das telas de bolso.
