Chuvas tardias não reduzem o preço da energia no mercado livre, mantêm usinas térmicas ativas e elevam o PLD Brasil.
A recuperação das chuvas em reservatórios no início de fevereiro não foi suficiente para reduzir o preço da energia no mercado livre, segundo especialistas do setor elétrico.
O cenário ocorre após meses de baixa precipitação em dezembro e janeiro, que limitaram a recomposição dos níveis hídricos no Brasil.
Como consequência, o sistema precisou acionar usinas térmicas, mais caras, elevando o PLD Brasil e encarecendo contratos de curto e médio prazo.
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O impacto já afeta consumidores e empresas que avaliam migrar para o ambiente livre de contratação.
De acordo com agentes do mercado, a expectativa era de que as chuvas recentes aliviassem os custos.
No entanto, o volume chegou tardiamente e ainda não recompôs os reservatórios a níveis confortáveis.
Assim, o custo da geração segue pressionado.
Chuvas tardias mantêm custo alto no mercado livre
O presidente da CMU Comercializadora de Energia, Walter Fróes, afirma que houve apenas melhora parcial nos níveis de água.
“Os preços estão caríssimos. Isto está praticamente inviabilizando novas migrações para o mercado livre”, diz.
Segundo ele, o aumento médio dos reservatórios foi de cerca de 5% antes do Carnaval.
Ainda assim, o índice é insuficiente para reduzir o despacho de usinas térmicas, que encarecem o preço da energia.
Fróes ressalta que fevereiro é decisivo para a formação tarifária anual. “Fevereiro é determinante para definir os preços praticados no ano.
É o mês que mais chove historicamente.
Então, faltam dez dias para ele encerrar, vamos ver o que acontece”, afirma.
PLD Brasil sobe e encarece contratos
A falta de chuvas em reservatórios no fim de 2025 elevou o PLD Brasil, indicador que referencia o preço no mercado de curto prazo.
Esse índice é calculado com base na oferta e demanda de energia, além de fatores climáticos e hidrológicos.
O superintendente de Planejamento da Comercialização da Cemig, Marcus Vinícius Lobato, explica que o aumento do PLD impactou diretamente os contratos bilaterais.
“As chuvas têm ajudado a manter essa estabilidade, mas, no momento, não são suficientes para permitir uma redução significativa, visto que ocorreram tardiamente.
Por ora, a expectativa é de manutenção dos preços em patamares mais altos”, avalia.
Até o fim de 2025, contratos para entrega em 2026 giravam em torno de R$ 250/MWh.
Atualmente, estão próximos de R$ 350/MWh, refletindo o custo maior de geração.
Mercado livre perde atratividade no curto prazo
Com o preço da energia elevado, empresas que planejavam migrar para o mercado livre têm adiado decisões.
Isso porque o principal atrativo desse ambiente é a possibilidade de negociar tarifas mais competitivas, o que diminui quando os custos sobem.
Segundo Lobato, consumidores que não fixaram contratos antecipadamente enfrentam aumento de despesas.
“Essa alta reduz a atratividade para adesão ao mercado livre neste momento, para entregas em 2026, fazendo com que alguns clientes prefiram esperar um pouco”, afirma.
Por outro lado, contratos de longo prazo seguem em queda estrutural.
Projeções indicam valores próximos de R$ 200/MWh para fornecimento em 2030, o que mantém o interesse estratégico no modelo.
Renováveis e geração distribuída criam novo paradoxo
Apesar do custo elevado no curto prazo, o avanço das fontes renováveis tem mudado a dinâmica do setor.
A expansão da geração distribuída, impulsionada pela queda no preço das placas solares, ampliou a oferta de energia em determinados horários.
Na avaliação de Fróes, isso gera um efeito paradoxal no sistema.
“Num momento como este em que a geração está alta, com sol saindo todos os dias, eles acabam tendo que desligar 90% da produção para não ter excesso de oferta de energia. Pois a produção tem que ser igual ao consumo. É um paradoxo. Se for abaixo cai, se for acima também cai”, afirma.
Ou seja, mesmo com maior capacidade instalada, o equilíbrio entre produção e consumo continua sendo determinante para a formação do preço da energia.
O que esperar do preço da energia nos próximos meses
A tendência, segundo analistas, é de manutenção dos valores elevados no curto prazo.
Isso ocorre porque a recomposição dos reservatórios depende de chuvas consistentes e contínuas, não apenas de eventos isolados.
Enquanto isso, o despacho de usinas térmicas deve continuar sendo necessário para garantir a segurança do sistema.
Esse fator mantém o PLD Brasil em níveis mais altos e limita reduções tarifárias no mercado livre.
Caso o período úmido se intensifique até o fim da estação, pode haver alívio gradual nos preços.
Porém, no cenário atual, consumidores devem se preparar para custos maiores de energia ao longo de 2026.
Veja mais em: Falta de chuva encarece preço da energia no mercado livre
