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Mercado de biocombustíveis do Brasil pode ganhar nova régua para próxima década: MME coloca metas de 2027 a 2036 em consulta até 29 de outubro e prepara mudança baseada no nível registrado em 2018

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 10/10/2026 às 18:45 Atualizado em 10/10/2026 às 19:00
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Proposta em discussão definirá a trajetória nacional do RenovaBio e servirá de base para obrigações anuais das distribuidoras e para a demanda por CBIOs. O percentual de 12,1% é uma projeção regulatória e ainda pode mudar antes da decisão final.

O Ministério de Minas e Energia (MME) colocou em consulta pública a proposta das metas nacionais do RenovaBio para 2027 a 2036, mas a redução de 12,1% na intensidade de carbono da matriz brasileira de combustíveis ainda não é uma decisão definitiva.

As contribuições podem ser enviadas até 29 de outubro pela Consulta Pública nº 232/2026. O MME informa que esta é a oitava rodada de elaboração das metas decenais da Política Nacional de Biocombustíveis e que os parâmetros serão definidos após a análise das manifestações recebidas.

A trajetória submetida à consulta projeta para 2036 uma redução de 12,1% na intensidade de carbono em relação ao nível registrado em 2018. O número funciona como referência da proposta em discussão e poderá ser alterado antes da conclusão do processo regulatório.

O material disponibilizado pelo ministério inclui Relatório de Análise de Impacto Regulatório, modelagens, planilhas, memórias de cálculo, estimativa de emissão de Créditos de Descarbonização para 2027 e a própria proposta de metas para os dez anos seguintes.

Esses documentos consideram oferta de combustíveis, previsibilidade do mercado de créditos, equilíbrio do programa e proteção dos interesses dos consumidores. A combinação desses fatores serve de base para avaliar como a trajetória de descarbonização pode ser distribuída ao longo do próximo ciclo.

O RenovaBio trabalha com metas nacionais para períodos de dez anos, revistas em ciclos sucessivos. A proposta agora submetida à participação pública organiza uma trajetória anual entre 2027 e 2036, que depois servirá de base para as obrigações atribuídas aos distribuidores.

Como a meta nacional vira obrigação das distribuidoras

As metas nacionais são o primeiro nível do sistema do RenovaBio. Depois de definidas, elas orientam o cálculo anual das obrigações individuais das distribuidoras, que variam conforme a participação de cada empresa no mercado de combustíveis fósseis.

O cumprimento dessas obrigações ocorre com a aquisição e a aposentadoria de CBIOs. Cada crédito corresponde a uma tonelada de dióxido de carbono equivalente evitada, e a aposentadoria retira o ativo de circulação para que ele seja contabilizado no atendimento à meta atribuída ao distribuidor.

Essa estrutura liga a meta nacional ao mercado de créditos. A variação das metas modifica a referência usada no cálculo das obrigações futuras das distribuidoras e, por consequência, as expectativas relacionadas à demanda de CBIOs ao longo do período.

Para os produtores certificados, os CBIOs estão relacionados ao volume elegível de biocombustíveis comercializados e à eficiência energético-ambiental reconhecida no processo de certificação. Por isso, a definição das metas futuras interessa tanto a quem gera os créditos quanto a quem precisa adquiri-los para cumprir obrigações.

A proposta também fornece aos distribuidores e aos participantes do mercado de CBIOs uma referência para o planejamento dos próximos anos. Essa sinalização continua condicionada ao resultado da consulta e à decisão que será tomada ao fim do ciclo regulatório.

Mercado já opera com obrigações de dezenas de milhões de CBIOs

O mercado do RenovaBio já trabalha com metas anuais de grande escala. Para 2026, o Conselho Nacional de Política Energética fixou uma meta compulsória de 48,09 milhões de CBIOs, usada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) no cálculo das metas individuais definitivas das distribuidoras.

No exercício anterior, a meta nacional havia sido estabelecida em 40,39 milhões de CBIOs. A ANP informou que cerca de 40 milhões de créditos foram aposentados em relação à obrigação de 2025, volume equivalente a aproximadamente 99% da meta total daquele ano.

Esses números dimensionam o mercado relacionado ao próximo ciclo decenal sem antecipar o resultado da consulta atual. As metas de 2026 e o desempenho de 2025 pertencem a exercícios já definidos e não devem ser confundidos com os parâmetros ainda em discussão para 2027 a 2036.

A consulta, por si só, não altera as obrigações já estabelecidas. O processo recebe contribuições sobre a proposta que servirá de referência para os próximos anos, incluindo a trajetória de intensidade de carbono e as estimativas relacionadas à emissão de CBIOs.

Produtores de biocombustíveis, distribuidoras, participantes do mercado de créditos e consumidores estão entre os grupos alcançados pela definição. O MME afirma que o desenho em análise considera a política de descarbonização, a oferta de combustíveis, a previsibilidade do mercado e a proteção dos consumidores.

Encerrado o prazo de 29 de outubro, o ministério terá de analisar as manifestações recebidas antes de concluir as metas nacionais que servirão de base para as obrigações individuais das distribuidoras a partir de 2027.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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