Kawasaki apresentou um robô de 60 centímetros com pés magnéticos e inteligência artificial para testes em estaleiros, com foco futuro em soldagem e inspeção.
Alcançar partes elevadas de um navio pode exigir a montagem de plataformas e outros equipamentos para que os trabalhadores executem serviços em estruturas metálicas. A Kawasaki Heavy Industries quer reduzir essa necessidade com um robô de cerca de 60 centímetros de comprimento, equipado com pés magnéticos e inteligência artificial. A empresa japonesa apresentou uma prévia do protótipo em 6 de outubro de 2026, mostrando uma máquina capaz de subir por anteparas e circular em espaços confinados.
Segundo o The Maritime Executive, que divulgou o projeto em 7 de outubro, a intenção é desenvolver uma versão mais avançada para realizar soldagens e inspecionar soldas em superfícies verticais. Essas atividades ainda fazem parte dos objetivos da fabricante, que pretende aproveitar a mobilidade do equipamento para alcançar locais onde o trabalho humano exige estruturas adicionais de acesso.
Kawasaki prevê US$ 3,5 bilhões para modernizar operações industriais
O desenvolvimento do robô ocorre em meio a um programa de modernização que abrange diferentes atividades da Kawasaki. A companhia planeja investir US$ 3,5 bilhões nos próximos quatro anos para ampliar o uso de tecnologias avançadas em suas divisões de manufatura. A construção naval está incluída nessa estratégia, que busca incorporar inteligência artificial às operações industriais.
-
Nova draga de 148 metros construída na China consegue escavar a 38 metros de profundidade com sistema de corte de 7,8 MW
-
Fundo da Marinha Mercante aprova R$ 8,3 bilhões para 26 projetos e pode impulsionar mais de 6,5 mil empregos no setor naval e portuário
-
Alemanha aprova compra de mais 4 fragatas por cerca de € 5,6 bilhões e amplia frota para 8 navios de guerra antissubmarino
-
Consórcio de empresas brasileiras prepara contrato de R$ 50 milhões para retirar seis estruturas offshore na Bahia
Entre as instalações envolvidas está o estaleiro de Sakaide, na província japonesa de Kagawa, previsto para receber testes iniciais relacionados à iniciativa. O planejamento não se limita ao novo equipamento magnético, mas contempla aplicações de robótica e inteligência artificial em diferentes processos produtivos. A reportagem do The Maritime Executive não especifica se o protótipo de 60 centímetros será testado nessa unidade.
A possibilidade de aplicar essas tecnologias à construção naval também está relacionada à própria estrutura do conglomerado japonês. Além de atuar entre os grandes construtores de navios do país, a Kawasaki possui uma divisão interna dedicada à robótica, o que permite reunir conhecimentos das duas áreas no desenvolvimento de novos equipamentos industriais.
Como o robô de pés magnéticos poderá ajudar na construção de navios
A principal característica apresentada no protótipo é sua capacidade de movimentação sobre estruturas metálicas. Os pés magnéticos permitem que a pequena máquina se fixe a superfícies verticais, enquanto seu tamanho facilita a circulação por espaços limitados. A proposta é aproveitar essas características para desenvolver equipamentos capazes de executar serviços em posições de difícil acesso.
Em uma doca seca, por exemplo, a possibilidade de trabalhar em superfícies elevadas e com diferentes contornos poderia diminuir a dependência de plataformas e outros meios de acesso. Entretanto, a soldagem automatizada ainda é uma aplicação pretendida para uma versão futura, e não uma função já demonstrada pelo pequeno protótipo.
O projeto reúne capacidades já apresentadas e objetivos que ainda dependem de desenvolvimento:
- Escalada de anteparas: utilização dos pés magnéticos para se prender a estruturas metálicas e realizar deslocamentos verticais.
- Circulação em espaços confinados: mobilidade em locais onde o espaço disponível dificulta a movimentação de equipamentos convencionais.
- Soldagem em superfícies verticais: uma das atividades previstas para uma versão operacional mais avançada.
- Inspeção de soldas: outra aplicação futura, destinada a verificar trabalhos de soldagem em áreas elevadas ou de acesso complicado.
O avanço dessas funções poderá ampliar as possibilidades de utilização do equipamento nos estaleiros. Por enquanto, o protótipo representa uma etapa de desenvolvimento voltada à mobilidade, enquanto a execução de tarefas industriais permanece entre as metas da Kawasaki.
Inteligência artificial física também faz parte dos planos para 2030
Outra frente da estratégia japonesa envolve a chamada IA física, tecnologia que combina inteligência artificial e componentes mecânicos para permitir que máquinas interajam diretamente com o ambiente. Nesse modelo, os sistemas deixam de atuar exclusivamente no meio digital e passam a reconhecer situações ao redor, tomar decisões e executar movimentos no mundo real.
Jun Yamaguchi, gerente de cocriação do novo laboratório de pesquisa e desenvolvimento em IA física da Kawasaki, localizado em San Jose, na Califórnia, explicou que carros autônomos e robôs são exemplos dessa aplicação. Em declaração reproduzida pelo The Maritime Executive, ele destacou que a tecnologia pode tornar os movimentos das máquinas mais flexíveis à medida que seu uso se expande.
Os planos da fabricante vão além dos equipamentos especializados para estaleiros. Até 2030, a Kawasaki Heavy Industries pretende colocar em serviço geral um robô humanoide equipado com inteligência artificial, ampliando o alcance da robótica para diferentes atividades atualmente executadas por pessoas. A meta integra a mesma aposta na combinação entre sistemas inteligentes e equipamentos capazes de agir no ambiente físico.
Escassez de mão de obra aumenta interesse pela automação naval
A busca por novas soluções tecnológicas ocorre em um momento de dificuldades para a contratação de trabalhadores no Japão. O envelhecimento da população e a redução contínua do número de habitantes limitam a disponibilidade de profissionais, criando desafios para atividades industriais que dependem de mão de obra.
De acordo com o The Maritime Executive, programas de contratação de trabalhadores estrangeiros ajudaram a reduzir parte dessa dificuldade. O veículo também relata que o governo japonês vem adotando restrições mais rigorosas aos vistos de trabalho. Diante desse quadro, a automação ganha importância como uma alternativa para executar funções que encontram dificuldades de preenchimento.
O problema não é exclusivo dos estaleiros japoneses. Na Coreia do Sul, empresas de construção naval enfrentam limitações semelhantes e avançaram no desenvolvimento de robôs destinados à soldagem durante a fabricação de blocos de navios. A utilização desses equipamentos aparece como uma das respostas industriais à necessidade de manter as atividades produtivas com uma oferta restrita de trabalhadores.

