1. Início
  2. Indústria Naval
  3. Kawasaki desenvolve robô com pés magnéticos que escala paredes de navios e poderá realizar soldagens em estaleiros
Faça um comentário 5 min de leitura

Kawasaki desenvolve robô com pés magnéticos que escala paredes de navios e poderá realizar soldagens em estaleiros

Imagem de perfil do autor Andriely Medeiros de Araújo
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo Publicado em 10/10/2026 às 19:04 Atualizado em 10/10/2026 às 19:10
Google News
Assista o vídeoKawasaki apresentou um robô de 60 centímetros com pés magnéticos e inteligência artificial para testes em estaleiros, com foco futuro em soldagem e inspeção.
Kawasaki apresentou um robô de 60 centímetros com pés magnéticos e inteligência artificial para testes em estaleiros, com foco futuro em soldagem e inspeção. Fonte: Youtube/ editada com IA.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Kawasaki apresentou um robô de 60 centímetros com pés magnéticos e inteligência artificial para testes em estaleiros, com foco futuro em soldagem e inspeção.

Alcançar partes elevadas de um navio pode exigir a montagem de plataformas e outros equipamentos para que os trabalhadores executem serviços em estruturas metálicas. A Kawasaki Heavy Industries quer reduzir essa necessidade com um robô de cerca de 60 centímetros de comprimento, equipado com pés magnéticos e inteligência artificial. A empresa japonesa apresentou uma prévia do protótipo em 6 de outubro de 2026, mostrando uma máquina capaz de subir por anteparas e circular em espaços confinados.

Segundo o The Maritime Executive, que divulgou o projeto em 7 de outubro, a intenção é desenvolver uma versão mais avançada para realizar soldagens e inspecionar soldas em superfícies verticais. Essas atividades ainda fazem parte dos objetivos da fabricante, que pretende aproveitar a mobilidade do equipamento para alcançar locais onde o trabalho humano exige estruturas adicionais de acesso.

Kawasaki prevê US$ 3,5 bilhões para modernizar operações industriais

O desenvolvimento do robô ocorre em meio a um programa de modernização que abrange diferentes atividades da Kawasaki. A companhia planeja investir US$ 3,5 bilhões nos próximos quatro anos para ampliar o uso de tecnologias avançadas em suas divisões de manufatura. A construção naval está incluída nessa estratégia, que busca incorporar inteligência artificial às operações industriais.

Entre as instalações envolvidas está o estaleiro de Sakaide, na província japonesa de Kagawa, previsto para receber testes iniciais relacionados à iniciativa. O planejamento não se limita ao novo equipamento magnético, mas contempla aplicações de robótica e inteligência artificial em diferentes processos produtivos. A reportagem do The Maritime Executive não especifica se o protótipo de 60 centímetros será testado nessa unidade.

A possibilidade de aplicar essas tecnologias à construção naval também está relacionada à própria estrutura do conglomerado japonês. Além de atuar entre os grandes construtores de navios do país, a Kawasaki possui uma divisão interna dedicada à robótica, o que permite reunir conhecimentos das duas áreas no desenvolvimento de novos equipamentos industriais.

Como o robô de pés magnéticos poderá ajudar na construção de navios

A principal característica apresentada no protótipo é sua capacidade de movimentação sobre estruturas metálicas. Os pés magnéticos permitem que a pequena máquina se fixe a superfícies verticais, enquanto seu tamanho facilita a circulação por espaços limitados. A proposta é aproveitar essas características para desenvolver equipamentos capazes de executar serviços em posições de difícil acesso.

Em uma doca seca, por exemplo, a possibilidade de trabalhar em superfícies elevadas e com diferentes contornos poderia diminuir a dependência de plataformas e outros meios de acesso. Entretanto, a soldagem automatizada ainda é uma aplicação pretendida para uma versão futura, e não uma função já demonstrada pelo pequeno protótipo.

O projeto reúne capacidades já apresentadas e objetivos que ainda dependem de desenvolvimento:

  • Escalada de anteparas: utilização dos pés magnéticos para se prender a estruturas metálicas e realizar deslocamentos verticais.
  • Circulação em espaços confinados: mobilidade em locais onde o espaço disponível dificulta a movimentação de equipamentos convencionais.
  • Soldagem em superfícies verticais: uma das atividades previstas para uma versão operacional mais avançada.
  • Inspeção de soldas: outra aplicação futura, destinada a verificar trabalhos de soldagem em áreas elevadas ou de acesso complicado.

O avanço dessas funções poderá ampliar as possibilidades de utilização do equipamento nos estaleiros. Por enquanto, o protótipo representa uma etapa de desenvolvimento voltada à mobilidade, enquanto a execução de tarefas industriais permanece entre as metas da Kawasaki.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Inteligência artificial física também faz parte dos planos para 2030

Outra frente da estratégia japonesa envolve a chamada IA física, tecnologia que combina inteligência artificial e componentes mecânicos para permitir que máquinas interajam diretamente com o ambiente. Nesse modelo, os sistemas deixam de atuar exclusivamente no meio digital e passam a reconhecer situações ao redor, tomar decisões e executar movimentos no mundo real.

Jun Yamaguchi, gerente de cocriação do novo laboratório de pesquisa e desenvolvimento em IA física da Kawasaki, localizado em San Jose, na Califórnia, explicou que carros autônomos e robôs são exemplos dessa aplicação. Em declaração reproduzida pelo The Maritime Executive, ele destacou que a tecnologia pode tornar os movimentos das máquinas mais flexíveis à medida que seu uso se expande.

Os planos da fabricante vão além dos equipamentos especializados para estaleiros. Até 2030, a Kawasaki Heavy Industries pretende colocar em serviço geral um robô humanoide equipado com inteligência artificial, ampliando o alcance da robótica para diferentes atividades atualmente executadas por pessoas. A meta integra a mesma aposta na combinação entre sistemas inteligentes e equipamentos capazes de agir no ambiente físico.

Escassez de mão de obra aumenta interesse pela automação naval

A busca por novas soluções tecnológicas ocorre em um momento de dificuldades para a contratação de trabalhadores no Japão. O envelhecimento da população e a redução contínua do número de habitantes limitam a disponibilidade de profissionais, criando desafios para atividades industriais que dependem de mão de obra.

De acordo com o The Maritime Executive, programas de contratação de trabalhadores estrangeiros ajudaram a reduzir parte dessa dificuldade. O veículo também relata que o governo japonês vem adotando restrições mais rigorosas aos vistos de trabalho. Diante desse quadro, a automação ganha importância como uma alternativa para executar funções que encontram dificuldades de preenchimento.

O problema não é exclusivo dos estaleiros japoneses. Na Coreia do Sul, empresas de construção naval enfrentam limitações semelhantes e avançaram no desenvolvimento de robôs destinados à soldagem durante a fabricação de blocos de navios. A utilização desses equipamentos aparece como uma das respostas industriais à necessidade de manter as atividades produtivas com uma oferta restrita de trabalhadores.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Andriely Medeiros de Araújo

Ensino superior em andamento. Escreve sobre Petróleo, Gás, Energia e temas relacionados para o CPG — Click Petróleo e Gás.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x