Justiça de Lyon responsabiliza a mãe por contas abertas para o jovem, que lucrava com reembolsos falsos e movimentações em dinheiro e criptomoedas
A mãe de um jovem em Lyon, França, foi condenada a ressarcir a Amazon em 72 mil euros depois que o filho, hoje maior de idade, aplicou um golpe que explorava uma brecha na política de reembolsos da empresa. O caso ocorreu no fim do ano passado.
A decisão veio após uma investigação que começou em 2022 e revelou um esquema que movimentou dezenas de milhares de euros em produtos desviados.
Como o golpe funcionava
O caso chamou a atenção porque o jovem usava um método simples. Ele fazia pedidos na Amazon e, ao receber os pacotes, alegava que estavam vazios.
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A empresa optava por reembolsar o valor imediatamente para evitar processos demorados, portanto o estudante ficava com os produtos e com o dinheiro devolvido. O esquema cresceu com rapidez.
O adolescente passou a oferecer um serviço chamado “reembolso garantido” em Telegram e Twitter. Ele cobrava uma comissão para aplicar o golpe em nome de outros usuários, além disso aceitava pagamento tanto em dinheiro como em criptomoedas.
A polícia de Lyon tomou conhecimento da fraude em fevereiro de 2022. Uma denúncia anônima apontou um estudante de 16 anos da Ecole 42 como responsável por sucessivos golpes contra empresas de comércio eletrônico.
O jovem acumulou 82 mil euros em mercadorias antes de ser processado. Depois disso, recebeu pena de cinco meses de prisão imposta pelo Tribunal de Menores.
A Amazon, por sua vez, pediu o ressarcimento de 72 mil euros referentes ao prejuízo direto causado.
Por que a mãe foi parar no banco dos réus
Mesmo após a condenação do filho, a história não terminou. A mãe foi chamada a julgamento pelo Tribunal Penal de Lyon sob acusação de ter contribuído com o esquema. Segundo a investigação, ela abriu várias contas bancárias em nome do adolescente.
Ela afirmou que as contas serviriam apenas para que o filho recebesse uma bolsa anual de 740 euros. Disse também que desconhecia qualquer movimentação irregular e que não fazia ideia de que o jovem havia acumulado 82 mil euros.
Durante a audiência, no entanto, surgiram informações que colocaram suas explicações em dúvida. As autoridades relataram a existência de contas abertas na Lituânia para converter quantias em criptomoedas, além de transferências enviadas para parentes próximos.
Também foram encontradas mensagens falando sobre “reembolsos de 1.000 euros” entre mãe e filho.
A defesa e o choque com a acusação
A mulher declarou ter sido enganada. Segundo ela, o filho afirmava que tudo se tratava de promoções que devolviam 100% do valor do produto em troca de avaliações positivas. Disse ainda que estava cansada e acabou acreditando nas histórias.
O promotor, porém, argumentou que a versão não parecia plausível porque a mãe teria percebido os valores em circulação. Para ele, houve “vista grossa” com intuito de benefício próprio.
A sentença e a responsabilidade civil
O Tribunal concluiu que havia elementos suficientes para condená-la. A mãe recebeu pena de seis meses de prisão e multa de 2.500 euros.
Além disso, foi determinada a devolução dos 72 mil euros à Amazon, porque o filho dificilmente conseguiria arcar com o valor sozinho.
Segundo o GenBeta, a decisão busca garantir que parte do prejuízo seja recuperada. Embora o jovem seja maior de idade hoje, ele ainda mora com a mãe, portanto ela segue considerada civilmente responsável.
O caso encerra uma disputa que se estendeu por anos e mostra como a participação indireta em fraudes, mesmo quando alegada como desconhecimento, pode resultar em punições severas.
Com informações de Xataka.
