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Cientistas descobriram o interruptor que o melanoma usa para criar seus próprios vasos sanguíneos e ao mesmo tempo bloquear as células imunes que deveriam destruí-lo

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Escrito por Douglas Avila Publicado em 23/04/2026 às 19:30 Atualizado em 23/04/2026 às 22:08
Células de melanoma vistas em microscópio representando descoberta da proteína HOXD13
Pesquisadores da NYU Langone descobriram que a proteína HOXD13 funciona como interruptor mestre do melanoma criando vasos e bloqueando defesas
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Pesquisadores descobriram a proteína que o câncer de pele usa como interruptor para criar vasos sanguíneos, se alimentar e ao mesmo tempo bloquear as células que deveriam destruí-lo

O melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele, acaba de ter um dos seus maiores segredos revelados.

Pesquisadores da NYU Langone Health e do Perlmutter Cancer Center, nos Estados Unidos, descobriram que uma proteína chamada HOXD13 funciona como um “interruptor mestre” que o melanoma usa simultaneamente para duas funções críticas: criar novos vasos sanguíneos que alimentam o tumor e bloquear as células T — as soldados do sistema imunológico que deveriam destruí-lo.

Em outras palavras, o câncer encontrou uma única chave que liga o suprimento de comida e desliga a defesa ao mesmo tempo.

O estudo, publicado em 20 de abril de 2026 pela ScienceDaily, abre caminho para uma nova abordagem de tratamento que ataca ambos os mecanismos de uma vez.

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Como o melanoma usa a HOXD13 para se esconder e se alimentar ao mesmo tempo

Para crescer, qualquer tumor precisa de duas coisas: nutrientes e proteção contra o sistema imunológico.

Além disso, o melanoma desenvolveu uma estratégia particularmente sofisticada. A proteína HOXD13 — um fator de transcrição que regula a atividade de genes — desempenha um papel central nessa estratégia.

Em primeiro lugar, a HOXD13 estimula a angiogênese — o processo de formação de novos vasos sanguíneos que conectam o tumor ao suprimento de sangue do corpo. Dessa forma, o tumor garante oxigênio e nutrientes para crescer.

Ao mesmo tempo, a mesma proteína ativa a via da adenosina — uma molécula que funciona como um “freio” para as células T do sistema imunológico. Consequentemente, as células que deveriam reconhecer e destruir o tumor são desativadas antes de conseguir agir.

Na prática, é como se o melanoma construísse uma estrada direta até o restaurante e ao mesmo tempo colocasse todos os policiais para dormir.

O que aconteceu quando os cientistas desligaram o interruptor do melanoma

A descoberta mais promissora do estudo é o que aconteceu quando os pesquisadores reduziram a atividade da HOXD13 em experimentos de laboratório.

Consequentemente, os tumores encolheram. Além disso, os vasos sanguíneos que alimentavam o melanoma se reduziram e as células T voltaram a atacar as células cancerígenas.

Dessa forma, desligar um único interruptor molecular foi suficiente para reverter as duas vantagens que o tumor tinha construído.

Para ter uma ideia do impacto potencial, o melanoma é responsável por 80% das mortes por câncer de pele no mundo, apesar de representar apenas 4% dos diagnósticos de câncer cutâneo. Por isso, qualquer avanço na compreensão de como ele se protege é clinicamente relevante.

  • Proteína descoberta: HOXD13 — fator de transcrição que funciona como “interruptor mestre”
  • Função dupla: cria vasos sanguíneos (angiogênese) + bloqueia células T (via adenosina)
  • Resultado experimental: reduzir HOXD13 encolheu tumores em laboratório
  • Instituição: NYU Langone Health / Perlmutter Cancer Center (EUA)
  • Publicação: abril de 2026
  • O melanoma causa 80% das mortes por câncer de pele

A nova estratégia de tratamento: atacar dois alvos com uma única terapia

Atualmente, os tratamentos contra melanoma avançado incluem imunoterapia (que tenta reativar o sistema imune) e antiangiogênicos (que tentam cortar o suprimento de sangue do tumor).

Porém, essas abordagens funcionam de forma isolada — e o tumor frequentemente encontra maneiras de contornar uma enquanto a outra atua.

A descoberta da HOXD13 sugere uma nova abordagem: atacar ambos os mecanismos simultaneamente através de uma única via molecular.

De acordo com a NYU Langone, a combinação de alvos na angiogênese e nos receptores de adenosina “é proposta como uma abordagem promissora para o tratamento de melanomas dirigidos pela HOXD13”.

Na prática, isso significa que futuros medicamentos poderiam ser projetados para bloquear especificamente a HOXD13 — desligando ao mesmo tempo a fábrica de vasos sanguíneos e reativando o sistema imune contra o tumor.

Essa linha de pesquisa se conecta a outras descobertas recentes sobre como o corpo interage com doenças de formas inesperadas, como a de que médicos cortaram por séculos um tecido sem saber que era um órgão funcional.

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Por que detectar o melanoma cedo ainda é a melhor defesa

Apesar do avanço, os pesquisadores reforçam que a detecção precoce continua sendo o fator mais importante para sobreviver ao melanoma.

Quando diagnosticado em estágio inicial — ainda limitado à superfície da pele — a taxa de sobrevida em 5 anos ultrapassa 99%. Entretanto, quando o tumor se espalha para outros órgãos, essa taxa cai para menos de 30%.

Além disso, a incidência de melanoma aumentou 27% nas últimas duas décadas em países com alta exposição solar — incluindo o Brasil, Austrália e sul da Europa.

Portanto, enquanto a ciência busca maneiras de desligar o interruptor HOXD13 dentro dos tumores, a melhor proteção continua sendo observar mudanças em pintas e manchas na pele e procurar um dermatologista ao menor sinal de alteração.

Além disso, o Brasil é um dos países com maior incidência de melanoma na América Latina. Consequentemente, qualquer avanço na compreensão dos mecanismos do tumor tem impacto direto na saúde pública nacional — especialmente nas regiões Sul e Sudeste, onde a população de pele clara está mais exposta à radiação ultravioleta.

Na prática, se a HOXD13 se confirmar como alvo terapêutico viável, pacientes brasileiros com melanoma avançado poderiam ter acesso a uma nova classe de medicamentos que ataca o tumor por dois flancos simultaneamente — algo que nenhuma terapia atual consegue fazer de forma integrada.

As limitações que os próprios pesquisadores destacam

Apesar da importância da descoberta, os resultados ainda são pré-clínicos. Ou seja, os experimentos foram realizados em laboratório, não em pacientes humanos.

Consequentemente, o caminho entre desligar a HOXD13 em células de laboratório e desenvolver um medicamento que faça o mesmo de forma segura em pessoas pode levar anos — ou até décadas.

Além disso, o melanoma é conhecido por sua capacidade de mutação e adaptação. Mesmo que terapias contra HOXD13 funcionem inicialmente, o tumor pode desenvolver resistência — como já aconteceu com outras imunoterapias.

Mesmo assim, entender o mecanismo pelo qual o tumor constrói sua própria infraestrutura de sobrevivência é um passo fundamental. Da mesma forma que o tubarão-da-Groenlândia revelou segredos genéticos sobre resistência ao câncer, a HOXD13 pode ser a chave para entender por que o melanoma é tão letal — e como pará-lo.

Será que desligar um único interruptor molecular pode ser a diferença entre um tumor que mata e um que o corpo consegue destruir sozinho?

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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