Megaprojeto ferroviário entre Nova Jersey e Manhattan ganha novo contrato de US$ 1,29 bilhão para perfurar túneis sob o Rio Hudson, destravar um gargalo histórico no corredor ferroviário mais movimentado dos EUA e substituir estruturas em serviço desde 1910.
Túnel sob o Rio Hudson volta ao centro das grandes obras dos Estados Unidos depois que uma equipe formada por Traylor Bros., Walsh Construction e Skanska conquistou um contrato de US$ 1,29 bilhão para construir uma etapa decisiva do megaprojeto ferroviário de aproximadamente US$ 16 bilhões, em Nova York.
O que torna a obra maior do que um simples contrato é o cenário onde ela será executada: dois novos túneis paralelos, cada um com 2.210 metros de extensão, serão perfurados sob uma das regiões mais movimentadas do país, ligando o poço de acesso em Weehawken, em Nova Jersey, até a 12ª Avenida, no lado oeste de Manhattan.
Contrato de US$ 1,29 bilhão recoloca o túnel do Rio Hudson em movimento
O novo contrato marca o primeiro avanço relevante do Projeto do Túnel Hudson desde que a obra foi paralisada em meio ao congelamento de verbas federais anunciado em outubro do ano passado.
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O pacote 1C prevê a construção de dois túneis ferroviários paralelos de via única, que vão formar uma nova ligação subterrânea entre Nova Jersey e Manhattan. A etapa será executada por um consórcio com participação da americana Traylor Bros., da Walsh Construction e da sueca Skanska.
O megaprojeto ferroviário é um dos mais importantes do programa porque envolve a perfuração direta sob o Rio Hudson, trecho considerado essencial para ampliar a capacidade ferroviária entre os dois lados da região metropolitana de Nova York.
Dois túneis de 2.210 metros vão sair de Weehawken e chegar ao oeste de Manhattan
O traçado previsto liga o poço de acesso do Condado de Hudson, em Weehawken, Nova Jersey, até a 12ª Avenida, no lado oeste de Manhattan.
Cada túnel terá 2.210 metros de comprimento, formando dois corredores paralelos de via única. O escopo inclui instalação de revestimento, piso do túnel e construção de nove passagens transversais conectando as duas estruturas subterrâneas.
Também estão previstas obras de estabilização do solo perto da linha de trem leve Hudson Bergen e o reforço permanente das fundações da ponte Willow Avenue, em Nova Jersey.
Na prática, o contrato não trata apenas de abrir buracos sob o rio. Ele envolve um conjunto de intervenções subterrâneas, estruturais e ferroviárias em uma área densamente ocupada, onde qualquer falha pode afetar mobilidade, obras vizinhas e serviços existentes.
Máquinas tuneladoras feitas sob medida vão enfrentar solo mole, rocha intemperizada e terreno estabilizado

A parte mais curiosa da obra está nas condições do subsolo. Para perfurar o trecho, foram projetadas máquinas tuneladoras multiuso construídas sob medida, preparadas para lidar com diferentes materiais sob o Rio Hudson.
O terreno combina rocha intemperizada, solo mole e áreas estabilizadas. Por isso, a escavação exige equipamentos capazes de se adaptar a condições variadas ao longo do mesmo percurso.
Além da abertura dos túneis, o trabalho inclui a instalação de revestimentos segmentados de concreto pré-moldado e lajes de fundação pré-moldadas permanentes.
Esse tipo de solução é usado para dar estabilidade e resistência à estrutura enquanto a escavação avança. Em uma obra sob um rio, com conexão direta entre dois grandes centros urbanos, o controle do solo e da pressão subterrânea é parte central do desafio técnico.
Megaprojeto tenta resolver gargalo ferroviário em corredor usado há mais de um século
O Projeto do Túnel Hudson também está ligado à substituição dos túneis do North River Tunnel, estrutura existente que está em operação desde 1910.
Esses túneis antigos foram danificados pelo furacão Sandy e exigem manutenção constante. Mesmo assim, seguem como parte essencial da ligação ferroviária entre Nova Jersey e Nova York.
Quando concluído, o projeto deverá substituir os dois túneis ferroviários existentes sob o Rio Hudson por um sistema com quatro túneis totalmente novos. A meta é eliminar um gargalo histórico no Corredor Ferroviário do Nordeste, considerado o corredor ferroviário mais movimentado dos Estados Unidos.
O impacto vai além da engenharia. A obra mira a confiabilidade do transporte de passageiros entre Nova Jersey e Nova York, dois polos conectados diariamente por intenso fluxo de trabalhadores, serviços e viagens regionais.
Congelamento de verba paralisou a obra e levou disputa à Justiça
Omegaprojeto ferroviário é financiado principalmente por recursos federais. Em outubro do ano passado, os repasses foram suspensos pelo governo Trump sob a alegação de que programas voltados à inclusão de empresas de propriedade de negros, minorias e mulheres em projetos federais poderiam ser “discriminatórios” e “inconstitucionais”.
A construção seguiu por algum tempo com os recursos disponíveis, mas o dinheiro acabou em fevereiro. Naquele momento, cerca de US$ 1 bilhão já havia sido gasto na obra.
A Gateway Development Commission, responsável pelo projeto, processou o governo em 2 de fevereiro por quebra de contrato. A entidade buscava o pagamento de US$ 205 milhões em valores devidos e indenização em caso de paralisação.
A procuradora-geral de Nova York, Letitia James, também entrou com uma ação judicial e obteve uma liminar impedindo o encerramento do projeto. Ainda assim, o financiamento não foi liberado imediatamente, e os trabalhos foram suspensos em 6 de fevereiro.
O projeto foi retomado em 24 de fevereiro, depois da liberação dos US$ 205 milhões.
Novo túnel duplo deve abrir em 2035 e antigo North River será revitalizado depois
A previsão é que o novo túnel duplo do Rio Hudson entre em operação em 2035. Depois disso, o North River Tunnel passará por um programa de revitalização com duração prevista de três anos.
Após essa etapa, a reabertura do túnel antigo revitalizado está prevista para 2038.
Esse cronograma mostra que a obra não é apenas uma expansão ferroviária, mas uma reorganização de longo prazo da infraestrutura entre Nova Jersey e Manhattan. Primeiro, o novo sistema precisa entrar em operação. Depois, os túneis antigos poderão ser recuperados sem interromper completamente a ligação ferroviária.
Projeto mostra como infraestrutura antiga ainda define o futuro das grandes cidades
O avanço do túnel sob o Rio Hudson revela um problema comum em grandes centros urbanos: estruturas centenárias seguem sustentando parte essencial da mobilidade moderna.
No caso de Nova York e Nova Jersey, a dependência de túneis em serviço desde 1910 tornou o corredor ferroviário vulnerável a falhas, manutenções constantes e limitações de capacidade.
A nova etapa contratada por US$ 1,29 bilhão recoloca o megaprojeto ferroviário em movimento e reforça a importância de obras subterrâneas complexas para a mobilidade urbana do futuro.
Mais do que abrir dois túneis sob o Rio Hudson, o projeto tenta garantir que uma das conexões ferroviárias mais estratégicas dos Estados Unidos continue funcionando nas próximas décadas, com mais confiabilidade, redundância e capacidade para passageiros entre Nova Jersey e Manhattan.

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