Crescimento acelerado de médicos e faculdades no Brasil contrasta com a estagnação do mercado, levantando alertas sobre renda, saturação profissional e sustentabilidade da carreira médica.
De acordo com o especialista em investimentos Raul Sardinha, do canal Investidor Sardinha, o exercício da medicina no Brasil poderá enfrentar um cenário de saturação e perda de renda ao longo desta década.
O vídeo, publicado recentemente, destaca que o número de médicos no país subiu de aproximadamente 131 279 em 1990 para cerca de 575 930 atualmente.
Conforme ressaltado por Raul Sardinha, esse crescimento de mais de quatro vezes contrasta com os 42% de acréscimo da população brasileira no mesmo período — de 144 milhões para 205 milhões de habitantes.
-
Lua de Morango será visível no Brasil nesta segunda-feira (29); veja horário e como observar
-
Motorista atravessou uma ponte férrea de mais de 100 anos sobre o rio Uruguai, onde carros passam um por vez, e encontrou no caminho um casal da roça que ainda faz açúcar no tacho, bate feijão no manguá e guarda ferramentas que parecem ter saído de um museu vivo
-
Produtora rural deixou Mato Grosso com filhos pequenos, retornou anos depois para assumir 300 hectares abertos e consolidou uma propriedade familiar em Tapurah com organização, expansão agrícola, apoio dos filhos e presença da Aprosoja MT no crescimento do agro
-
Casal de Goiás começou tirando leite às 4h30, apostou no queijo artesanal e viu a produção saltar de 25 para 70 quilos por dia após assistência técnica; a pequena queijaria reformou a casa, aproximou os filhos e abriu um novo degrau para a família no campo, sem promessa fácil
É o que confirmam dados oficiais que indicam 2,81 médicos por 1 000 habitantes hoje, índice superior ao de países como Estados Unidos e Japão, segundo ele ainda comentou.
Crescimento das faculdades de medicina no Brasil
Sardinha aponta que a quantidade de faculdades de medicina quintuplicou desde 1990.
As vagas nas universidades públicas cresceram 64% entre 2003 e 2023 — de 19 917 para 32 080 no total (ilustrando um salto também nas instituições privadas).
“Essas universidades passaram a oferecer o curso de medicina de diferentes maneiras”, observou o analista, sugerindo impacto na qualidade do ensino.
Ele ainda comentou que o mercado de cursos médicos movimentou R$ 21 bilhões em 2022.
Os valores das mensalidades variam entre R$ 8 000 e R$ 12 000 — o que representa quase oito vezes o custo de outras graduações.
Conforme ele destacou, essa expansão representa um negócio expressivo e rentável para as mantenedoras.
Finanças e estratégias de mercado no ensino médico
O vídeo de Raul Sardinha ressalta que, segundo apuração de fusões e aquisições, cada vaga de medicina chega a ser avaliada em R$ 2 milhões, conforme exemplificam entidades como Afya Educacional (18 000 alunos), Ânima Educação (10,9 mil), Dux (7,5 mil) e Ser Educacional (3 000).
“Dos alunos que cursam medicina, grande parte tem renda familiar acima de 30 salários mínimos”, ressaltou ele, distinguindo essa realidade da área de enfermagem (apenas 0,11% dos alunos nesse perfil).
Dificuldades enfrentadas pelos novos médicos
O especialista enfatiza que o Brasil poderá ter até um milhão de médicos até 2035, alcançando 5,5 médicos por 1 000 habitantes — comparado à média de 3,5 da OCDE.
Conforme ele destacou, isso pode acarretar queda no poder de remuneração.
Ele alertou que um aumento tão rápido na oferta não deverá ser acompanhado por elevação igual na demanda, pois “a população envelhece, sim, mas não tão rapidamente quanto as universidades formam médicos”.
Além disso, 65 000 estudantes brasileiros cursam medicina em países como Argentina, Paraguai e Bolívia.
Segundo Raul Sardinha, muitos poderão retornar devido à possível escassez de oportunidades de trabalho no Brasil.
Especializações médicas e precarização do trabalho
Sardinha destacou que o crescimento da oferta afetará sobretudo médicos generalistas.
Para se proteger, o ideal seria buscar especializações ou nichos em ascensão — como oftalmologia e procedimentos estéticos —, onde há demanda crescente e oferta limitada.
“Esses plantões já são muito intensos e, geralmente, sem garantias trabalhistas”, ressaltou o especialista, apontando para a precarização do setor médico.
Ele prevê aumento na quantidade de médicos que aceitarão trabalhar com contratos PJ, diminuindo seu rendimento real.
Planejamento financeiro para médicos no Brasil
Conforme apresentado, a remuneração média de um médico no Brasil gira em torno de R$ 14 542 mensais.
Sardinha propôs uma simulação: investindo 25% desse valor (R$ 3 635 por mês) ao longo de 10 anos, seria possível acumular R$ 637 mil.
“Sem considerar inflação, em aplicações com rendimento de 14% ao ano, esse montante chega a aproximadamente R$ 876 mil, gerando uma renda mensal superior a R$ 9 000”, explicou o canal.
Ele também fez cálculos com investimento de 50% da renda por 10 anos, ou 25% por até 20 anos, apontando como alternativa viável manter um padrão de vida parecido com o de um médico, sem seguir carreira na área da saúde.
Diante do crescimento acelerado da formação médica e da estagnação na demanda por serviços, será que o Brasil caminha para um futuro em que o diploma de medicina se torne apenas um título — e não mais uma garantia de estabilidade financeira?

