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Aos 16 anos, menina transformou cascas de laranja e abacate jogadas fora em um material capaz de reter água no solo, criou uma solução barata contra a seca e venceu o principal prêmio da Google Science Fair

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 01/07/2026 às 16:41 Atualizado em 01/07/2026 às 17:33
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Estudante sul-africana chamou atenção internacional ao usar resíduos de frutas em uma pesquisa contra os efeitos da seca, combinando química, sustentabilidade e agricultura em um projeto escolar reconhecido pela Google Science Fair e acompanhado por publicações científicas.

Kiara Nirghin tinha 16 anos quando venceu o Grand Prize da Google Science Fair de 2016 com um projeto que transformava cascas de laranja e pele de abacate em um polímero biodegradável, criado para ajudar o solo a reter água por mais tempo em períodos de seca.

Anunciada em Mountain View, nos Estados Unidos, em 27 de setembro daquele ano, a premiação rendeu à estudante sul-africana uma bolsa de US$ 50 mil e ampliou a visibilidade de uma pesquisa escolar voltada a um problema agrícola real.

Batizada de “No More Thirsty Crops”, a proposta surgiu em meio a uma estiagem severa na África do Sul, com reflexos sobre agricultores e produção de alimentos, e buscou uma alternativa simples em resíduos orgânicos descartados no consumo cotidiano.

Em vez de recorrer a materiais caros ou equipamentos complexos, a jovem direcionou os testes para sobras comuns na cadeia de alimentos, tentando transformar cascas de frutas em um recurso capaz de conservar umidade junto às raízes das plantas.

Polímero biodegradável feito com cascas de frutas

Componentes de cascas de laranja e de abacate formaram a base do material desenvolvido pela estudante, que funcionava como uma substância superabsorvente e podia atuar como uma pequena reserva de umidade no solo.

Estudante criou polímero biodegradável com cascas de laranja e abacate para reter água no solo e venceu a Google Science Fair aos 16 anos.
Estudante criou polímero biodegradável com cascas de laranja e abacate para reter água no solo e venceu a Google Science Fair aos 16 anos.

Segundo a Scientific American, Kiara apresentou o polímero como algo que poderia ser “plantado” ao lado das culturas para criar “mini reservatórios de água no solo”.

Por trás da ideia de fácil compreensão, havia um método experimental baseado na pectina da casca de laranja, carboidrato conhecido por sua capacidade de absorção e usado como base para compor um pó retentor de água.

Na descrição da Scientific American, o processo passava por ferver cascas de laranja para obter um líquido rico em pectina, misturá-lo com pedaços secos de casca de laranja e pele de abacate, aquecer a composição e triturar o resultado.

Depois dessa etapa, a composição final ainda recebia mais cascas e peles antes dos testes no solo, em uma sequência pensada para chegar a um material biodegradável e capaz de armazenar água por mais tempo.

Solução barata contra a seca chamou atenção

Entre os dados divulgados pela Scientific American, o principal destaque foi a capacidade de absorção do polímero, apontado nos testes relatados como um material capaz de reter cerca de 300 vezes o próprio peso em água.

Com essa retenção, o solo tratado permanecia úmido por mais tempo, enquanto as plantas observadas nos experimentos cresciam mais altas, apresentavam melhor aparência e produziam mais flores, segundo os resultados descritos pela publicação.

A força da invenção estava na combinação entre baixo custo, biodegradação e reaproveitamento de resíduos, três fatores importantes em regiões onde a irrigação é limitada, cara ou insuficiente para proteger lavouras durante períodos secos.

Embora superabsorventes já sejam usados em diferentes áreas, inclusive na agricultura, muitos produtos comerciais dependem de polímeros sintéticos, enquanto o projeto de Kiara apostava em uma alternativa obtida de sobras de frutas.

A Scientific American informou que a invenção conquistou o prêmio principal da Google Science Fair em setembro de 2016, competição internacional voltada a estudantes interessados em resolver problemas reais por meio de ciência e tecnologia.

Também registrada pela publicação como co-patrocinadora da premiação, a competição ajudou a dar alcance internacional a uma pesquisa que aproximava química aplicada, sustentabilidade e segurança alimentar a partir de materiais comuns.

Da estiagem na África do Sul ao prêmio internacional

Estudante criou polímero biodegradável com cascas de laranja e abacate para reter água no solo e venceu a Google Science Fair aos 16 anos.
Estudante criou polímero biodegradável com cascas de laranja e abacate para reter água no solo e venceu a Google Science Fair aos 16 anos.

A origem da pesquisa veio da observação de notícias sobre agricultores afetados pela seca, quando Kiara percebeu que a escassez de água não era apenas um problema local, mas uma dificuldade com impacto em várias regiões do mundo.

A partir dessa percepção, a estudante passou a investigar uma forma de manter plantações hidratadas mesmo em períodos de pouca chuva, buscando uma resposta que pudesse ser testada sem depender de tecnologias inacessíveis ao produtor comum.

Ao partir de um cenário ligado à agricultura e à segurança alimentar, o projeto evitava tratar a seca como uma questão abstrata e apresentava uma solução compreensível para quem conhece o descarte diário de restos de alimentos.

Na divulgação da premiação, a Brand South Africa informou que Kiara era aluna do 11º ano da St Martin’s School, em Joanesburgo, e que sua solução usava cascas de laranja e abacate para aliviar efeitos da seca no país.

A entidade também registrou que o material atuava como retentor de água no solo, reforçando o caráter prático de uma pesquisa escolar construída a partir de observação, experimentação e preocupação com perdas agrícolas.

Ciência aplicada a resíduos orgânicos

Mais do que a idade da estudante, a repercussão da invenção veio da união entre uma pergunta simples e um problema ambiental urgente, com cascas descartadas sendo tratadas como matéria-prima para enfrentar a falta de água.

Nesse processo, o solo seco deixou de ser visto apenas como uma limitação agrícola e passou a ser tratado como um ambiente onde pequenos reservatórios temporários poderiam ajudar plantas a atravessar períodos de menor umidade.

O reconhecimento internacional também destacou o papel das feiras científicas na formação de jovens pesquisadores, especialmente quando inquietações provocadas por problemas reais se transformam em hipótese, experimento, teste e apresentação pública.

Ainda assim, a solução não foi apresentada como um produto industrial pronto para acabar com a seca, mas como uma demonstração do potencial de um material biodegradável e barato criado a partir de resíduos orgânicos.

A história continua chamando atenção porque reúne uma adolescente, ciência escolar, reaproveitamento de alimentos e um desafio presente em muitas áreas agrícolas, onde conservar água no solo pode fazer diferença para pequenos produtores.

Se cascas descartadas puderam inspirar uma alternativa para reter água no solo, quantas outras respostas ambientais ainda podem estar escondidas no lixo que passa despercebido?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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