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Enquanto a Europa busca alternativas ao gás russo e à energia solar saturada, IDOM conecta à rede elétrica espanhola um cilindro vertical de 42 metros equivalente a 14 andares que gera 30 kW de eletricidade apenas com o movimento das ondas no Mar Cantábrico

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 20/05/2026 às 11:45
Atualizado em 20/05/2026 às 11:47
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Enquanto a Europa busca alternativas ao gás russo e à energia solar saturada, a empresa basca IDOM conectou nesta semana à rede elétrica espanhola um cilindro vertical de 42 metros de altura, equivalente a um prédio de 14 andares, capaz de gerar 30 kW de eletricidade limpa apenas com o movimento das ondas do Mar Cantábrico, conforme reportagem do NewAtlas.

O dispositivo se chama MARMOK-A-5 e opera na Plataforma Biscay Marine Energy (BiMEP), a aproximadamente 4 quilômetros da costa de Bizkaia, no País Basco.

Apenas 5 metros do cilindro ficam acima da superfície. Os 37 metros restantes mergulham na água, em profundidade total de 80 a 90 metros.

A tecnologia é uma das versões mais avançadas do conceito “point absorber Oscillating Water Column” (OWC). O sistema usa o movimento vertical das ondas para comprimir e descomprimir ar em câmaras internas, e o fluxo aciona uma turbina geradora.

Como o cilindro de 42 metros captura energia das ondas

O MARMOK-A-5 opera com princípio físico simples mas exigente em engenharia. Conforme a IDOM, o cilindro flutua semi-submerso. Quando a onda sobe, o ar dentro da câmara é comprimido e empurrado para a turbina.

Quando a onda desce, o ar volta a entrar.

A turbina Wells, patenteada em 1976 por Alan Wells da Queen’s University Belfast, é a chave do sistema. Ela gera energia em ambos os sentidos do fluxo de ar, eliminando válvulas.

As pás giram sempre na mesma direção, independentemente da direção do vento dentro do duto.

De acordo com dados da BiMEP, a plataforma de teste basca tem 5,3 km² de área marítima homologada. Foi inaugurada em 2015 pela Ente Vasco de la Energía (EVE) e já recebeu 8 protótipos de energia das ondas de empresas espanholas, francesas e britânicas.

Em paralelo, o MARMOK-A-5 não é o primeiro absorvedor vertical no País Basco. Em 2011, a planta de Mutriku, embutida no quebra-mar do porto, entrou em operação com 296 kW.

Foi a primeira usina comercial de ondas do mundo conectada à rede.

Os números que distinguem o MARMOK-A-5 dos protótipos anteriores

O dispositivo de 2026 escala formato e funcionalidade. Conforme o NewAtlas, o cilindro tem 42 metros de altura total e 5 metros de diâmetro. Apenas 5 metros emergem da superfície.

A potência nominal é de 30 kW, distribuída em 2 geradores de 15 kW cada. Esse valor é cerca de 10 vezes menor do que a planta de Mutriku, mas o protótipo serve para validar o conceito de “point absorber” em mar aberto, sem precisar de quebra-mar como Mutriku.

De acordo com o programa EuropeWave, o orçamento total da iniciativa europeia chega a € 20 milhões (US$ 23 milhões).

O MARMOK-A-5 é um dos 5 protótipos financiados, ao lado de soluções da Mocean Energy (Escócia) e da CorPower Ocean (Suécia).

Sobretudo, a IDOM, com sede em Bilbao desde 1957, é uma das engenharias multidisciplinares mais antigas da Espanha. A empresa atua em 7 setores principais: arquitetura, engenharia industrial, energia, água, mineração, defesa e tecnologia da informação.

O quadro global em 2026 ultrapassa 4.500 funcionários.

Engenheiros inspecionam estrutura cilíndrica de aço para conversor de energia das ondas em estaleiro espanhol
Conjunto industrial do MARMOK-A-5: cilindro de 42 metros montado em estaleiro antes do reboque até a BiMEP. Imagem: divulgação IDOM.

Reveal técnico: a turbina Wells e o ciclo de ar bidirecional

Em segundo plano, a turbina Wells é o coração técnico do MARMOK-A-5. O design da turbina permite operar com fluxo de ar em qualquer direção, sem necessidade de válvulas mecânicas.

Conforme detalhes técnicos do projeto, a câmara superior do cilindro tem aproximadamente 18 m³ de volume. Quando a onda sobe a coluna de água interna comprime esse ar a até 1,2 bar de sobrepressão.

Quando desce, o ar é puxado de volta pela mesma turbina.

O ciclo se repete a cada 6 a 12 segundos no Mar Cantábrico, conforme o estado do mar. A turbina Wells convencional opera em rotações de 1.500 a 3.000 rpm, alimentando os 2 geradores síncronos de 15 kW.

Em paralelo, a eficiência de conversão do MARMOK-A-5 é de cerca de 20% a 30% segundo testes do EuropeWave. Esse valor é maior que parques eólicos offshore em águas rasas (~15%) e ligeiramente menor que painéis solares fotovoltaicos modernos (~22% celular eficiência).

O que o conectado à rede significa em 2026

A conexão à rede elétrica espanhola, anunciada em maio de 2026 pela IDOM, é um marco operacional. Conforme o NewAtlas, o cilindro foi “instalado e conectado à rede nesta semana”.

A próxima etapa é entrar em serviço operacional pleno.

De acordo com a Red Eléctrica de España, a Espanha gera atualmente cerca de 270 terawatts-hora (TWh) por ano de eletricidade.

A contribuição das ondas é menor que 0,01% do mix. O MARMOK-A-5 produz cerca de 70 a 100 MWh/ano em operação plena.

Em paralelo, a meta europeia é instalar 1 gigawatt (GW) de capacidade de energia das ondas até 2030. O cronograma da Comissão Europeia inclui plantas comerciais de 10 a 50 MW na próxima década.

O MARMOK-A-5 é o passo intermediário.

Sobretudo, a Comissão Europeia investiu € 250 milhões em energia das ondas e marés entre 2014 e 2024 via programas Horizon 2020 e Horizon Europe.

O orçamento previsto até 2030 chega a € 400 milhões adicionais.

Plataforma marítima BiMEP no País Basco com cilindro do MARMOK ancorado em alto-mar Cantábrico
BiMEP Bizkaia em alto-mar Cantábrico: cilindro do MARMOK-A-5 ancorado a 4 km da costa em profundidade entre 80 e 90 metros. Imagem: divulgação BiMEP.

Reveal humano: a equipe Oceantec e o spin-off IDOM

A face humana do projeto é a equipe da Oceantec Energías Marinas, spin-off da IDOM dedicada exclusivamente à energia das ondas e marés.

A empresa foi fundada em Bilbao em 2008 com aporte inicial da IDOM e da Iberdrola.

Conforme cobertura da imprensa basca, a equipe técnica do MARMOK-A-5 reúne 15 engenheiros especializados em hidrodinâmica, eletrônica de potência e materiais marítimos.

O CEO da Oceantec é Pedro Mayorga, engenheiro naval com 22 anos de carreira em energia marítima.

Em paralelo, o projeto reúne 4 instituições além da IDOM. Tecnalia (centro tecnológico basco), Universidade do País Basco (UPV/EHU), Plocan (laboratório oceanográfico das Canárias) e Royal Belgian Institute of Natural Sciences.

O esforço dura desde 2015.

Por outro lado, a IDOM atua hoje em mais de 50 países. Em 2026, a engenharia tem contratos ativos em projetos de transmissão elétrica no Brasil com a CCEE e a EPE.

A entrada no mercado de energia das ondas pode escalar internacionalmente até 2030.

Como o setor de energia das ondas se compara ao offshore wind

O mercado global de energia das ondas movimentou cerca de US$ 2 bilhões em 2025 conforme a Agência Internacional de Energia.

O número é apenas 2% do mercado de energia eólica offshore, que chegou a US$ 95 bilhões no mesmo ano.

Por outro lado, os custos por MWh ainda são altos. A energia das ondas custa entre US$ 280 e US$ 400 por megawatt-hora.

A eólica offshore caiu para US$ 70 a US$ 85 por MWh, conforme dados da Bloomberg New Energy Finance.

De acordo com a Agência Internacional de Energia, o potencial técnico mundial de energia das ondas chega a 32.000 TWh/ano.

Isso seria 116% do consumo elétrico global em 2024. O obstáculo principal é técnico: dispositivos precisam sobreviver a tempestades extremas.

Em paralelo, países pioneiros são Reino Unido, Portugal, Espanha, Noruega e Austrália. O Brasil tem potencial significativo no litoral nordeste e sul, mas ainda não tem plantas comerciais.

A primeira pesquisa nacional foi feita pela COPPE-UFRJ no Pecém em 2012, com 50 kW.

Visão técnica em corte do conversor de energia das ondas mostrando câmara interna de ar e turbina
Corte técnico do MARMOK-A-5: 18 m³ de câmara de ar comprimido aciona turbina Wells bidirecional. Imagem: divulgação Oceantec.

Reveal futuro: a próxima fase comercial em 2028

O próximo passo previsto pela IDOM e pela Oceantec é o MARMOK-Comercial. O design prevê potência de 250 kW a 500 kW por unidade, escalado em fazendas de 10 a 40 cilindros.

Em paralelo, o cronograma público da empresa coloca a operação comercial em 2028 ou 2029. A localização preferencial é a costa norte da Espanha, com possível expansão para Portugal, Reino Unido e França.

O custo inicial do MARMOK-Comercial deve ficar próximo de € 8 milhões por unidade de 500 kW.

Conforme o programa EuropeWave, a fase 2 do investimento europeu prevê plantas comerciais funcionais até 2030. O alvo é demonstrar competitividade econômica com offshore wind até 2035.

Vale lembrar a cobertura de transformações setoriais comparáveis em outros setores.

  • Dispositivo: MARMOK-A-5 da IDOM (Bilbao)
  • Altura total: 42 metros (equivalente a 14 andares)
  • Diâmetro: 5 metros
  • Acima da superfície: apenas 5 metros
  • Potência nominal: 30 kW (2 geradores de 15 kW)
  • Tecnologia: point absorber Oscillating Water Column com turbina Wells
  • Localização: BiMEP, 4 km da costa de Bizkaia
  • Programa: EuropeWave (€ 20 milhões / 5 protótipos)
Conjunto de cilindros do MARMOK em fazenda comercial visualizado em alto-mar com ondas batendo
Versão comercial planejada do MARMOK reúne 10 a 40 cilindros em fazendas offshore. Imagem: divulgação Oceantec.

Os pontos que ainda dependem de prova operacional

Apesar da conexão à rede, 3 frentes ainda dependem de prova operacional. A sobrevivência a tempestades severas é a primeira. O Mar Cantábrico registra ondas de até 15 metros em invernos rigorosos.

Por outro lado, a manutenção offshore é complexa e cara. Cada intervenção precisa de embarcação especializada e janela meteorológica boa. Por fim, a integração com a rede em fazendas maiores exige cabos submarinos e subestações offshore, custo que ainda inviabiliza projetos comerciais imediatos.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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