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Marinha alerta para risco de paralisação do primeiro submarino de propulsão nuclear do Brasil sem novo aporte de R$ 1 bilhão em 2026

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Escrito por Ruth Rodrigues Publicado em 17/03/2026 às 15:44
A Marinha afirma que o projeto do submarino de propulsão nuclear do Brasil pode sofrer paralisação parcial se não receber novo aporte de R$ 1 bilhão em 2026.
A Marinha afirma que o projeto do submarino de propulsão nuclear do Brasil pode sofrer paralisação parcial se não receber novo aporte de R$ 1 bilhão em 2026.
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A Marinha afirma que o projeto do submarino de propulsão nuclear do Brasil pode sofrer paralisação parcial se não receber novo aporte de R$ 1 bilhão em 2026.

O projeto que pretende colocar em operação o primeiro submarino de propulsão nuclear do Brasil pode enfrentar atrasos caso não receba um novo reforço financeiro em 2026. De acordo com a Marinha do Brasil, seria necessário um aporte de aproximadamente R$ 1 bilhão para manter o ritmo atual das atividades ligadas ao Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub).

A iniciativa é responsável pela construção do submarino nuclear Álvaro Alberto, considerado um dos projetos estratégicos da defesa brasileira.

Sem esse recurso adicional, existe a possibilidade de paralisação parcial de etapas importantes do programa.

Debate sobre defesa reforça importância do projeto

A necessidade de ampliar a capacidade militar brasileira tem sido discutida com mais intensidade nos últimos meses.

Em março de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o país precisa reforçar suas estruturas de defesa para evitar ameaças externas.

Dentro desse cenário, os comandantes das três Forças Armadas apresentaram ao governo um plano de modernização que prevê cerca de R$ 800 bilhões em investimentos ao longo de 15 anos.

Entre os projetos considerados prioritários está justamente o submarino de propulsão nuclear da Marinha, visto como peça central para ampliar a capacidade estratégica do país no mar.

Projeto nasceu há décadas e ganhou impulso em 2008

A iniciativa de desenvolver um submarino de propulsão nuclear brasileiro não é recente. Os primeiros esforços da Marinha para dominar o ciclo do combustível nuclear começaram ainda na década de 1970.

No entanto, o projeto ganhou nova dimensão em 2008, quando foi criado o Prosub em parceria com a França.

O programa passou a incluir não apenas a construção de submarinos convencionais, mas também o desenvolvimento da tecnologia necessária para um submarino movido a energia nuclear.

Desde então, o Brasil vem estruturando infraestrutura industrial, tecnológica e científica voltada para esse objetivo.

Frota submarina já começou a ser modernizada

Embora o foco atual da Marinha seja a construção do submarino de propulsão nuclear, o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) já começou a apresentar resultados práticos com a incorporação de novas embarcações convencionais à frota brasileira.

Entre os submarinos desenvolvidos dentro do programa, dois já entraram oficialmente em operação na força naval: Riachuelo e Humaitá.

Essas embarcações representam as primeiras entregas do projeto e já participam das atividades da Marinha.

Além deles, outros dois modelos ainda estão na etapa final de testes e preparação antes da plena operação.

São os submarinos Tonelero e Almirante Karam, que fazem parte da mesma classe construída dentro do Prosub.

Esses submarinos convencionais marcam a fase inicial do programa e ajudam a preparar a estrutura técnica e operacional da Marinha para o próximo passo do projeto: a futura entrada em serviço do submarino de propulsão nuclear, considerado o maior salto tecnológico da iniciativa.

Tecnologia nuclear garante maior autonomia ao submarino

O principal diferencial do submarino de propulsão nuclear está no sistema de geração de energia.

Ao utilizar um reator nuclear, a embarcação pode permanecer submersa por períodos muito mais longos do que submarinos convencionais.

Além disso, o sistema permite maior velocidade e autonomia praticamente ilimitada. A embarcação também consegue produzir oxigênio e água potável durante as missões, reduzindo a necessidade de emergir.

Essas características tornam o submarino nuclear uma ferramenta estratégica para patrulhar grandes áreas marítimas e reforçar a presença militar do país em regiões sensíveis.

Recursos liberados anteriormente já foram utilizados

Para evitar a interrupção do programa, o governo liberou no final de 2025 um crédito suplementar que antecipou cerca de R$ 1 bilhão para o projeto.

Esse valor fazia parte de um pacote maior de R$ 30 bilhões destinado às Forças Armadas, aprovado fora do arcabouço fiscal.

Os recursos foram usados principalmente para manter contratos internacionais e evitar a paralisação de atividades essenciais.

Entre esses acordos estão parcerias com a empresa francesa Naval Group, responsável por parte da transferência de tecnologia utilizada no programa.

Mesmo com esse aporte, grande parte dos recursos já foi utilizada, restando cerca de R$ 890 milhões disponíveis para todo o exercício de 2026.

Laboratório nuclear é etapa essencial do desenvolvimento

Uma das estruturas mais importantes do projeto é o Labgene, o Laboratório de Geração Nucleoelétrica.

A instalação fica no Centro Experimental Aramar, onde está sendo desenvolvido o protótipo em terra do reator nuclear que equipará o submarino de propulsão nuclear.

Esse tipo de teste é considerado indispensável no desenvolvimento de submarinos nucleares.

Todos os países que dominam essa tecnologia passaram por etapas semelhantes antes de instalar reatores em embarcações operacionais.

Obras em base naval também podem sofrer impacto

Outra frente importante do projeto está localizada em Itaguaí, onde a Marinha constrói a infraestrutura necessária para operar o submarino nuclear.

No local estão sendo preparados sistemas de apoio e um dique seco especial que será utilizado no processo de carregamento do combustível nuclear da embarcação.

Caso as obras sejam interrompidas por falta de recursos, a paralisação pode gerar custos adicionais significativos.

Isso porque a desmobilização de estruturas e equipamentos de construção exigiria novos investimentos no futuro para retomar as atividades.

Paralisação pode gerar perda de profissionais especializados

Outro risco apontado pela Marinha envolve a possível perda de mão de obra altamente qualificada.

O projeto do submarino de propulsão nuclear mobiliza engenheiros, físicos nucleares e especialistas em tecnologia naval.

Caso o programa enfrente interrupções prolongadas, parte desses profissionais pode migrar para outros setores da indústria.

Segundo militares envolvidos no projeto, reconstruir posteriormente essa equipe técnica poderia levar anos e comprometer ainda mais o cronograma.

Marinha defende novo aporte para manter o programa

Diante desse cenário, a Marinha do Brasil considera o reforço financeiro de R$ 1 bilhão em 2026 essencial para evitar interrupções imediatas no desenvolvimento do submarino de propulsão nuclear.

Apesar disso, especialistas militares indicam que o investimento ideal para manter o avanço contínuo do projeto estaria entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões por ano.

A continuidade do programa agora depende das decisões orçamentárias do governo federal e das prioridades definidas para os investimentos em defesa nos próximos anos.

Fonte: Poder360

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Ruth Rodrigues

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.

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