UFMA e Codevasf impulsionam a bioeconomia no Maranhão com tecnologia para transformar resíduos de pescado em novos produtos e gerar renda.
O Maranhão deu um passo importante na valorização da cadeia produtiva da pesca com a inauguração da Unidade de Manufatura Contratada de Pescado e Bioinsumos, instalada na Cidade Universitária Dom Delgado, em São Luís. A iniciativa é resultado de uma parceria entre a Codevasf e a UFMA, com investimento de R$ 1 milhão voltado ao desenvolvimento de tecnologias para o aproveitamento sustentável dos resíduos de pescado.
Segundo informações da Codevasf no dia 28 de maio de 2026, além da nova unidade, foi inaugurado o Open Lab de Biotecnologia da UFMA, espaço destinado à pesquisa, inovação e transferência tecnológica. O projeto busca transformar materiais que antes eram descartados em produtos de alto valor agregado, fortalecendo a bioeconomia, a economia circular e criando novas oportunidades econômicas para comunidades ligadas à pesca e à aquicultura.
A cerimônia contou com a presença do ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araujo, do reitor da UFMA, Fernando Carvalho Silva, do superintendente regional da Codevasf no Maranhão, Clóvis Paz, além de pesquisadores e representantes da comunidade acadêmica.
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Parceria entre Codevasf e UFMA impulsiona inovação na pesca maranhense
A criação da nova unidade faz parte do projeto “Desenvolvimento de Unidade Piloto de Produção e Certificação de Bioativos da Amazônia Maranhense”, executado por meio de um Termo de Execução Descentralizada firmado entre a Codevasf e a UFMA.
A proposta vai além da pesquisa científica. O objetivo é criar soluções capazes de gerar impacto econômico real para o Maranhão, promovendo a transferência de tecnologia e incentivando a criação de novos produtos a partir dos resíduos de pescado.
A iniciativa também fortalece a integração entre universidades, setor produtivo e poder público, um modelo considerado fundamental para acelerar a inovação regional.
Maranhão aposta na bioeconomia para transformar desperdício em oportunidade
Segundo dados apresentados pela UFMA, até 70% do pescado processado pode se transformar em resíduos de pescado. Em muitos casos, esses materiais acabam descartados sem aproveitamento econômico adequado.
Com a nova estrutura, o cenário começa a mudar. O projeto busca utilizar esses resíduos como matéria-prima para a produção de bioativos e outros insumos destinados a setores industriais de alto valor agregado.
A estratégia está alinhada aos princípios da bioeconomia, área que utiliza recursos biológicos para gerar produtos, tecnologias e soluções sustentáveis.
Entre os materiais reaproveitados estão:
- Cabeças;
- Peles;
- Ossos;
- Escamas;
- Vísceras;
- Bexigas natatórias.
O aproveitamento integral desses componentes reduz desperdícios e amplia as possibilidades de geração de renda para a cadeia produtiva.
Resíduos de pescado podem abastecer indústrias de alta tecnologia
O potencial econômico dos resíduos de pescado vai muito além do que muitas pessoas imaginam. A partir desses materiais é possível extrair substâncias utilizadas em diversos segmentos industriais.
Entre os principais produtos estão:
- Colágeno;
- Ácido hialurônico;
- Hidroxiapatita;
- Óleos ricos em ácidos graxos essenciais;
- Compostos bioativos para aplicações farmacêuticas;
- Ingredientes para cosméticos;
- Materiais utilizados na área biomédica.
Esses insumos possuem ampla demanda nos mercados nacional e internacional, especialmente em setores ligados à saúde, beleza e tecnologia.
A produção desses compostos dentro do Maranhão pode contribuir para aumentar a competitividade regional e agregar valor à atividade pesqueira.
Open Lab da UFMA amplia pesquisas e transferência tecnológica
A inauguração do Open Lab de Biotecnologia representa outro avanço importante para a UFMA. O espaço foi desenvolvido dentro do conceito de laboratório aberto, permitindo o compartilhamento de infraestrutura entre pesquisadores, estudantes, empresas e instituições parceiras.
A estrutura oferece equipamentos modernos, suporte técnico especializado e ambiente adequado para pesquisas voltadas ao desenvolvimento de bioativos, bioprocessos e soluções inovadoras.
A expectativa é que o laboratório funcione como um centro de inovação capaz de acelerar a transformação de pesquisas científicas em aplicações práticas para o mercado.
Além disso, a iniciativa fortalece o papel da UFMA como referência regional em pesquisas ligadas à bioeconomia e ao aproveitamento sustentável dos recursos naturais.
Economia circular ganha força na cadeia produtiva do Maranhão
O projeto também se destaca por sua forte conexão com os princípios da economia circular. Diferentemente do modelo tradicional de produção, que termina no descarte, a economia circular busca manter os recursos em uso pelo maior tempo possível.
Na prática, isso significa que os resíduos de pescado deixam de ser um problema ambiental para se tornarem matéria-prima para novos produtos.
Os benefícios incluem:
- Redução do descarte inadequado;
- Menor impacto ambiental;
- Aproveitamento integral da produção;
- Criação de novas fontes de receita;
- Fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis.
Segundo representantes da Codevasf, a proposta também está alinhada às diretrizes da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que incentiva soluções voltadas ao reaproveitamento de materiais.
Bexiga natatória revela potencial bilionário do aproveitamento sustentável
Entre todos os subprodutos da pesca, a bexiga natatória, conhecida popularmente como “grude”, chama atenção pelo elevado valor agregado.
Dados do ComexStat mostram que o Brasil exportou aproximadamente 637 toneladas desse produto em 2020, gerando receita estimada em R$ 2,13 bilhões.
Grande parte da demanda vem de mercados asiáticos, especialmente China e Hong Kong. Nesses países, a bexiga natatória possui aplicações gastronômicas e também é utilizada na medicina tradicional chinesa.
O exemplo demonstra como materiais frequentemente descartados podem se transformar em produtos altamente valorizados quando associados à tecnologia, pesquisa e inovação.
Codevasf leva tecnologia e capacitação para comunidades produtivas
Outro diferencial da iniciativa é a preocupação com a transferência de conhecimento para quem está diretamente envolvido na produção.
O projeto prevê ações voltadas para cooperativas, associações, produtores, empresas privadas e demais integrantes da cadeia pesqueira. A meta é disseminar tecnologias capazes de ampliar o aproveitamento dos resíduos de pescado e melhorar a rentabilidade da atividade.
O gerente regional de Revitalização e Desenvolvimento Territorial da Codevasf, Adenilson Oliveira, destacou durante a apresentação do projeto a importância de levar inovação para as comunidades produtivas e estimular práticas mais sustentáveis.
Essa conexão entre pesquisa científica e setor produtivo é considerada essencial para ampliar os resultados econômicos da iniciativa.
Um novo horizonte para a pesca, a bioeconomia e o desenvolvimento regional
A parceria entre Codevasf e UFMA coloca o Maranhão em posição estratégica dentro das discussões sobre inovação sustentável no Brasil. Com investimento de R$ 1 milhão, a nova unidade e o Open Lab de Biotecnologia criam as bases para um modelo de desenvolvimento que une ciência, tecnologia e geração de oportunidades.
Ao transformar resíduos de pescado em produtos de alto valor agregado, o estado fortalece a bioeconomia, amplia a economia circular e reduz impactos ambientais. Mais do que uma iniciativa acadêmica, o projeto representa uma oportunidade concreta de crescimento para pescadores, aquicultores, cooperativas e empresas que atuam na cadeia produtiva do pescado.
O resultado esperado é a criação de uma nova dinâmica econômica capaz de gerar renda, inovação e desenvolvimento sustentável para o Maranhão nos próximos anos.
Com informações de Codevasf.

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