Início Máquina produtora de hidrogênio verde a partir de etanol ou água será instalada na Universidade de São Paulo (USP)

Máquina produtora de hidrogênio verde a partir de etanol ou água será instalada na Universidade de São Paulo (USP)

3 de maio de 2022 às 11:15
Compartilhe
Siga-nos no Google News
hidrogênio verde - USP - Universidade-de-São-Paulo - etanol
Em questão de seis meses, uma máquina produtora do futuro combustível será instalada na Universidade de São Paulo (USP), afirma cientista – imagem: H2Energy/Reprodução




Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) instalarão uma máquina produtora de hidrogênio verde que utilizará etanol como matéria-prima e produzirá combustível para três ônibus na universidade

Com o aquecimento global preocupando a todos, o hidrogênio verde entra como uma possível solução energética, assim como outras fontes de energia renovável, como energia solar, eólica, biomassa e outras. O combustível do futuro não é encontrado em grandes quantidades na natureza, tendo que ser produzido por meio de tecnologia, fazendo com que pesquisadores de diversos setores e empresas de energia atuem em conjunto em busca do combustível. O destaque de hoje vai para a Cidade Universitária da Universidade de São Paulo (USP), que anunciou nesta segunda-feira (2) que receberá dentro de alguns meses uma máquina produtora de hidrogênio verde movido a etanol.

Iniciativa na USP visa produzir hidrogênio verde a partir de etanol ou água

De acordo com Marcos Buckeridge, cientista referência no setor de bioenergia e um dos coordenadores do Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa, em cerca de seis meses a máquina produtora de hidrogênio verde será instalada próximo à raia olímpica.

Artigos recomendados

Buckeridge afirma que essa é a primeira parte do planejamento e, logo depois, serão preparados três ônibus da USP que serão abastecidos com o combustível renovável. O pesquisador da universidade ressalta ainda que a grande inovação da iniciativa é que o etanol será a matéria-prima utilizada para a obtenção do combustível, que movimentará os ônibus pelo campus da Cidade Universitária, no Butantã, zona oeste paulistana.

A trilha tecnológica desenvolvida na USP pode ser considerada pioneira no mundo todo, pois é uma pesquisa que compõe uma iniciativa maior. Uma das principais missões do centro é zerar as emissões da cadeia produtora de cana-de-açúcar ou até torná-la negativa em questão das emissões. Tanto do ponto de vista científico quanto tecnológico, o hidrogênio só é verde quando a matéria-prima utilizada no início do processo é gerada por uma fonte renovável ou biomassa, como é o caso do etanol. Diversos veículos de várias partes do mundo já utilizam o hidrogênio, mas são combustíveis produzidos com uso de gás natural.

Além do etanol, hidrogênio verde pode ser produzido utilizando apenas água

Outro meio de produção do combustível do futuro é a partir da água. No Brasil, a empresa EDP Brasil planeja abrir sua primeira planta de produção de hidrogênio verde por meio da quebra da água no estado do Ceará até o fim do ano.

Segundo Buckeridge, no caso da máquina produtora de hidrogênio com etanol da USP, ainda há muito desenvolvimento científico a ser feito. O pesquisador explica que, na verdade, o equipamento é um reformador de etanol, que entra de um lado e sai como hidrogênio do outro. Entretanto, no meio do caminho, é necessário controlar bem todas as reações químicas do processo, além da escolha dos elementos químicos certos para que as reações catalíticas aconteçam de forma eficiente e precisa. 

Máquina produtora de hidrogênio também produzirá monóxido de carbono

No caso da máquina produtora de hidrogênio, as reações ainda devem produzir monóxido de carbono, que não pode ser lançado diretamente na atmosfera. De acordo com Buckeridge, a USP planeja utilizar esse monóxido de carbono nas hortas, tendo em vista que os vegetais processam o carbono pela fotossíntese.

No caso do carbono gerado pela máquina, outra linha de pesquisa dos cientistas da USP mostra que é possível enterrá-lo em áreas próximas das usinas a até 4km de profundidade. Assim, o carbono reagirá com outras substâncias e ficará inerte. Com isso, a cadeia da cana poderá até ficar com emissões negativas no Brasil.

Fonte: Nova Cana


Relacionados
Mais recentes