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Tempo de leitura 5 min de leitura Comentários 3 comentários

Mais de 220 indústrias brasileiras já fugiram em direção ao Paraguai e ninguém parece estar prestando atenção, o pequeno vizinho cresce três vezes mais rápido que o Brasil e atrai bilhões em investimentos estrangeiros enquanto o gigante sul-americano fica parado

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 25/05/2026 às 00:28
Atualizado em 25/05/2026 às 00:30
Assista o vídeo223 indústrias brasileiras já operam no Paraguai sob a Lei de Maquila. Impostos de 10% e crescimento de 6,6% atraem fábricas que fogem do custo Brasil.
223 indústrias brasileiras já operam no Paraguai sob a Lei de Maquila. Impostos de 10% e crescimento de 6,6% atraem fábricas que fogem do custo Brasil.
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Das 332 indústrias registradas sob o regime de maquila no Paraguai em 2024, 223 são indústrias brasileiras, o que representa 69% do total. O Paraguai cresceu 6,6% em 2025, contra 2,3% do Brasil, e conquistou grau de investimento pela Moody’s e pela Standard and Poor’s. Os impostos sobre a renda no Paraguai são de 10%, contra 34% no Brasil, e a energia elétrica industrial custa três vezes menos. A Lupo, fabricante centenária de meias, abriu fábrica em Ciudad del Este e já opera com custos 28% menores do que no Brasil.

As indústrias brasileiras estão abrindo fábricas no Paraguai em um ritmo que deveria preocupar qualquer formulador de política econômica em Brasília. Dos 332 empreendimentos industriais registrados sob a Lei de Maquila paraguaia em 2024, 223 são de origem brasileira, representando 69% de toda a base industrial estrangeira do país. O movimento não é de agora: a Lei de Maquila existe desde 1997, mas o crescimento acelerado da migração nos últimos anos coincide com o aumento dos impostos brasileiros e com a percepção crescente de que produzir no Brasil custa caro demais para competir globalmente.

O caso mais emblemático é o da Lupo, fabricante de meias com 104 anos de história fundada em Araraquara, São Paulo. A empresa abriu em 2025 uma fábrica em Ciudad del Este, no Paraguai, com investimento de R$ 30 milhões e 110 funcionários, capacidade para produzir 20 milhões de pares de meias por ano. A CEO Liliana Aufiero declarou que a operação paraguaia custa 28% menos do que a brasileira e que as meias produzidas no Paraguai já são competitivas com as fabricadas na China. A Lupo não fechou suas cinco fábricas no Brasil, onde mantém cerca de 9 mil funcionários, mas a decisão de expandir para o Paraguai em vez de ampliar a produção nacional envia um sinal claro sobre o ambiente de negócios brasileiro.

Por que o Paraguai atrai indústrias brasileiras

A resposta está nos números. O Paraguai cobra 10% de imposto sobre a renda das pessoas jurídicas e 10% de IVA, contra 34% de carga tributária corporativa no Brasil mais impostos sobre consumo que elevam a carga total a quase 40% do PIB. Sob o regime de maquila, as indústrias brasileiras importam insumos sem pagar impostos de importação e ao exportar pagam apenas 1% sobre o valor agregado.

A energia elétrica industrial no Paraguai custa 5 centavos de dólar por quilowatt-hora, contra 16 centavos no Brasil, uma diferença de três vezes. O país não tem sindicatos obrigatórios, a semana de trabalho é de 48 horas e a legislação trabalhista permite negociação direta entre empregador e empregado. Para indústrias brasileiras que competem com produtos chineses e asiáticos, a combinação de impostos baixos, energia barata e flexibilidade trabalhista é difícil de ignorar.

O crescimento que envergonha o vizinho maior

O Paraguai registrou crescimento de 6,6% em 2025, enquanto o Brasil ficou em 2,3%. Em 2026, a expectativa é de crescimento de 4,2% para o Paraguai e projeções mais modestas para o Brasil. O investimento estrangeiro direto acumulado no Paraguai soma 10 bilhões de dólares, o equivalente a 20% do PIB de 50 bilhões, proporção que supera a maioria dos países da região.

As indústrias brasileiras que se instalam no Paraguai não estão apenas fugindo de impostos: estão buscando um ambiente macroeconômico estável. O país conquistou grau de investimento pela Moody’s em 2024 e pela Standard and Poor’s em 2025, credenciais que o Brasil perdeu durante o governo Dilma e que, segundo as próprias agências, dificilmente será reconquistado sem ajuste fiscal. As reservas internacionais paraguaias de 11,7 bilhões de dólares representam cerca de 23% do PIB, contra aproximadamente 3% no caso brasileiro.

A Lei de Maquila que funciona desde 1997

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A Lei de Maquila não é uma invenção recente nem uma reação à crise brasileira. Foi criada em 1997 com o objetivo de atrair indústrias estrangeiras para produzir no Paraguai usando insumos importados sem tributação e exportar o produto final com carga mínima de 1%. O modelo transformou o Paraguai em um hub de manufatura para empresas de todo o mundo, atraindo inicialmente japoneses e europeus e, nos últimos anos, uma avalanche de indústrias brasileiras.

O regime permite que as indústrias brasileiras importem matérias-primas, componentes e equipamentos sem pagar nenhum imposto de importação. A produção é exportada com tributação de apenas 1% sobre o valor agregado. A nova Lei 6.090 ampliou os incentivos com zero de IVA para produção interna. O resultado é uma cadeia produtiva que opera com custos que o Brasil não consegue igualar sem uma reforma tributária que reduza a carga sobre a indústria.

O que o Paraguai tem que o Brasil não oferece

Além dos impostos e da energia, o Paraguai oferece vantagens estruturais que atraem indústrias brasileiras. A idade média da população é de 29 anos, com 70% dos paraguaios abaixo dos 40 anos, contra uma demografia brasileira que já é negativa, com 1,6 filhos por mulher. Isso significa mão de obra jovem e abundante em idade produtiva.

O Ministro da Indústria e Comércio, Marco Riquelme, de 39 anos e oriundo da iniciativa privada, declarou em encontro com empresários brasileiros que “no Paraguai, o governo é amigo do empreendedor e incentiva a ganhar dinheiro”. A frase reflete uma filosofia oposta à brasileira, onde a relação entre estado e setor produtivo é frequentemente marcada por desconfiança, burocracia e tributação punitiva. A posição geográfica do Paraguai como hub central entre Brasil, Argentina, Bolívia e Uruguai, combinada com a futura rodovia bioceânica que ligará o país ao Chile e ao Pacífico, adiciona uma vantagem logística crescente.

O que acontece com o Brasil que fica para trás

A saída de indústrias brasileiras para o Paraguai não é apenas uma perda de produção: é uma perda de empregos, de arrecadação e de competitividade. Cada fábrica que abre em Ciudad del Este em vez de ampliar operações em São Paulo, Minas Gerais ou Santa Catarina é um investimento que o Brasil perdeu não por falta de mercado ou de mão de obra, mas por excesso de impostos, energia cara e burocracia paralisante.

O Brasil ocupa posição inferior ao Paraguai, Uruguai e Chile nos rankings de clima de negócios do Departamento de Estado americano. A carga tributária próxima de 40% do PIB e a complexidade regulatória tornam a produção industrial brasileira menos competitiva a cada ano. As 223 indústrias brasileiras que já operam no Paraguai são o sintoma mais visível de um problema que vai além de política econômica: é uma questão de modelo de país.

Você acha que o Brasil está perdendo indústrias para o Paraguai por causa dos impostos ou existem outros fatores? Faria sentido o Brasil copiar o modelo de maquila paraguaio ou o país precisa de uma solução própria? Conta nos comentários.

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Valdomiro Bergamini
Valdomiro Bergamini
02/06/2026 15:02

Um país que prima pela corrupção não tem um modelo próprio de desenvolvimento. Aliás desenvolvimento é que menos importa para esse “governo”. Em 2027 teremos um gigantesco aumento de impostos no Brasil, o que vai inviabilizar todo e qualquer investimento produtivo em nosso país. O desemprego chegará como como um ciclone, e acabará de vez com a chance de crescimento.

João Carlos Pedroso Keche
João Carlos Pedroso Keche
28/05/2026 08:25

O Brasil precisa de um governo sério e honesto.

Antimortadela!
Antimortadela!
25/05/2026 01:06

O LADRÃO voltou para se VINGAR e DESTRUIR o Brasil!!!
E precisa de mais QUATRO ANOS pra isso!!!

Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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