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Maior rede de radiotelescópios do planeta invade o coração da Via Láctea e revela região de 650 anos-luz cheia de gás, poeira e estrelas gigantes

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 25/02/2026 às 14:43
A zona molecular central e sua localização na Via Láctea.(Crédito da imagem: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/S. Longmore et al. Estrelas no detalhe: ESO/D. Minniti et al. Via Láctea: ESO/S. Guisard)
A zona molecular central e sua localização na Via Láctea.(Crédito da imagem: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/S. Longmore et al. Estrelas no detalhe: ESO/D. Minniti et al. Via Láctea: ESO/S. Guisard)
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Com 66 antenas instaladas no Deserto do Atacama, no Chile, os radiotelescópios do ALMA produziram a maior imagem já registrada da Zona Molecular Central, região de 650 anos-luz no coração da Via Láctea, revelando gás frio, dezenas de moléculas e áreas de formação estelar próximas a Sagitário A

Utilizando o maior conjunto de radiotelescópios do mundo, o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array, o ALMA, astrônomos mapearam em detalhe a Zona Molecular Central com 650 anos-luz de diâmetro, produzindo a maior imagem já obtida pelo instrumento com radiotelescópios.

Radiotelescópios revelam gás frio na Zona Molecular Central com precisão inédita

A imagem da Zona Molecular Central representa a primeira vez que o gás frio dessa região foi totalmente explorado em grande detalhe. A área, com 650 anos-luz de diâmetro, fica no coração da Via Láctea e abriga o buraco negro supermassivo Sagitário A.

Segundo a equipe, trata-se da maior imagem já capturada pelo ALMA. O levantamento deverá auxiliar os cientistas a investigar como as estrelas nascem e morrem no ambiente extremo ao redor de Sagitário A, localizado no centro galáctico.

Ashley Barnes, membro do Observatório Europeu do Sul, afirmou que o local é invisível aos olhos humanos, mas agora foi revelado com detalhes extraordinários. Ela destacou que é o único núcleo galáctico próximo o suficiente da Terra para estudo com tamanha precisão.

Estrutura extrema da CMZ desafia modelos e amplia uso de radiotelescópios

A Zona de Convergência Central é formada por uma intrincada rede de gás denso e frio que flui ao longo de filamentos. Esses filamentos frequentemente colapsam em aglomerados capazes de formar estrelas.

Embora esse processo também ocorra na borda da galáxia, ele é descrito como muito mais extremo na CMZ. A região concentra condições intensas que influenciam diretamente os ciclos de formação e morte estelar.

De acordo com Steve Longmore, líder do ACES e pesquisador da Universidade John Moores, a CMZ abriga algumas das estrelas mais massivas conhecidas na galáxia. Muitas possuem vida curta e morrem jovens, encerrando o ciclo em supernovas e até hipernovas.

Levantamento ACES com radiotelescópios identifica dezenas de moléculas

Como parte do ALMA CMZ Exploration Survey, o ACES, a equipe determinou a composição química do gás molecular. Foram detectadas dezenas de moléculas diferentes.

Entre elas estão moléculas orgânicas complexas, como metanol e etanol, além de moléculas simples, como monóxido de silício. A identificação amplia a compreensão sobre os componentes do ambiente central galáctico.

Longmore afirmou que estudar como as estrelas nascem na CMZ também permite obter uma visão mais clara de como as galáxias cresceram e evoluíram. Ele acrescentou que a região compartilha características com galáxias do universo primitivo.

Radiotelescópios do ALMA formam mosaico com 66 antenas no Deserto do Atacama

A Zona de Modulação Central tem tamanho aproximado equivalente a três luas cheias no céu noturno. Nem mesmo o ALMA, composto por 66 antenas espalhadas pelo Deserto do Atacama, conseguiu capturá-la integralmente de uma só vez.

A imagem final foi composta a partir de observações individuais menores, formando um grande mosaico. Representa a maior área já observada pelo ALMA até o momento.

Katharina Immer, astrônoma do ALMA, declarou que a equipe previa alto nível de detalhe ao projetar o levantamento. Contudo, afirmou ter ficado genuinamente surpreendida com a complexidade e a riqueza reveladas no resultado final.

A pesquisa do ACES foi publicada na quarta-feira, 25 de fevereiro, no periódico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. Para os cientistas, este é apens o começo de novas investigações sobre a região central da galáxia, ampliando o papel dos radiotelescópios no estudo do cosmos.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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