Com 66 antenas instaladas no Deserto do Atacama, no Chile, os radiotelescópios do ALMA produziram a maior imagem já registrada da Zona Molecular Central, região de 650 anos-luz no coração da Via Láctea, revelando gás frio, dezenas de moléculas e áreas de formação estelar próximas a Sagitário A
Utilizando o maior conjunto de radiotelescópios do mundo, o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array, o ALMA, astrônomos mapearam em detalhe a Zona Molecular Central com 650 anos-luz de diâmetro, produzindo a maior imagem já obtida pelo instrumento com radiotelescópios.
Radiotelescópios revelam gás frio na Zona Molecular Central com precisão inédita
A imagem da Zona Molecular Central representa a primeira vez que o gás frio dessa região foi totalmente explorado em grande detalhe. A área, com 650 anos-luz de diâmetro, fica no coração da Via Láctea e abriga o buraco negro supermassivo Sagitário A.
Segundo a equipe, trata-se da maior imagem já capturada pelo ALMA. O levantamento deverá auxiliar os cientistas a investigar como as estrelas nascem e morrem no ambiente extremo ao redor de Sagitário A, localizado no centro galáctico.
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Ashley Barnes, membro do Observatório Europeu do Sul, afirmou que o local é invisível aos olhos humanos, mas agora foi revelado com detalhes extraordinários. Ela destacou que é o único núcleo galáctico próximo o suficiente da Terra para estudo com tamanha precisão.
Estrutura extrema da CMZ desafia modelos e amplia uso de radiotelescópios
A Zona de Convergência Central é formada por uma intrincada rede de gás denso e frio que flui ao longo de filamentos. Esses filamentos frequentemente colapsam em aglomerados capazes de formar estrelas.
Embora esse processo também ocorra na borda da galáxia, ele é descrito como muito mais extremo na CMZ. A região concentra condições intensas que influenciam diretamente os ciclos de formação e morte estelar.
De acordo com Steve Longmore, líder do ACES e pesquisador da Universidade John Moores, a CMZ abriga algumas das estrelas mais massivas conhecidas na galáxia. Muitas possuem vida curta e morrem jovens, encerrando o ciclo em supernovas e até hipernovas.
Levantamento ACES com radiotelescópios identifica dezenas de moléculas
Como parte do ALMA CMZ Exploration Survey, o ACES, a equipe determinou a composição química do gás molecular. Foram detectadas dezenas de moléculas diferentes.
Entre elas estão moléculas orgânicas complexas, como metanol e etanol, além de moléculas simples, como monóxido de silício. A identificação amplia a compreensão sobre os componentes do ambiente central galáctico.
Longmore afirmou que estudar como as estrelas nascem na CMZ também permite obter uma visão mais clara de como as galáxias cresceram e evoluíram. Ele acrescentou que a região compartilha características com galáxias do universo primitivo.
Radiotelescópios do ALMA formam mosaico com 66 antenas no Deserto do Atacama
A Zona de Modulação Central tem tamanho aproximado equivalente a três luas cheias no céu noturno. Nem mesmo o ALMA, composto por 66 antenas espalhadas pelo Deserto do Atacama, conseguiu capturá-la integralmente de uma só vez.
A imagem final foi composta a partir de observações individuais menores, formando um grande mosaico. Representa a maior área já observada pelo ALMA até o momento.
Katharina Immer, astrônoma do ALMA, declarou que a equipe previa alto nível de detalhe ao projetar o levantamento. Contudo, afirmou ter ficado genuinamente surpreendida com a complexidade e a riqueza reveladas no resultado final.
A pesquisa do ACES foi publicada na quarta-feira, 25 de fevereiro, no periódico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. Para os cientistas, este é apens o começo de novas investigações sobre a região central da galáxia, ampliando o papel dos radiotelescópios no estudo do cosmos.

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