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Maior que dois campos de futebol, com piscina, sauna e 20 mísseis nucleares, o gigantesco submarino soviético passou até 120 dias escondido sob o gelo do Ártico e virou um dos monstros mais assustadores da Guerra Fria

Escrito por Ana Alice
Publicado em 04/05/2026 às 19:11
Atualizado em 04/05/2026 às 19:13
Assista o vídeoConheça o submarino Typhoon, gigante soviético da Guerra Fria feito para operar sob o gelo do Ártico com mísseis nucleares. (Imagem: Ilustrativa)
Conheça o submarino Typhoon, gigante soviético da Guerra Fria feito para operar sob o gelo do Ártico com mísseis nucleares. (Imagem: Ilustrativa)
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Criado para missões nucleares sob o gelo polar, o Typhoon combinava dimensões incomuns, autonomia prolongada e áreas internas raras em submarinos militares, tornando-se uma das embarcações mais estudadas da engenharia naval soviética.

O maior submarino militar já construído foi desenvolvido pela União Soviética para operar em uma das áreas mais difíceis de monitorar durante a Guerra Fria: o Ártico.

Conhecido no Ocidente como classe Typhoon, o Projeto 941 Akula tinha 175 metros de comprimento, cerca de 23 metros de largura e deslocamento submerso estimado em 48 mil toneladas.

A embarcação podia realizar missões prolongadas, com autonomia operacional frequentemente associada a até 120 dias.

A proposta do projeto era manter mísseis nucleares soviéticos em posição de lançamento sob cobertura do gelo polar, longe da vigilância direta de navios, aviões e satélites de potências adversárias.

Por causa das dimensões, o Typhoon passou a ser comparado a uma cidade submersa.

A associação também ganhou força por relatos sobre áreas internas incomuns em submarinos, como academia, sauna e uma pequena piscina.

Submarino Typhoon foi criado para patrulhar o Ártico

O Projeto 941 Akula começou a ser desenvolvido nos anos 1970, em um período marcado pela disputa nuclear entre Estados Unidos e União Soviética.

Na lógica militar da época, submarinos lançadores de mísseis balísticos tinham uma função central: garantir capacidade de resposta mesmo após um eventual ataque contra bases terrestres.

A Otan classificou esses submarinos como Typhoon.

Na nomenclatura soviética, Akula significa “tubarão”, mas o nome pode gerar confusão porque a própria Otan usou “Akula” para identificar outra classe russa, voltada a submarinos de ataque.

No caso do Projeto 941, tratava-se de um submarino nuclear lançador de mísseis balísticos, categoria conhecida pela sigla SSBN.

Seis unidades foram concluídas.

A primeira, o TK-208, recebeu mais tarde o nome Dmitry Donskoy.

Ela se tornou a unidade mais conhecida da classe, em parte por ter permanecido em serviço por mais tempo e por ter sido usada, depois de modernizada, como plataforma de testes para novos sistemas de armamento.

Conheça o submarino Typhoon (Imagem: Reprodução/Reddit)
Conheça o submarino Typhoon (Imagem: Reprodução/Reddit)

Cascos múltiplos davam espaço e redundância ao submarino soviético

O porte do Typhoon não resultou apenas da necessidade de transportar mísseis grandes.

A embarcação também precisava abrigar reatores nucleares, sistemas de navegação, torpedos, áreas de comando, equipamentos de comunicação e alojamentos para uma tripulação numerosa durante patrulhas prolongadas.

Para acomodar essa estrutura, os projetistas adotaram uma arquitetura diferente da usada em muitos submarinos convencionais.

O Typhoon tinha dois cascos de pressão principais, instalados paralelamente dentro de um casco externo.

Essa configuração costuma ser descrita como semelhante à de um “catamarã submerso”.

Entre os cascos ficavam os tubos de lançamento dos mísseis.

A solução aumentava a largura da embarcação, mas permitia distribuir sistemas essenciais em áreas separadas.

Em termos operacionais, essa divisão também ampliava a redundância de equipamentos, uma característica importante em submarinos projetados para missões longas e isoladas.

A estrutura ainda ajudava a explicar sua atuação no Ártico.

Submarinos desse tipo precisavam navegar sob gelo, operar em águas frias e, em determinadas situações, emergir em áreas cobertas por camadas congeladas.

Essa capacidade tornava a região polar relevante para a estratégia soviética, já que dificultava o rastreamento por meios convencionais.

Piscina e sauna no Typhoon tinham função operacional

Relatos sobre a existência de uma pequena piscina, sauna e academia a bordo aparecem em publicações especializadas e em descrições históricas da classe Typhoon.

Essas áreas são frequentemente citadas como exemplos das condições internas menos restritas em comparação com submarinos menores.

A presença desses recursos também tinha uma função prática.

Em missões que podiam durar meses, tripulantes ficavam submetidos a confinamento, turnos rígidos, ausência de luz natural e rotina contínua de operação.

Nesses casos, espaços para exercício e recuperação física ajudavam a reduzir desgaste durante patrulhas extensas.

Esse aspecto diferenciava o Typhoon de muitos submarinos da mesma época.

Enquanto várias embarcações priorizavam o máximo aproveitamento de espaço para sistemas e armamentos, o Projeto 941 tinha dimensões que permitiam áreas internas mais amplas.

A diferença, porém, não eliminava os riscos e as restrições de uma missão submersa.

Arsenal nuclear do Typhoon era voltado à dissuasão estratégica

A principal função militar do Typhoon era transportar e lançar mísseis balísticos.

A classe foi projetada para levar até 20 mísseis R-39, conhecidos pela designação ocidental SS-N-20.

Esses mísseis podiam carregar múltiplas ogivas nucleares, dentro da doutrina de dissuasão estratégica da Guerra Fria.

O submarino também possuía tubos de torpedo, mas sua missão principal não era perseguir navios inimigos.

A prioridade era permanecer oculto, preservar a capacidade de lançamento e servir como parte da chamada tríade nuclear, formada por mísseis em terra, bombardeiros estratégicos e submarinos lançadores de mísseis balísticos.

A propulsão nuclear permitia longos períodos submersos sem necessidade de reabastecimento do reator.

Na prática, o limite de uma patrulha dependia mais de fatores como alimentos, manutenção, condições da tripulação e planejamento operacional.

Por isso, a autonomia de 120 dias deve ser entendida como capacidade de missão, e não como prova de que uma unidade específica tenha permanecido exatamente esse período sob o gelo sem interrupção.

Durante a Guerra Fria, a operação em regiões polares tinha valor estratégico.

O gelo dificultava a detecção e criava barreiras naturais para forças adversárias.

Ao mesmo tempo, navegar nessas áreas exigia sistemas reforçados, tripulação treinada e planejamento detalhado, já que emergir ou comunicar-se poderia ser mais complexo do que em mar aberto.

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Dmitry Donskoy marcou o fim da classe Typhoon

Com o fim da União Soviética, em 1991, a manutenção da classe Typhoon passou a pesar mais sobre a estrutura militar russa.

O custo de operação era alto, parte do armamento original foi retirada de serviço e novos projetos passaram a ocupar o espaço estratégico dos antigos submarinos soviéticos.

A Rússia investiu posteriormente em submarinos mais modernos, como os da classe Borei.

Nesse contexto, os Typhoons foram sendo desativados, desmontados ou retirados de funções operacionais.

A exceção mais conhecida foi o Dmitry Donskoy, que continuou em uso por mais tempo após passar por modernização.

O Dmitry Donskoy foi empregado como plataforma de testes do míssil Bulava e participou de atividades relacionadas à Marinha russa antes de deixar o serviço ativo.

A unidade foi oficialmente retirada de serviço em fevereiro de 2023, encerrando a trajetória operacional da classe Typhoon.

Há registros posteriores sobre propostas para preservar o Dmitry Donskoy como navio-museu.

A transformação de um submarino nuclear desse porte, no entanto, exige etapas complexas, como remoção de combustível nuclear, adequações estruturais e definição de custos.

Por isso, qualquer destinação museológica depende de decisões técnicas, financeiras e administrativas.

Mesmo fora de serviço, o Typhoon permanece como referência em estudos sobre engenharia naval militar.

Suas dimensões, a arquitetura de cascos múltiplos, a operação sob gelo e a presença de áreas internas incomuns ajudam a explicar por que o projeto ainda desperta interesse em conteúdos de ciência, tecnologia e história militar.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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