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Maior colisão de buracos negros já registrada: mais de 60 massas solares, libera energia equivalente a dezenas de sóis e revela os eventos mais extremos já observados no Universo

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 31/12/2025 às 07:30
Atualizado em 30/12/2025 às 23:18
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Ondas gravitacionais detectadas por LIGO e Virgo confirmam colisões de buracos negros acima de 60 massas solares e revelam os eventos mais energéticos já observados no Universo.

As ondulações quase imperceptíveis no tecido do espaço-tempo, previstas por Albert Einstein em 1916, deixaram de ser apenas um conceito teórico para se tornar uma das ferramentas mais poderosas da astrofísica moderna. Nos últimos anos, observatórios como LIGO, Virgo e, mais recentemente, o KAGRA passaram a registrar sinais cada vez mais extremos, culminando na detecção de ondas gravitacionais geradas por colisões de buracos negros com massas superiores a 60 vezes a do Sol. Esses eventos não apenas confirmam previsões fundamentais da relatividade geral, como também revelam processos cósmicos que ultrapassam qualquer escala energética já observada diretamente pela humanidade.

Essas detecções representam um salto científico comparável à primeira observação de exoplanetas ou à imagem direta de um buraco negro. Pela primeira vez, a ciência passa a “ouvir” o Universo em frequências associadas a fenômenos colossais, ocorridos a bilhões de anos-luz da Terra, e reconstruir com precisão matemática o que aconteceu nos instantes finais dessas colisões titânicas.

O que são ondas gravitacionais e por que elas são tão importantes

Ondas gravitacionais são distorções no espaço-tempo causadas por movimentos acelerados de massas extremamente grandes. Diferentemente da luz ou de partículas, elas atravessam o cosmos praticamente sem serem absorvidas ou desviadas, carregando informações diretas sobre sua origem. Isso permite estudar eventos invisíveis por telescópios tradicionais, como fusões de buracos negros, estrelas de nêutrons e possíveis objetos exóticos.

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Quando dois buracos negros entram em espiral e colidem, parte de sua massa é convertida diretamente em energia, conforme a famosa equação E = mc².

Essa energia é liberada sob a forma de ondas gravitacionais, capazes de se propagar por bilhões de anos até serem detectadas na Terra, alterando o comprimento de braços interferométricos em frações menores que o diâmetro de um próton.

Colisões acima de 60 massas solares: por que esses eventos chocaram os cientistas

As primeiras detecções, anunciadas em 2015, envolviam buracos negros com massas entre 20 e 40 sóis. No entanto, sinais mais recentes revelaram sistemas muito mais massivos, com objetos individuais superando 60 massas solares e, em alguns casos, produzindo buracos negros finais com mais de 140 massas solares.

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Esses valores chamaram atenção porque desafiam modelos clássicos de formação estelar. Teorias indicavam que estrelas muito massivas deveriam perder grande parte de sua massa antes de colapsar ou até se destruir completamente em explosões conhecidas como supernovas por instabilidade de pares, o que impediria a formação de buracos negros nesse intervalo de massa.

“Existem mecanismos padrão pelos quais os buracos negros se formam — quando as estrelas ficam sem combustível, morrem e então colapsam”, disse Hannam. “Mas há uma faixa de massas onde pensamos que não é possível que buracos negros se formem dessa maneira. E os buracos negros do GW231123 estão exatamente no meio dessa lacuna (de massa). Então há uma questão sobre como eles se formaram e isso os torna muito interessantes”.

A observação direta dessas colisões sugere cenários alternativos, como fusões hierárquicas, em que buracos negros menores se unem repetidamente em ambientes densos, como aglomerados estelares.

Energia liberada: dezenas de sóis convertidos em ondas

Durante esses eventos extremos, a quantidade de energia liberada é difícil de conceber. Em frações de segundo, o equivalente à massa de vários sóis é transformado em energia pura, superando, por um breve instante, o brilho combinado de todas as estrelas do Universo observável.

Essa energia não se manifesta como luz, mas como ondas gravitacionais que se espalham pelo cosmos. Os detectores conseguem medir a “assinatura” dessas ondas, permitindo calcular as massas envolvidas, a distância do evento, a rotação dos buracos negros e até a orientação do sistema no espaço.

O papel dos observatórios LIGO, Virgo e KAGRA

O sucesso dessas descobertas está diretamente ligado à evolução tecnológica dos detectores. O LIGO, nos Estados Unidos, e o Virgo, na Europa, utilizam interferômetros gigantescos com braços de quilômetros de extensão, nos quais feixes de laser refletem milhares de vezes para amplificar variações mínimas de comprimento.

O KAGRA, no Japão, adiciona uma abordagem inovadora ao operar parcialmente no subsolo e com espelhos resfriados criogenicamente, reduzindo ruídos térmicos.

A operação conjunta desses observatórios permite localizar com maior precisão a origem dos sinais e diferenciar eventos reais de ruídos locais. Quanto mais detectores entram em operação, maior se torna a capacidade de mapear o Universo gravitacional.

O que essas descobertas revelam sobre a evolução do Universo

As colisões de buracos negros supermassivos oferecem pistas valiosas sobre a formação e a evolução das primeiras estrelas, a dinâmica de aglomerados estelares e a história das galáxias.

Muitos desses eventos ocorreram quando o Universo tinha menos da metade de sua idade atual, funcionando como fósseis gravitacionais de épocas remotas.

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Além disso, as ondas gravitacionais permitem testar a relatividade geral em regimes extremos de gravidade, algo impossível de reproduzir em laboratório. Até agora, todas as observações confirmam com alta precisão as previsões de Einstein, mesmo sob condições de campo gravitacional intenso e velocidades próximas à da luz.

Uma nova era da astronomia observacional

A detecção de ondas gravitacionais não substitui a astronomia tradicional, mas a complementa. Enquanto telescópios ópticos, de rádio e de raios X observam a luz emitida por objetos cósmicos, os detectores gravitacionais captam movimentos e colisões invisíveis, abrindo uma nova janela de observação.

Com melhorias previstas para a próxima década e projetos ainda mais ambiciosos, como o observatório espacial LISA, a expectativa é detectar eventos ainda mais massivos, incluindo fusões envolvendo buracos negros supermassivos no centro de galáxias.

Essas descobertas mostram que o Universo é muito mais violento, dinâmico e energético do que se imaginava. Ao registrar colisões de buracos negros com mais de 60 massas solares e energias equivalentes a dezenas de sóis, as ondas gravitacionais revelam não apenas recordes cósmicos, mas também um novo capítulo na compreensão dos limites físicos do espaço-tempo e da própria natureza da realidade.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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