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Tempo de leitura 4 min de leitura

Macacos também brincam de faz de conta, aponta estudo com bonobo e revela semelhanças com humanos

Escrito por Keila Andrade
Publicado em 23/04/2026 às 11:21
Atualizado em 23/04/2026 às 11:23
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Bonobo demonstra comportamento de faz de conta
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Um estudo recente revelou que macacos também são capazes de brincar de “faz de conta”, comportamento até então considerado exclusivo dos humanos. A descoberta foi feita a partir de experimentos com um bonobo chamado Kanzi, que demonstrou habilidades cognitivas avançadas ao lidar com situações imaginárias.

Esse resultado, por sua vez, reforça a ideia de que as diferenças entre humanos e outros primatas podem ser menores do que se pensava, especialmente no que diz respeito à capacidade de raciocínio e imaginação.

Experimento com bonobo desafia conceito tradicional

O estudo, publicado em uma revista científica de alto impacto, analisou o comportamento de Kanzi em situações controladas de “faz de conta”.

Durante os testes, o bonobo foi exposto a cenários que envolviam objetos imaginários, como bebidas ou alimentos inexistentes. Ainda assim, ele conseguiu interpretar corretamente as situações e responder de forma coerente.

Em um dos experimentos, por exemplo, Kanzi participou de uma espécie de “chá da tarde imaginário”, lidando com itens que não estavam fisicamente presentes.

Além disso, os resultados mostraram que ele não apenas reconhecia a diferença entre o real e o imaginário, mas também conseguia agir de acordo com essa distinção.

Capacidade de imaginar não é exclusiva dos humanos

Tradicionalmente, a habilidade de criar cenários imaginários — conhecida como “representação simbólica” — era considerada uma característica única da espécie humana.

No entanto, os resultados do estudo indicam que essa capacidade pode ter origens evolutivas muito mais antigas.

Segundo os pesquisadores, o comportamento observado em Kanzi sugere que a habilidade de lidar com o imaginário pode remontar ao ancestral comum entre humanos e outros grandes primatas, que viveu há milhões de anos.

Dessa forma, o estudo desafia diretamente a ideia de que apenas os humanos possuem imaginação complexa.

Desempenho de Kanzi impressiona pesquisadores

Os resultados obtidos com Kanzi chamaram a atenção da comunidade científica.

Durante os experimentos, o bonobo acertou cerca de 68% das respostas em tarefas envolvendo situações imaginárias, demonstrando consistência e compreensão do contexto proposto.

Além disso, ele já era conhecido por suas habilidades cognitivas avançadas, incluindo a capacidade de compreender linguagem humana e utilizar símbolos para se comunicar.

Essas características fazem de Kanzi um dos primatas mais estudados da história, sendo frequentemente citado em pesquisas sobre inteligência animal.

O que isso muda na ciência

A descoberta tem implicações importantes para diversas áreas do conhecimento, como psicologia, biologia evolutiva e neurociência.

Isso porque, ao demonstrar que outros primatas também possuem capacidade de imaginação, o estudo amplia a compreensão sobre a evolução da mente humana.

Além disso, os resultados sugerem que habilidades consideradas “complexas”, como:

  • pensamento simbólico
  • linguagem
  • raciocínio abstrato

podem ter se desenvolvido de forma gradual ao longo da evolução, e não surgido exclusivamente nos humanos.

Diferença entre humanos e primatas pode ser menor

Embora ainda existam diferenças importantes entre humanos e outros primatas, o estudo reforça que essas distinções são mais de grau do que de tipo.

Ou seja, os humanos não necessariamente possuem habilidades completamente únicas, mas sim versões mais desenvolvidas de capacidades que já existem em outros animais.

Nesse contexto, a imaginação deixa de ser vista como uma exclusividade humana e passa a ser entendida como uma habilidade compartilhada dentro da linhagem dos grandes primatas.

Limitações e cautela na interpretação

Apesar dos resultados promissores, os próprios pesquisadores alertam para a necessidade de cautela.

Isso porque o estudo foi conduzido com um número limitado de indivíduos, o que pode restringir a generalização dos resultados.

Além disso, fatores como treinamento prévio e interação com humanos podem influenciar o desempenho dos animais em testes desse tipo.

Ainda assim, os dados são considerados robustos o suficiente para abrir novas linhas de investigação.

O que esperar das próximas pesquisas

A partir dessa descoberta, cientistas devem ampliar os estudos para outros primatas, a fim de verificar se o comportamento observado em Kanzi também ocorre em diferentes espécies.

Além disso, novas pesquisas podem explorar:

  • como a imaginação se desenvolve em primatas
  • quais áreas do cérebro estão envolvidas
  • como essas habilidades se relacionam com a linguagem

Dessa forma, o campo de estudo sobre cognição animal tende a avançar significativamente nos próximos anos.

O que está em jogo

Mais do que uma curiosidade científica, a descoberta levanta questões profundas sobre o que significa ser humano.

Se outros primatas também são capazes de imaginar, interpretar e interagir com situações hipotéticas, então a linha que separa humanos e animais se torna ainda mais tênue.

Por um lado, isso amplia o respeito pela complexidade da vida animal. Por outro, desafia conceitos tradicionais sobre inteligência e consciência.

Assim, o estudo com Kanzi não apenas revela novas capacidades dos primatas, mas também convida a repensar o lugar dos humanos no reino animal.

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Keila Andrade

Jornalista há 20 anos, especialista em produção e planejamento de conteúdos online e offline para estruturas do marketing digital. Jornalista, especialista em SEO para estruturas do marketing digital (sites, blogs, redes sociais, infoprodutos, email-marketing, funil inbound marketing, landing pages).

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