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Luz solar engarrafada: Cientistas da Califórnia criam líquido capaz de armazenar energia solar por até 481 dias e atingir 1,6 MJ por quilo, com tecnologia que desafia baterias de lítio

Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 23/02/2026 às 22:11
Atualizado em 23/02/2026 às 22:13
Luz solar engarrafada Cientistas criam líquido capaz de armazenar energia solar por até 481 dias e atingir 1,6 MJ por quilo, com tecnologia que desafia baterias de lítio
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Universidade da Califórnia apresenta sistema molecular, capaz de armazenar energia solar em solução líquida reutilizável, que alcança densidade energética superior à de baterias comuns e pode mudar a forma como a indústria guarda energia

Imagine guardar o calor do verão para usar no inverno. Não é metáfora. Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Santa Barbara, desenvolveram um líquido capaz de armazenar energia solar por meses, sem precisar de bateria.

O mais surpreendente não é só a ideia. É, então, o desempenho. O sistema alcança 1,6 megajoule por quilo, quase o dobro da densidade energética de uma bateria de íon lítio tradicional.

E isso pode mexer com toda a lógica do armazenamento energético na indústria.

O desafio bilionário do setor de energia quando o sol desaparece no fim do dia

A energia solar cresce no mundo inteiro. Telhados industriais, fazendas solares e usinas fotovoltaicas se multiplicam.

O problema começa, portanto, quando o sol se põe.

Hoje, grande parte da eletricidade captada precisa ser armazenada em baterias. Elas ocupam espaço, exigem materiais estratégicos e apresentam perdas no processo de conversão entre energia elétrica e química.

Segundo especialistas, esse gargalo técnico é um dos principais freios para uma transição energética mais eficiente.

Foi nesse ponto que a equipe liderada pela professora Grace Han decidiu mudar o jogo.

O segredo molecular que transforma luz em calor armazenado por até 481 dias

Em vez de converter luz em eletricidade para depois guardar em baterias, o novo sistema armazena a energia diretamente em ligações químicas.

A tecnologia pertence a uma classe chamada armazenamento solar térmico molecular.

Funciona assim: moléculas modificadas de pirimidona são dissolvidas em uma solução líquida. Quando expostas ao sol, sofrem uma transformação estrutural e entram em um estado de alta energia conhecido como configuração Dewar.

Pense, então, em uma mola sendo comprimida.

A luz solar “carrega” essa mola molecular. A estrutura permanece estável por longos períodos. No caso deste sistema, a meia vida calculada chega a 481 dias em temperatura ambiente.

Quando acionadas por calor ou ácido, as moléculas retornam ao estado original e liberam a energia acumulada na forma de calor.

Nos testes laboratoriais, a substância liberou calor suficiente para ferver cerca de 0,5 mililitro de água em condições ambientes.

Pode parecer pouco, mas ferver água é um processo energeticamente exigente. E o experimento comprova a intensidade da liberação térmica.

A disputa silenciosa contra baterias de lítio e outros sistemas MOST

Sistemas de armazenamento solar térmico não são novidade absoluta. Pesquisas anteriores já exploraram moléculas como azobenzeno e dihidroazuleno.

A diferença é que muitos desses projetos permanecem em fase experimental.

O sistema com pirimidona Dewar é apontado como o primeiro a alcançar aplicabilidade prática com estabilidade prolongada e densidade energética competitiva.

E o número chama atenção.

Enquanto baterias de íon lítio convencionais operam em torno de 0,9 megajoule por quilo, essa solução líquida alcança aproximadamente 1,6 megajoule por quilo.

É quase o dobro.

Para o setor industrial, isso significa potencial para reduzir dependência de materiais críticos usados em baterias e simplificar sistemas térmicos.

A disputa não é apenas tecnológica. É estratégica.

Como o “sol engarrafado” pode ser integrado em residências, indústrias e sistemas térmicos

Por ser uma solução líquida, o material pode circular por tubulações comuns.

Durante o dia, coletores solares expõem o líquido à radiação. A substância carregada pode, então, ser armazenada em tanques isolados.

Quando há demanda por calor, como aquecimento de água, processos industriais ou calefação, o líquido passa por um reator que ativa a liberação térmica.

Depois disso, retorna ao estado inicial e pode ser recarregado no dia seguinte.

Outra possibilidade é, portanto, o armazenamento sazonal. Carregar no verão e, assim, utilizar no inverno.

Estimativas apontam que a integração com geradores termoelétricos também pode permitir conversão de parte do calor em eletricidade.

Não há um número oficial divulgado sobre escala comercial, mas a estrutura líquida facilita transporte e expansão de capacidade apenas aumentando o volume armazenado.

O efeito dominó no mercado de energia térmica e na engenharia industrial

A indústria pesada consome enormes volumes de calor em processos produtivos.

Se uma solução reutilizável conseguir armazenar energia solar por meses sem perda significativa, o impacto pode atingir cadeias inteiras.

Refinarias, plantas químicas e sistemas de aquecimento urbano poderiam reduzir dependência de combustíveis fósseis em aplicações térmicas.

Além disso, a alta estabilidade química da molécula reduz necessidade de substituição frequente do material.

Segundo especialistas, o avanço abre uma nova frente na corrida por tecnologias de armazenamento, especialmente em setores onde o calor é mais valioso que a eletricidade.

A corrida não é apenas por geração limpa, mas por armazenamento inteligente.

A possibilidade de literalmente guardar o calor do sol em um tanque coloca uma nova peça no tabuleiro da engenharia energética.

O que mais chama atenção não é só a inovação química, mas a mudança de lógica: menos conversões, menos perdas e potencial para sistemas mais simples.

Você acredita que soluções líquidas podem superar baterias no futuro do armazenamento de energia? Deixe sua opinião nos comentários.

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josé luiz da costa jlcgrafica@gmail.com
josé luiz da costa jlcgrafica@gmail.com
03/03/2026 19:01

Energia o mundo tem e muita. Mas tem o estado no meio para taxar e ****$$$…

Renato
Renato
24/02/2026 15:27

Tenho certeza que sim, as vezes para resolver um problema precisamos olhar por outro ângulo

Marlon Okay
Marlon Okay(@marlon_ok_27)
Member
24/02/2026 14:43

Muito interessante! Tem potencial. Espero que isso possa substituir algumas baterias em breve, fornecendo mais energia por mais tempo.

Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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