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Lula coloca dinheiro da Petrobras na mesa para ajudar Venezuela e firmar nova aliança com Trump e EUA, mesmo com dívida bilionária, risco de novo calote, e críticas internas sobre abandonar a Margem Equatorial.

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 20/02/2026 às 12:58
Atualizado em 21/02/2026 às 18:29
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Lula discute Petrobras na Venezuela com dívida bilionária em aberto e críticas sobre priorizar a Margem Equatorial.
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Movimento do governo reacende debate sobre dívida venezuelana, riscos políticos e prioridades de investimento da Petrobras, envolvendo possível negociação com os Estados Unidos e impactos na Margem Equatorial brasileira.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende discutir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, uma eventual volta da Petrobras a projetos de petróleo e gás na Venezuela, reabrindo um debate sensível sobre risco político, dívida em aberto e prioridade de investimentos da estatal brasileira.

A sinalização foi revelada, segundo reportagem publicada pelo site Petronotícias nesta sexta-feira (20), ao informar que Lula deve tratar do tema em encontro previsto em Washington, incluindo a possibilidade de converter parte do passivo venezuelano em ativos ligados à produção de petróleo.

De acordo com a apuração do Petronotícias, a proposta envolveria a participação da Petrobras na exploração de áreas estratégicas venezuelanas, em um arranjo que dependeria de alinhamento com o governo americano devido a restrições internacionais e ao histórico de sanções impostas a Caracas.

No setor de óleo e gás, a hipótese é vista com cautela porque a estatal brasileira executa um plano robusto de investimentos domésticos e enfrenta desafios regulatórios e ambientais no próprio território, especialmente na nova fronteira exploratória do Norte e Nordeste.

Também pesa o histórico bilateral: a Venezuela permanece inadimplente em operações de crédito ligadas a exportações brasileiras, e o passivo foi assumido pela União após acionamento de garantias oficiais, o que deslocou o impacto financeiro para o Tesouro Nacional.

Dívida da Venezuela com o Brasil e proposta de conversão em petróleo

Dados oficiais informados ao Congresso indicam que, até 28 de fevereiro de 2025, a dívida da Venezuela com o Brasil totalizava US$ 1.259.739.811,52, valor referente a pagamentos feitos pela União a financiadores cobertos pelo Seguro de Crédito à Exportação.

Na prática, o mecanismo transfere ao setor público brasileiro o custo de contratos firmados no passado, enquanto o governo venezuelano não apresentou solução definitiva para a quitação, o que mantém a negociação em compasso de espera.

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O Petronotícias também apontou que a ideia em discussão passa por transformar parte desse passivo em participação em campos ou ativos operacionais, estratégia que exigiria garantias jurídicas e estabilidade institucional para fazer sentido econômico.

Especialistas do mercado lembram que conversões desse tipo só se sustentam quando há previsibilidade regulatória e governança transparente, fatores que investidores avaliam com rigor antes de aportar recursos em projetos de longo prazo.

Histórico da refinaria Abreu e Lima e a parceria com a PDVSA

A lembrança mais citada quando o tema envolve acordos com a estatal venezuelana PDVSA é a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, concebida nos anos 2000 como projeto de integração energética entre Brasil e Venezuela.

Conforme registros públicos, o plano previa divisão societária com 60% para a Petrobras e 40% para a PDVSA, mas o aporte financeiro venezuelano não se concretizou, e a estatal brasileira assumiu integralmente o empreendimento.

Informações divulgadas à época indicam que a estimativa inicial girava em torno de US$ 2,3 bilhões, valor posteriormente revisto para cima ao longo das obras, que se tornaram alvo de investigações e questionamentos de órgãos de controle.

A saída formal da PDVSA foi oficializada em 2013, após anos de impasse, encerrando uma sociedade que não se materializou nos termos originalmente anunciados e deixando um precedente relevante para qualquer nova aproximação.

Produção de petróleo na Venezuela e avaliação da Petrobras

A Venezuela detém as maiores reservas provadas de petróleo do mundo, mas enfrenta limitações operacionais decorrentes de anos de subinvestimento e perda de capacidade produtiva, sobretudo em refino e infraestrutura de apoio.

Em entrevista concedida ao Petronotícias, a diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia dos Anjos, afirmou que “Todo óleo importa”, mas ressaltou a necessidade de avaliar estabilidade e viabilidade econômica antes de qualquer decisão.

Ela observou que a produção venezuelana, estimada na faixa de 800 mil barris por dia, é inferior à de grandes campos brasileiros e que ampliar esse volume exigiria investimentos significativos ao longo de vários anos.

A executiva também mencionou preocupações ambientais e riscos associados a passivos existentes, destacando que a companhia não pode direcionar recursos para projetos com alta probabilidade de perda financeira.

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Margem Equatorial e disputa por prioridade de investimentos

Enquanto o Planalto sinaliza abertura à Venezuela, a Petrobras mantém foco na Margem Equatorial brasileira, faixa marítima que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte e reúne cinco bacias sedimentares com potencial relevante.

Planos divulgados pela empresa indicam previsão de perfuração de 16 poços exploratórios em cinco anos, com investimento estimado em cerca de US$ 3 bilhões, voltado à pesquisa e confirmação do potencial da região.

Estimativas citadas por entidades industriais apontam que a área pode concentrar até 30 bilhões de barris de óleo equivalente, com impacto econômico projetado de até R$ 175 bilhões no Produto Interno Bruto, além de geração de empregos.

Nesse contexto, parte do mercado questiona a coerência de direcionar capital para recuperação de ativos em país vizinho quando a estatal ainda busca licenciamento e consolidação de reservas em território nacional.

Conversa com os Estados Unidos e implicações estratégicas

Como a indústria venezuelana opera sob restrições internacionais, qualquer participação relevante dependeria de entendimento com Washington, o que explica a intenção de Lula de levar o tema à Casa Branca em diálogo com Donald Trump.

Ainda assim, a dinâmica do setor impõe horizonte de longo prazo, porque projetos de exploração e reabilitação industrial costumam demandar anos até gerar fluxo de caixa consistente, independentemente de ciclos políticos.

O debate, portanto, envolve não apenas diplomacia energética, mas governança corporativa, risco de crédito e estratégia empresarial, em um cenário no qual a Petrobras precisa equilibrar expansão de reservas, retorno aos acionistas e responsabilidade fiscal.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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