Big Becky, maior tuneladora de rocha dura de sua época, escavou 10,2 km sob Niagara Falls para ampliar a energia limpa no Canadá.
Em 13 de maio de 2011, a gigantesca tuneladora Big Becky rompeu a rocha e concluiu a escavação principal de um túnel sob Niagara Falls, em Ontário, depois de trabalhar desde 2006 entre 90 e 140 metros abaixo da cidade. A máquina havia sido usada para abrir uma passagem destinada a desviar parte da água do Rio Niágara até o complexo hidrelétrico Sir Adam Beck, ampliando a geração de eletricidade a partir de uma das paisagens naturais mais conhecidas do planeta.
Os documentos da Ontario Power Generation, a OPG, mostram que o projeto resultou em um túnel de 10,2 quilômetros com 12,7 metros de diâmetro interno e 14,4 metros de diâmetro escavado, concebido para permitir melhor aproveitamento da vazão disponível do rio. Quando entrou em operação, em março de 2013, o empreendimento passou a acrescentar cerca de 1,5 TWh por ano à produção das estações Sir Adam Beck e a entregar 500 metros cúbicos por segundo adicionais ao sistema.
Por que o Canadá cavou um túnel gigante sob Niagara Falls para gerar mais energia limpa
O objetivo da obra era simples na essência e colossal na execução: captar uma parcela maior da água disponível ao lado canadense do Rio Niágara e levá la até as usinas da OPG. Segundo a OPG, o novo túnel foi projetado justamente para aumentar o uso da vazão já disponível ao sistema, ampliando a capacidade de geração sem criar uma nova barragem no local.
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Adeus, concreto no quintal: tendência dos anos 60 voltou com tudo e virou alternativa nas construções
A expectativa oficial do governo de Ontário, apresentada quando o projeto foi lançado, era adicionar 1,6 bilhão de kWh por ano, volume suficiente para atender cerca de 160 mil residências.
Esse ganho energético ajuda a dimensionar a obra. Na prática, o túnel permitiu elevar a contribuição do complexo Sir Adam Beck com mais água desviada por segundo e com geração renovável adicional em larga escala.
Para a província, tratava se de uma intervenção estratégica em infraestrutura, capaz de reforçar a oferta de eletricidade limpa por décadas em uma região historicamente ligada à hidroeletricidade.
Big Becky era a maior tuneladora de rocha dura do mundo e triturava pedra maciça
A escala da máquina ajuda a explicar por que a obra virou referência de engenharia subterrânea. De acordo com a OPG, quando entrou em serviço, a Big Becky era a maior tuneladora aberta de rocha dura com viga principal do mundo, com 14,44 metros de diâmetro, cerca de 150 metros de comprimento e peso de aproximadamente 4.000 toneladas.
O nome nasceu de um concurso entre escolas locais e fazia referência a Sir Adam Beck, personagem central da história da eletricidade pública em Ontário.

A máquina não avançava em solo macio, mas em rocha dura. Por isso, o método construtivo precisou combinar a escavação com suporte imediato do maciço.
Segundo a OPG, o revestimento inicial incluía tirantes de rocha, âncoras de fricção, tela metálica, canais de aço e concreto projetado. Depois vinha o revestimento final em concreto moldado no local, protegido por uma membrana impermeável para enfrentar as condições geológicas do trecho escavado.
Rocha difícil, água e custo extra transformaram a obra em um projeto muito mais longo e caro
Embora a ruptura final da tuneladora tenha ocorrido em 2011, a história da Big Becky esteve longe de ser linear.
A própria OPG registrou que o projeto entrou em serviço em março de 2013 com US$ 514,8 milhões canadenses em gastos acima do orçamento original de C$ 985,2 milhões, levando o capital total a cerca de C$ 1,5 bilhão.
Já a Global News relatou, no momento da ruptura da máquina, que o empreendimento havia sido alvo de críticas por estar quatro anos atrasado e aproximadamente meio bilhão de dólares acima do previsto.

Global News
Os documentos técnicos da OPG explicam parte dessas dificuldades. O traçado atravessava rochas com altas tensões internas e formações suscetíveis a inchamento induzido por água, fator que exigiu um sistema de revestimento mais robusto e aumentou a complexidade da execução.
Essa combinação mostra por que a obra se tornou um caso emblemático de engenharia pesada: mesmo com a maior tuneladora de rocha dura de sua época, o subsolo continuou ditando o ritmo do projeto.
O legado de Big Becky continua invisível sob a cidade, mas com efeito direto na energia de Ontário
O túnel construído pela Big Becky não foi pensado para poucos anos de operação. A OPG afirma que a solução adotada para o revestimento elevou a confiança de que a estrutura atenderia a uma vida útil requerida de 90 anos, enquanto a comunicação institucional da empresa passou a apresentar o projeto como uma infraestrutura preparada para operar por 100 anos ou mais com custos de manutenção relativamente baixos.
Esse é o ponto central do legado deixado pela máquina. Depois de atravessar 10,2 quilômetros de rocha sob uma das regiões mais famosas da América do Norte, a Big Becky ajudou a transformar uma obra subterrânea quase invisível em um ativo estratégico de longa duração para a matriz elétrica de Ontário.
O túnel segue existindo longe dos olhos do público, mas sua função permanece clara: capturar mais da força do Niágara e convertê la em energia limpa em escala industrial.


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