Teste anunciado em 26 de fevereiro pela Agência Espacial Europeia estabeleceu uma ligação a laser espacial entre aeronave e o satélite Alphasat a 36.000 km da Terra, mantendo velocidade de 2,6 Gbps sem perda de dados e intensificando a disputa tecnológica com experimentos semelhantes conduzidos pela China em comunicação óptica orbital
Uma ligação a laser espacial europeia alcançou 2,6 gigabits por segundo entre uma aeronave e um satélite geoestacionário a 36.000 km da Terra, demonstrando comunicação estável em órbita alta e intensificando a disputa tecnológica com avanços semelhantes anunciados recentemente pela China.
A busca por comunicação via satélite de alta velocidade ganhou novo impulso após testes bem-sucedidos conduzidos por instituições espaciais da Europa e da China. Ambos os projetos relataram conexões a laser de gigabit com satélites em órbita alta, indicando avanços na transmissão de dados a longas distâncias no espaço.
Os experimentos mostram que feixes extremamente finos de luz podem agora transportar dados de forma estável por distâncias antes consideradas problemáticas para conexões de alta velocidade. O progresso tecnológico amplia as possibilidades de comunicação em ambientes onde as redes tradicionais encontram limitações.
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Ligação a laser espacial da ESA alcança 2,6 Gbps a 36 mil km da Terra
A Agência Espacial Europeia anunciou em 26 de fevereiro a realização de um teste bem-sucedido de ligação a laser espacial entre uma aeronave e o satélite geoestacionário Alphasat TDP 1. O equipamento responsável pela conexão foi um terminal desenvolvido pela Airbus.
O satélite utilizado no teste encontra-se a aproximadamente 36.000 quilômetros acima da superfície da Terra. Mesmo a essa distância, a conexão manteve uma taxa de transmissão de 2,6 gigabits por segundo durante vários minutos sem registrar perda de pacotes de dados.
Segundo a ESA, uma velocidade como essa permite que um filme em alta definição seja transferido em apenas alguns segundos. Em sistemas convencionais de transmissão espacial, o mesmo arquivo poderia levar minutos para ser transferido.
François Lombard, chefe de Inteligência Conectada da Airbus Defence and Space, destacou a complexidade técnica da operação. Ele afirmou que estabelecer uma ligação a laser espacial entre alvos móveis a essa distância exige extrema precisão devido aos movimentos contínuos, vibrações da plataforma e perturbações atmosféricas.
Desafios técnicos para manter conexão a laser entre alvos em movimento
A comunicação óptica por laser apresenta desafios específicos quando comparada às transmissões por ondas de rádio. Enquanto as ondas de rádio se espalham em uma área ampla, um feixe de laser precisa atingir com precisão um alvo em movimento.
Esse alvo pode deslocar-se a milhares de quilômetros por hora enquanto o sistema tenta manter o alinhamento do feixe. Além disso, a atmosfera da Terra provoca oscilações e turbulências que podem distorcer o sinal durante a transmissão.
Esses fatores tornam a ligação a laser espacial uma tarefa tecnicamente delicada. Pequenas variações na posição ou na estabilidade da plataforma podem comprometer o alinhamento necessário para a transmissão contínua de dados.
Apesar dessas dificuldades, o sucesso do experimento europeu indica que a tecnologia está se tornando mais confiável. A estabilidade demonstrada durante o teste reforça a possibilidade de uso da comunicação óptica em redes espaciais futuras.
Possível fim da “zona morta” digital em regiões remotas
Os avanços na ligação a laser espacial podem contribuir para reduzir as chamadas zonas mortas de comunicação digital. Essas áreas incluem regiões onde a cobertura de internet é limitada ou inexistente.
A tecnologia abre caminho para oferecer conectividade de alta velocidade em diferentes ambientes. Entre os exemplos citados estão aeronaves em voos de longa distância, navios de pesquisa no meio do oceano e veículos que cruzam desertos remotos.
A expectativa é que usuários em deslocamento possam acessar conexões de internet de gigabit independentemente da localização. Esse cenário dependerá da consolidação de redes espaciais capazes de manter links estáveis entre satélites e plataformas móveis.
A melhoria da confiabilidade das transmissões a laser também ajuda a evitar perda de dados durante lacunas de comunicação. Esse fator é considerado importante para a expansão das redes espaciais.
Experimento chinês mantém conexão por três horas a 40 mil km
Poucos dias após o anúncio europeu, o Instituto de Optoeletrônica da China divulgou seu próprio teste de comunicação óptica. O experimento foi revelado em 2 de março e também envolveu uma ligação a laser espacial entre um satélite e uma estação na Terra.
A equipe chinesa utilizou uma estação terrestre de comunicação a laser com 1,8 metro de diâmetro. O equipamento foi instalado no Observatório de Lijiang Gaomeigu para captar o feixe de luz proveniente de um satélite não identificado.
A conexão atingiu velocidade de 1 gigabit por segundo e cobriu uma distância de aproximadamente 40.000 quilômetros. O sistema conseguiu estabelecer o link em apenas quatro segundos após a detecção do sinal.
Segundo os pesquisadores, a conexão permaneceu ativa durante três horas contínuas. Para reduzir a distorção causada pela turbulência atmosférica, foi utilizado um sistema de óptica adaptativa de alta ordem.
Corrida por comunicação espacial inclui satélites LEO e novos recordes
Enquanto satélites geoestacionários demonstram grande alcance, sistemas em órbita baixa da Terra também estão avançando rapidamente em capacidade de transmissão. Essas redes orbitais operam a altitudes menores e apresentam outras vantagens operacionais.
Em janeiro de 2026, a China anunciou um marco em comunicação óptica na órbita baixa ao alcançar uma ligação a laser de 120 gigabits por segundo. O resultado dobrou o recorde anterior obtido pelo país nesse tipo de sistema.
Ao mesmo tempo, empresas privadas também preparam novas gerações de satélites voltadas à expansão da conectividade global.
Os satélites Starlink de terceira geração, por exemplo, são projetados para atingir capacidade de downlink de terabits por segundo e uplink superior a 200 gigabits por segundo.
O objetivo final dessas tecnologias é resolver desafios específicos das redes espaciais, como latência elevada e conectividade intermitente.
A evolução da ligação a laser espacial indica que sistemas de comunicação baseados em luz podem desempenhar papel central em futuras redes de dados fora da Terra.

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