Centro romeno amplia operação de uma das infraestruturas científicas mais ambiciosas da Europa, combinando lasers de 10 petawatts já em funcionamento com a fase final de um sistema de feixe gama projetado para experimentos de alta precisão em física nuclear, materiais, medicina e tecnologia espacial.
A Romênia levou o centro ELI-NP, em Măgurele, na região metropolitana de Bucareste, a uma nova etapa ao lançar a fase final de implementação do sistema de feixe gama da instalação, depois de já ter colocado em operação um conjunto de lasers de 10 petawatts que o próprio complexo classifica como referência mundial.
A reunião de lançamento ocorreu em 18 e 19 de fevereiro de 2026 e marcou, segundo o instituto, a transição da etapa de projeto e contratação para a execução efetiva dessa segunda grande máquina científica do local.
ELI-NP entra em nova fase com sistema de feixe gama
De acordo com o comunicado oficial do ELI-NP, o encontro reuniu a Autoridade Nacional de Pesquisa da Romênia, a direção do instituto, parceiros científicos e industriais da Alemanha, além de representantes do Ministério Federal de Pesquisa, Tecnologia e Espaço alemão e da embaixada do país em Bucareste.
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O texto também destaca a participação das empresas Research Instruments GmbH, AMPHOS GmbH e LICOS Munich, apontadas como atores relevantes na implementação do sistema de feixe gama.
Esse avanço ocorre sobre uma base que já vinha sendo consolidada nos últimos anos no mesmo campus científico, onde o ELI-NP afirma operar o primeiro sistema dual-arm de 10 PW do mundo no High Power Laser System, conhecido pela sigla HPLS.
Em nota publicada em janeiro de 2025, a instituição informou ainda que, ao longo de 2024, entregou 67 semanas de feixe para usuários, com períodos distribuídos entre modos de 100 terawatts, 1 petawatt e 10 petawatts.
Laser de 10 petawatts bate recorde de disparos em 24 horas
O marco mais citado dessa operação ocorreu em 1º de novembro de 2024, data em que o centro registrou 274 disparos em um único dia na saída de 10 petawatts para a área experimental E6, número divulgado oficialmente em 8 de janeiro de 2025.
Ainda segundo o ELI-NP, a média nas oito semanas anteriores havia sido de 127 disparos diários nessa mesma configuração, em experimentos ligados à aceleração de elétrons, ao retroespalhamento Compton e à produção de múons.
A mesma comunicação informa que os pulsos tinham duração próxima de 23 femtossegundos e que a potência de pico acumulada entregue ao experimento naquele dia chegou a 2,3 exawatts, somando os pulsos multi-PW enviados à estação experimental.
Esses números ajudam a explicar por que o centro romeno passou a ser tratado, dentro da rede europeia ELI, como um dos ambientes mais avançados para estudos com luz ultracurta e ultraintensa.
Como funciona o novo feixe gama projetado para até 19,5 MeV
A segunda frente do projeto agora em aceleração é o Gamma Beam Source, descrito pelo departamento responsável como um sistema dedicado ao fornecimento de raios gama para usuários científicos, com energia continuamente ajustável entre 1 MeV e 19,5 MeV.
Nas especificações publicadas pelo ELI-NP, o feixe foi projetado para operar com largura de banda relativa melhor que 0,5%, polarização linear superior a 95% e densidade espectral acima de 5 x 10³ fótons por segundo por elétron-volt.
Segundo a descrição técnica do centro, essa fonte será baseada em um acelerador linear e em uma cavidade óptica de alta finesse, arranjo pensado para produzir raios gama por espalhamento inverso de Compton a partir da interação entre luz laser e pacotes de elétrons relativísticos.
O ELI-NP informa ainda que o sistema eletrônico deverá operar na faixa de 234 MeV a 742 MeV, condição necessária para permitir a variação contínua da energia dos fótons na faixa prevista para os experimentos.
Etapas técnicas mostram avanço contínuo da implementação
A nova fase não foi apresentada como um movimento isolado nem restrita ao plano institucional, porque a própria página do departamento de sistemas gama lista uma sequência recente de entregas técnicas vinculadas à implantação da máquina.
Entre os marcos mais recentes aparecem o comissionamento das estações de radiofrequência de alta potência entre junho e dezembro de 2025, o teste bem-sucedido do laser de fotocátodo ao longo do mesmo período, a implementação do laboratório de radiofrequência em setembro de 2025 e a instalação do módulo 5 do LINAC em janeiro de 2026.
Esse encadeamento indica que o anúncio feito em fevereiro de 2026 não representou apenas uma atualização administrativa, mas a passagem para uma etapa sustentada por componentes já entregues e por infraestrutura progressivamente colocada em condição operacional.
Em paralelo, o instituto mantém a apresentação do feixe gama como uma instalação destinada ao atendimento da comunidade científica, o que reforça o desenho original do ELI-NP como infraestrutura de uso compartilhado e não apenas como vitrine tecnológica.
Aplicações científicas vão da física nuclear à medicina
Na apresentação institucional do complexo, o ELI-NP afirma que a combinação entre lasers de altíssima potência e fonte gama ajustável foi planejada para atender pesquisas em física fundamental, nova física nuclear e astrofísica, além de aplicações em ciência de materiais, gestão de materiais nucleares e ciências da vida.
Em outro material oficial, o centro acrescenta linhas de trabalho relacionadas a imagem médica, hadronterapia, produção de radioisótopos, tecnologia espacial, imageamento industrial e energia de fusão, ampliando o alcance potencial da instalação.
Essa amplitude ajuda a entender por que o ELI-NP ocupa uma posição singular dentro do projeto europeu Extreme Light Infrastructure, iniciativa pan-europeia estruturada para reunir grandes equipamentos dedicados à ciência do laser em diferentes países.
Em artigo técnico do próprio consórcio, o ELI é descrito como uma infraestrutura distribuída de pesquisa em escala europeia, enquanto o ELI-NP aparece como o pilar romeno voltado à fotônica nuclear e à integração entre feixes laser extremos e radiação gama de alta precisão.
Măgurele reforça peso da Romênia em infraestrutura científica europeia
Com a implementação final do sistema gama em andamento e com o laser de 2 x 10 petawatts já acumulando marcos operacionais, Măgurele reforça sua presença no mapa europeu das grandes infraestruturas científicas voltadas a campos extremos de radiação e matéria.
A relevância do centro passa, assim, menos pelo impacto simbólico de hospedar uma máquina recordista e mais pela capacidade de transformar essa potência em rotina experimental, com regularidade de operação, entrega para usuários e expansão coordenada das plataformas instaladas.


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