Em 25 de março de 2026, a L3Harris recebeu contrato do Defense Innovation Unit para equipar submarinos da US Navy com um sistema que transforma tubos de torpedo em lançadores de drones autônomos — e o drone que sai pela mesma porta do torpedo pode subir à superfície e retransmitir tudo que o submarino vê no fundo do oceano
Os tubos de torpedo de um submarino sempre tiveram uma única função ao longo de mais de um século de guerra submarina: lançar armas letais contra navios e outros submarinos inimigos.
Agora, eles vão lançar olhos e ouvidos autônomos.
A L3Harris Technologies recebeu em 25 de março de 2026 um contrato da Defense Innovation Unit (DIU) do Departamento de Defesa dos Estados Unidos para fornecer à Marinha americana o sistema Torpedo Tube Launch and Recovery.
-
Ela passou 73 anos respirando dentro de um pulmão de aço, sobreviveu às sequelas da poliomielite e se tornou a última mulher dos Estados Unidos dependente do equipamento antes de morrer aos 78 anos
-
Estudantes brasileiros criam filtro de US$ 1 no sertão de Pernambuco para enfrentar líquido tóxico da mandioca, usando cascas de pinus, algodão e peças impressas em 3D para transformar veneno descartado em solução para comunidades rurais
-
Astronauta da Artemis II se afasta do cargo após missão à Lua e decisão surpreende após recorde de 406.771 km, viagem histórica de 10 dias e feito inédito para o Canadá.
-
Um fóssil guardado por anos num pequeno museu de Montreal escondia tecido mole de 450 milhões de anos, um achado que só aconteceu uma vez antes na história
O sistema utiliza o drone autônomo Iver4 900, projetado para caber dentro de um tubo de torpedo padrão de 21 polegadas — o mesmo usado para lançar torpedos Mark 48 desde os anos 1970.
Na prática, sem modificar nenhum hardware do submarino, os tubos ganham uma função completamente nova: lançar e recuperar veículos autônomos debaixo d’água.

Como funciona na prática — do fundo do mar ao satélite
O processo é engenhoso na sua simplicidade operacional.
O submarino usa seus sensores acústicos de longo alcance e alta fidelidade para detectar ameaças, mapear o fundo do oceano e coletar dados de inteligência.
Essas informações são transmitidas ao drone via cabo de fibra óptica resistente o suficiente para conectar o veículo submerso à superfície mesmo em correntes marinhas fortes.
O drone então sobe até a superfície e faz interface com tecnologias de gateway por satélite em tempo real.
Dessa forma, o submarino consegue compartilhar inteligência com toda a frota — navios de superfície, aviões de patrulha, outros submarinos e centros de comando em terra — sem precisar se aproximar da superfície.
Isso é revolucionário porque, até agora, um submarino que quisesse transmitir dados precisava subir a uma profundidade rasa e usar um mastro de antena, arriscando ser detectado por radares, satélites e sonares inimigos.
Com o drone intermediário, o submarino permanece invisível no fundo do oceano enquanto se comunica com o mundo.
O Iver4 900 — pequeno mas extremamente capaz
O Iver4 900 é fabricado pela L3Harris e representa a mais nova geração de UUVs (Unmanned Underwater Vehicles) compactos da empresa.
Ele cabe dentro de um tubo de torpedo de 21 polegadas (cerca de 53 cm de diâmetro) — o tamanho padrão dos submarinos Virginia-class da US Navy.
Apesar do tamanho compacto, o drone é equipado com sonar, câmeras, sensores oceanográficos e sistemas de navegação autônomos que permitem operação independente por horas.
Ele pode executar missões de reconhecimento, mapeamento do fundo do mar, detecção de minas e vigilância de navios inimigos — tudo sem intervenção humana direta.
Após completar a missão, o drone pode retornar ao submarino e ser recuperado pelo mesmo tubo de torpedo de onde foi lançado.

De testes para submarinos operacionais de combate
O contrato da DIU marca uma mudança de paradigma fundamental na guerra submarina americana.
Até agora, drones subaquáticos autônomos estavam na fase de pesquisa, desenvolvimento e demonstrações controladas em ambientes de teste.
O contrato sinaliza a transição para integração direta em submarinos operacionais de linha de frente — os Virginia-class, que são a espinha dorsal da frota de ataque nuclear da US Navy.
Na prática, quando a integração estiver completa, cada submarino Virginia terá capacidade de operar como um centro de comando para uma rede de sensores autônomos que ampliam enormemente sua capacidade de vigilância e inteligência.
Guerra submarina distribuída — o conceito por trás
O conceito militar que impulsiona esse desenvolvimento é chamado de “distributed maritime operations” — operações marítimas distribuídas.
Em vez de um submarino operar sozinho e isolado como um caçador solitário, ele se torna o cérebro de uma rede de robôs subaquáticos que cobrem uma área oceânica muito maior do que o submarino conseguiria sozinho.
Os drones podem ser enviados para explorar áreas perigosas — campos minados, proximidades de portos inimigos, rotas de navegação hostis — enquanto o submarino permanece a uma distância segura.
Se um drone for detectado e destruído, a perda é material, não humana.
O submarino permanece seguro, anônimo e pronto para lançar outro drone pelo mesmo tubo.
É uma mudança fundamental: o submarino deixa de ser um guerreiro solitário e se torna um comandante invisível de uma frota de robôs descartáveis.
O contexto global — aliados na mesma corrida
O contrato da L3Harris não acontece isoladamente.
Em março de 2026, um submarino nuclear francês da classe Suffren lançou e recuperou com sucesso um drone americano Razorback pela primeira vez, ao largo de Toulon no Mediterrâneo.
A Royal Navy britânica testou o drone CAPSTONE em operações anti-submarino.
E a China investe pesado em drones submarinos autônomos, tendo sido encontrados dispositivos chineses em águas de vários países da Ásia-Pacífico.
Portanto, a corrida por autonomia subaquática é global — e quem dominar essa tecnologia primeiro terá vantagem decisiva em qualquer conflito naval futuro nos oceanos do mundo.

Ressalvas
O contrato é para desenvolvimento e integração, não para produção em massa imediata de milhares de drones.
A operação em condições reais de combate — com contramedidas inimigas, correntes imprevisíveis e comunicações degradadas — ainda precisa ser extensivamente validada.
Drones subaquáticos enfrentam limitações de comunicação: a transmissão por fibra óptica tem alcance limitado, e a comunicação via satélite exige que o drone suba à superfície, potencialmente revelando a área geral de operação do submarino.
Ainda assim, a decisão de integrar drones autônomos nos tubos de torpedo dos Virginia-class sinaliza que a guerra submarina do futuro será travada cada vez mais por máquinas — comandadas por humanos que permanecem seguros, centenas de metros abaixo da superfície do oceano.
