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Em vez de torpedos, os submarinos americanos agora vão disparar drones autônomos pelos mesmos tubos — e quando o drone chega à superfície, transmite tudo o que o submarino vê no fundo do oceano

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Escrito por Douglas Avila Publicado em 19/04/2026 às 18:15 Atualizado em 19/04/2026 às 20:06
Interior de tubo de torpedo de submarino sendo carregado com drone autônomo
L3Harris recebeu contrato para equipar submarinos Virginia com sistema Iver4 900 de lançamento de drones por tubos de torpedo
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Em 25 de março de 2026, a L3Harris recebeu contrato do Defense Innovation Unit para equipar submarinos da US Navy com um sistema que transforma tubos de torpedo em lançadores de drones autônomos — e o drone que sai pela mesma porta do torpedo pode subir à superfície e retransmitir tudo que o submarino vê no fundo do oceano

Os tubos de torpedo de um submarino sempre tiveram uma única função ao longo de mais de um século de guerra submarina: lançar armas letais contra navios e outros submarinos inimigos.

Agora, eles vão lançar olhos e ouvidos autônomos.

A L3Harris Technologies recebeu em 25 de março de 2026 um contrato da Defense Innovation Unit (DIU) do Departamento de Defesa dos Estados Unidos para fornecer à Marinha americana o sistema Torpedo Tube Launch and Recovery.

O sistema utiliza o drone autônomo Iver4 900, projetado para caber dentro de um tubo de torpedo padrão de 21 polegadas — o mesmo usado para lançar torpedos Mark 48 desde os anos 1970.

Na prática, sem modificar nenhum hardware do submarino, os tubos ganham uma função completamente nova: lançar e recuperar veículos autônomos debaixo d’água.

Drone autônomo emergindo de tubo de torpedo rumo à superfície
O Iver4 900 sai pelo tubo de torpedo, navega sozinho e pode subir à superfície para retransmitir dados via satélite — sem revelar a posição do submarino

Como funciona na prática — do fundo do mar ao satélite

O processo é engenhoso na sua simplicidade operacional.

O submarino usa seus sensores acústicos de longo alcance e alta fidelidade para detectar ameaças, mapear o fundo do oceano e coletar dados de inteligência.

Essas informações são transmitidas ao drone via cabo de fibra óptica resistente o suficiente para conectar o veículo submerso à superfície mesmo em correntes marinhas fortes.

O drone então sobe até a superfície e faz interface com tecnologias de gateway por satélite em tempo real.

Dessa forma, o submarino consegue compartilhar inteligência com toda a frota — navios de superfície, aviões de patrulha, outros submarinos e centros de comando em terra — sem precisar se aproximar da superfície.

Isso é revolucionário porque, até agora, um submarino que quisesse transmitir dados precisava subir a uma profundidade rasa e usar um mastro de antena, arriscando ser detectado por radares, satélites e sonares inimigos.

Com o drone intermediário, o submarino permanece invisível no fundo do oceano enquanto se comunica com o mundo.

O Iver4 900 — pequeno mas extremamente capaz

O Iver4 900 é fabricado pela L3Harris e representa a mais nova geração de UUVs (Unmanned Underwater Vehicles) compactos da empresa.

Ele cabe dentro de um tubo de torpedo de 21 polegadas (cerca de 53 cm de diâmetro) — o tamanho padrão dos submarinos Virginia-class da US Navy.

Apesar do tamanho compacto, o drone é equipado com sonar, câmeras, sensores oceanográficos e sistemas de navegação autônomos que permitem operação independente por horas.

Ele pode executar missões de reconhecimento, mapeamento do fundo do mar, detecção de minas e vigilância de navios inimigos — tudo sem intervenção humana direta.

Após completar a missão, o drone pode retornar ao submarino e ser recuperado pelo mesmo tubo de torpedo de onde foi lançado.

Submarino Virginia da US Navy na superfície
Os submarinos Virginia-class são a espinha dorsal da frota de ataque americana — e agora receberão capacidade de lançar e recuperar drones autônomos pelos tubos de torpedo

De testes para submarinos operacionais de combate

O contrato da DIU marca uma mudança de paradigma fundamental na guerra submarina americana.

Até agora, drones subaquáticos autônomos estavam na fase de pesquisa, desenvolvimento e demonstrações controladas em ambientes de teste.

O contrato sinaliza a transição para integração direta em submarinos operacionais de linha de frente — os Virginia-class, que são a espinha dorsal da frota de ataque nuclear da US Navy.

Na prática, quando a integração estiver completa, cada submarino Virginia terá capacidade de operar como um centro de comando para uma rede de sensores autônomos que ampliam enormemente sua capacidade de vigilância e inteligência.

Guerra submarina distribuída — o conceito por trás

O conceito militar que impulsiona esse desenvolvimento é chamado de “distributed maritime operations” — operações marítimas distribuídas.

Em vez de um submarino operar sozinho e isolado como um caçador solitário, ele se torna o cérebro de uma rede de robôs subaquáticos que cobrem uma área oceânica muito maior do que o submarino conseguiria sozinho.

Os drones podem ser enviados para explorar áreas perigosas — campos minados, proximidades de portos inimigos, rotas de navegação hostis — enquanto o submarino permanece a uma distância segura.

Se um drone for detectado e destruído, a perda é material, não humana.

O submarino permanece seguro, anônimo e pronto para lançar outro drone pelo mesmo tubo.

É uma mudança fundamental: o submarino deixa de ser um guerreiro solitário e se torna um comandante invisível de uma frota de robôs descartáveis.

O contexto global — aliados na mesma corrida

O contrato da L3Harris não acontece isoladamente.

Em março de 2026, um submarino nuclear francês da classe Suffren lançou e recuperou com sucesso um drone americano Razorback pela primeira vez, ao largo de Toulon no Mediterrâneo.

A Royal Navy britânica testou o drone CAPSTONE em operações anti-submarino.

E a China investe pesado em drones submarinos autônomos, tendo sido encontrados dispositivos chineses em águas de vários países da Ásia-Pacífico.

Portanto, a corrida por autonomia subaquática é global — e quem dominar essa tecnologia primeiro terá vantagem decisiva em qualquer conflito naval futuro nos oceanos do mundo.

Engenheiros militares testando drone subaquático
O contrato de março de 2026 marca a transição oficial: drones subaquáticos autônomos saem dos laboratórios e entram nos submarinos de combate reais

Ressalvas

O contrato é para desenvolvimento e integração, não para produção em massa imediata de milhares de drones.

A operação em condições reais de combate — com contramedidas inimigas, correntes imprevisíveis e comunicações degradadas — ainda precisa ser extensivamente validada.

Drones subaquáticos enfrentam limitações de comunicação: a transmissão por fibra óptica tem alcance limitado, e a comunicação via satélite exige que o drone suba à superfície, potencialmente revelando a área geral de operação do submarino.

Ainda assim, a decisão de integrar drones autônomos nos tubos de torpedo dos Virginia-class sinaliza que a guerra submarina do futuro será travada cada vez mais por máquinas — comandadas por humanos que permanecem seguros, centenas de metros abaixo da superfície do oceano.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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