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Junho fora do padrão no Brasil: frio intenso, risco de geada e chegada do El Niño agora em 82% mudam o clima em várias regiões do país e deve trazer impactos economicos; veja como vai ser

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 02/06/2026 às 15:47 Atualizado em 02/06/2026 às 15:50
Clima no Brasil em junho
Imagem: Ilustração artística
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Junho deve ter frio forte, risco de geadas e chuva mal distribuída no Brasil, com influência do El Niño, queda de temperatura em várias regiões e alerta para lavouras de trigo, cana, café, milho, arroz e soja

Junho começa com frio intenso no Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste, queda de temperatura no Norte e redução das chuvas no Nordeste. A previsão da Tempo OK, também publicada no Globo Rural (LEIA AQUI), indica um mês fora do padrão, influenciado pela formação do El Niño no Oceano Pacífico e pelo aquecimento do Atlântico.

El Niño deve alterar o padrão típico de junho

Junho costuma ser um mês mais seco e frio em boa parte do Brasil. Em áreas como Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Tocantins, sul do Maranhão, sudoeste do Piauí e oeste da Bahia, a chuva normalmente fica abaixo de 20 milímetros.

Esse comportamento, porém, não deve se repetir em 2026. O meteorologista Celso Luis de Oliveira Filho, da Tempo OK, afirma que a formação do El Niño no Oceano Pacífico e o aquecimento do Atlântico devem mudar a distribuição da chuva e do frio.

O inverno começa oficialmente no dia 21 de junho, às 5h25, pelo horário de Brasília. Mesmo antes disso, massas de ar frio já devem provocar queda acentuada nas temperaturas em diferentes regiões do país.

A NOAA indicou, em relatório apresentado em 26 de maio, que a probabilidade de consolidação do El Niño subiu para 82% entre maio e julho. Apesar da proximidade do fenômeno, a tendência inicial é de intensidade fraca a moderada em junho.

Clima no Brasil em junho
Imagem: Agência Brasil

Primeira quinzena terá mais chuva no Sudeste, Centro-Oeste e Paraná

A previsão divide junho em dois momentos. Na primeira quinzena, as chuvas devem se concentrar mais no Sudeste, no Centro-Oeste e no Paraná.

Na segunda metade do mês, a condição muda de rota e passa a atingir principalmente Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

As simulações citadas pela Tempo OK indicam apenas 25 milímetros para a maior parte de São Paulo, Mato Grosso do Sul e sul de Minas Gerais. Mesmo assim, em áreas do Sul, os acumulados podem ser bem maiores.

Do norte do Rio Grande do Sul até o sul e oeste do Paraná, a previsão aponta volumes de até 150 milímetros.

Esse contraste mostra um mês irregular, com regiões próximas enfrentando condições bem diferentes ao longo de poucas semanas.

No Sudeste, a chuva deve superar a média climatológica em São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro e sul de Minas Gerais nos primeiros dias de junho. Depois, a segunda quinzena tende a ser mais seca e fria.

Frio intenso e geadas entram no radar após o dia 15

O frio será um dos principais pontos de atenção em junho. Segundo a previsão, o cenário observado em maio deve se repetir, com temperaturas baixas no Sul, Sudeste, Centro-Oeste e também no sul da Amazônia durante a segunda quinzena.

No Sul, o risco aumenta após o dia 15. A Tempo OK aponta possibilidade de declínio acentuado das temperaturas e formação de geadas, especialmente em áreas do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

No Sudeste, a possibilidade de geada também alcança São Paulo. No Centro-Oeste, o risco não está descartado em cidades de Mato Grosso do Sul próximas à divisa com o Paraná.

Na Serra da Mantiqueira, entre São Paulo e Minas Gerais, e entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina, junho normalmente já registra mínimas abaixo de 10°C.

Neste ano, o comportamento geral será influenciado por um padrão climático diferente do habitual.

Norte e Nordeste terão menos chuva em áreas importantes

No Norte, a aproximação do El Niño deve enfraquecer a Zona de Convergência Intertropical, conhecida como ZCIT. Com isso, a chuva tende a diminuir em Roraima, Amazonas e Pará.

Rondônia e Acre devem sentir episódios de frio associados à passagem de massas de ar polar pelo Sul, Sudeste e Centro-Oeste. No Amazonas, a previsão indica o comportamento oposto, com calor acima do normal.

No Nordeste, o enfraquecimento da ZCIT também reduz os volumes de chuva na área costeira entre a Bahia e o Maranhão.

O tempo quente deve continuar, enquanto o interior permanece seco, condição já característica deste período do ano.

A redução da chuva exige atenção em áreas agrícolas. Na Paraíba, Pernambuco e Alagoas, a diminuição dos volumes pode ampliar o déficit hídrico em regiões produtoras de cana-de-açúcar.

Agricultura pode sentir impactos da chuva, do frio e da baixa umidade

A previsão para junho acende alerta para o campo em todas as regiões. A chuva acima da média pode prejudicar a colheita de cana-de-açúcar, café e milho no Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo e sul de Minas Gerais.

A umidade elevada do solo também pode aumentar o risco de doenças nas lavouras de trigo do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Ao mesmo tempo, a queda acentuada das temperaturas e o risco de geada podem afetar áreas produtoras de trigo no Paraná.

Em São Paulo e Mato Grosso do Sul, a cana-de-açúcar também aparece entre as culturas vulneráveis ao frio. Já em Roraima, a baixa umidade do solo deve dificultar o desenvolvimento de arroz, soja e pastagens.

Celso Filho afirma que os maiores efeitos do El Niño devem aparecer a partir de setembro. A tendência indicada é de chuva excessiva no Sul, no sul de Mato Grosso do Sul e no oeste e sul de São Paulo.

Por outro lado, o início do período úmido deve atrasar no Matopiba, no Pará e no Amazonas. O meteorologista também aponta calor muito acima do normal no Pantanal, condição que contribui para queimadas.

Esta matéria foi elaborada com base em informações da Tempo OK e da NOAA, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

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Romário Pereira de Carvalho

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