Em meio ao desemprego, jovens pagam por dia para simular rotinas de trabalho em escritórios falsos
O aumento do número de desempregados tem impulsionado uma tendência curiosa: pessoas sem emprego estão pagando para simular rotinas de trabalho em escritórios alugados. Nessas empresas especializadas, os participantes fingem estar empregados enquanto buscam preencher o tempo e, em alguns casos, criar oportunidades reais de trabalho.
A tendência inusitada funciona basiscamente assim: jovens pagam para fingir que estão empregados em escritórios alugados.
Enquanto a maioria dos trabalhadores recebe para cumprir suas jornadas, alguns pagam valores diários apenas para simular um ambiente de trabalho.
-
Dois jovens inventores criam um tijolo de terracota que usa água, ar e energia solar para resfriar cidades, e a ideia aponta para prédios que deixam de piorar o calor urbano
-
Sem luz para milhões, Madagascar ganha proposta de hidrelétrica flutuante inspirada no baobá que promete energia limpa, estufas e turismo, mas ainda precisa sair do papel
-
China tem uma escadaria gigante de arroz esculpida por 1.300 anos nas montanhas, com até 3.000 terraços, 82 aldeias e 445 km de canais, mas a obra ancestral que venceu secas agora enfrenta turismo crescente, deslizamentos e abandono rural
-
Pressão de moradores faz concessionária de energia dos Estados Unidos suspender negociação com data center que poderia exigir 500 megawatts até 2032 e demandar novas linhas, reforços na rede elétrica e grandes investimentos em infraestrutura
Como funciona o serviço
Por taxas entre 30 e 50 yuans por dia (equivalente a US$ 4 a US$ 7), empresas especializadas oferecem aos clientes a experiência completa de um escritório.
Os pacotes incluem mesas, áreas de almoço, internet gratuita e até atividades fictícias.
Quem deseja uma experiência ainda mais realista pode desembolsar valores adicionais por tarefas simuladas, gerentes falsos e até encenações de conflitos entre “funcionários”.
Esses escritórios falsos têm se multiplicado em resposta à demanda de jovens desempregados. Em março, a taxa de desemprego entre jovens de 16 a 24 anos (excluindo estudantes) chegou a 16,5%.
Já entre os de 25 a 29 anos, o índice ficou em 7,2%. Com espaços comerciais baratos em grandes cidades como Pequim, o modelo se tornou financeiramente viável.
Motivações variadas dos participantes
As razões que levam os jovens a procurar esses serviços são diversas. Segundo reportagem do jornal espanhol El País, alguns buscam apenas uma alternativa econômica para sair de casa e socializar.
Outros acreditam que a experiência pode ajudá-los a conquistar um emprego real futuramente.
Xu Lin, criador de conteúdo e um dos participantes, explicou: “Embora alguns membros precisem de um lugar para fingir que trabalham, a maioria está lá porque acha interessante”.
Embora para muitos pareça estranho pagar para simular trabalho durante o desemprego, a cultura profissional chinesa apresenta particularidades que permitem o surgimento desse tipo de serviço.
Além de ser uma forma acessível de passar o tempo, para alguns jovens, esses ambientes oferecem um sentido de rotina e pertencimento em meio à instabilidade do mercado de trabalho.

Seja o primeiro a reagir!