Tecnologia desenvolvida no sul do Brasil reduz consumo de água e energia no campo e projeta jovem cientista para centros internacionais de pesquisa
Uma inovação tecnológica de grande impacto no agronegócio brasileiro começou a ganhar destaque a partir de 2015, quando uma estudante decidiu investigar soluções para o uso da água no campo.
Fabiane Kuhn, filha de uma faxineira e de um aposentado com renda de um salário mínimo, desenvolveu um sensor de umidade do solo patenteado que passou a orientar produtores sobre irrigação.
Atualmente, o equipamento já está presente em cerca de 5.000 hectares, distribuídos por 11 estados brasileiros e aplicado em mais de 20 culturas agrícolas, garantindo eficiência produtiva.
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Além disso, a tecnologia permite indicar com precisão quando e quanto irrigar, o que contribui diretamente para a redução do consumo de água e energia no campo.

Origem da tecnologia e contexto da crise hídrica
Inicialmente, a trajetória começou em 2015, na Escola Técnica Fundação Liberato, localizada em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul.
Na época, Fabiane tinha 16 anos e cursava técnico em eletrônica integrado ao ensino médio, durante um período em que o Brasil enfrentava uma crise hídrica severa.
Diante desse cenário, com reservatórios operando em volume morto, a estudante decidiu entender melhor as tecnologias utilizadas para o uso da água.
Segundo a própria pesquisadora, sua entrada no agro ocorreu pela tecnologia, e não por tradição familiar, o que reforça o caráter inovador da iniciativa.
Desenvolvimento do sensor e criação do protótipo
Posteriormente, Fabiane passou a trabalhar ao lado do colega Guilherme Ramos, analisando sensores disponíveis no mercado.
No entanto, os testes realizados não apresentaram resultados satisfatórios, o que levou a dupla a desenvolver uma nova solução voltada ao produtor rural.
Durante as férias de inverno, com acesso ao laboratório da escola, o protótipo foi criado de forma intensiva, aproveitando a estrutura disponível.
Em seguida, o projeto foi inscrito na Mostratec, considerada a maior feira de ciência e engenharia para estudantes do ensino médio da América Latina.
Reconhecimento científico e projeção internacional
Logo depois, o trabalho conquistou o primeiro lugar em engenharia eletrônica, garantindo classificação para a Regeneron International Science and Engineering Fair (ISEF).
A competição, organizada pela Society for Science, reúne cerca de 1.800 estudantes de até 80 países, sendo considerada a maior do mundo na área pré-universitária.
Além disso, segundo levantamento da Startup Network, o sensor desenvolvido passou a integrar a lista dos cinco melhores sensores de solo do mundo.
Com isso, a tecnologia abriu caminho para a participação de Fabiane em centros de pesquisa e programas de liderança nos Estados Unidos.
Expansão da startup e reconhecimento no mercado
Atualmente, aos 27 anos, Fabiane é fundadora e CEO da Raks Tecnologia Agrícola, sediada em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul.
Além disso, sua atuação no setor foi reconhecida pela Forbes Brasil, que a incluiu na lista Forbes Under 30, destacando jovens talentos em diferentes áreas.
Dessa forma, sua trajetória demonstra como uma solução criada em ambiente escolar pode alcançar impacto nacional e reconhecimento global.
Impacto direto no agro e eficiência produtiva
Ao mesmo tempo, o sensor desenvolvido permite decisões mais precisas sobre irrigação, reduzindo desperdícios e aumentando a eficiência no uso de recursos naturais.
Além disso, a tecnologia mantém a produtividade das lavouras ao indicar o momento ideal para irrigar, evitando excessos ou falhas no processo.
Portanto, o avanço reforça o papel da inovação tecnológica no agronegócio brasileiro e evidencia o potencial de soluções criadas a partir da pesquisa educacional.
Diante desse cenário, como iniciativas surgidas dentro de escolas técnicas podem continuar transformando o futuro da produção agrícola no Brasil?
