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Joliet aprova o maior data center dos EUA em Illinois com US$ 20 bilhões e 1,8 GW e marca novo round da corrida por capacidade IA

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Escrito por Douglas Avila Publicado em 11/05/2026 às 17:00 Atualizado em 11/05/2026 às 17:02
Vista aérea do futuro maior data center dos EUA, o Joliet Technology Center em Illinois com 1,8 GW
Vista aérea do sítio aprovado para o Joliet Technology Center, com 795 acres em Jackson Township. Foto: Hillwood / PowerHouse Data Centers.
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O conselho municipal de Joliet, em Illinois (EUA), aprovou em 20 de março de 2026 por 8 votos a 1 a construção do maior data center dos EUA por capacidade aprovada: o Joliet Technology Center, com US$ 20 bilhões de investimento, 795 acres (321 hectares) e 1,8 gigawatts de potência elétrica no buildout completo. A aprovação foi precedida por audiência pública de mais de seis horas e meia.

Conforme a Data Center Dynamics, o complexo será construído pela joint venture entre Hillwood Investment Properties (Dallas, da família Perot) e PowerHouse Data Centers (Virginia, subsidiária da American Real Estate Partners). O design prevê 24 prédios de dois andares com 6,9 milhões de pés quadrados (cerca de 640 mil m²) de área construída.

O local fica em Jackson Township, no cruzamento das estradas Rowell e Bernhard, perto do circuito Chicagoland Speedway, a aproximadamente 65 quilômetros a sudoeste de Chicago. Em paralelo, a aprovação envolveu mudança de zoneamento de agrícola A-1 para industrial leve I-1 e acordo formal de anexação ao município.

Os números do Joliet Technology Center, conforme a Hillwood, PowerHouse e o conselho municipal, contam a história em cinco pontos:

  • 1,8 gigawatts de potência total no buildout, próximo da capacidade da hidrelétrica Hoover Dam
  • US$ 20 bilhões de investimento total ao longo de quatro fases de construção
  • 10.000 empregos de construção em pico ao longo de cinco anos, mais 700 permanentes
  • US$ 2,1 bilhões em receita tributária ao município e distritos escolares em 30 anos
  • 24 prédios de dois andares totalizando 640 mil metros quadrados de área construída
Servidores em um data center hyperscale, modelo similar ao previsto para o maior data center dos EUA em Joliet
Servidores em data center hyperscale. Cada prédio do Joliet Technology Center pode hospedar dezenas de milhares de racks. Foto: Equinix.

Por que o maior data center dos EUA virou tema de debate em Joliet

A audiência pública de 17 de março de 2026 durou mais de seis horas e meia. Conforme a Real Deal, foi a maior reunião do conselho municipal de Joliet em décadas, com centenas de moradores presentes pedindo voto contra.

O voto foi adiado de segunda para quinta, dia 20 de março. Em paralelo, oito conselheiros aprovaram, e apenas Suzanna Ibarra votou contra. Os defensores citaram impacto fiscal positivo, e os opositores levantaram preocupações ambientais e de infraestrutura.

Conforme a Construction Owners, a Hillwood se comprometeu com US$ 100 milhões em pagamentos diretos ao município após a aprovação. Em paralelo, o acordo prevê doações para distrito escolar e Joliet Junior College.

O distrito Joliet Township High School recebe US$ 677 milhões ao longo de 30 anos. Já o Joliet Junior College fica com US$ 76 milhões. O município arrecada US$ 310 milhões diretamente.

Em paralelo, os opositores apontaram risco de sobrecarga na Commonwealth Edison (ComEd), companhia elétrica regional. Por isso, o projeto incluiu compromisso de instalação faseada de subestações dedicadas e contratos de transmissão aprovados pela FERC.

Audiência pública em Joliet, Illinois, sobre o maior data center dos EUA, com mais de 6 horas de debate
Audiência pública no City Hall de Joliet em 17 de março de 2026. O voto foi adiado para 20 de março após mais de 6 horas e meia de debate. Foto: Joliet City Council.

Quem é PowerHouse + Hillwood e por que escolheram Joliet

A Hillwood foi fundada em 1988 por Ross Perot Jr., filho do empresário texano e candidato presidencial Ross Perot. Conforme a Hillwood Communities, o grupo investe em desenvolvimento imobiliário industrial, residencial e logístico em mais de 20 estados americanos.

A PowerHouse Data Centers nasceu em 2021 como subsidiária da American Real Estate Partners (AREP). Em paralelo, a empresa se especializou em desenvolver data centers hyperscale para grandes operadores de nuvem.

A escolha de Joliet tem três motivos práticos. Já o primeiro é energia: a região tem rede ComEd robusta, com capacidade de expansão. O segundo é fibra: linhas troncais de internet conectam Chicago ao centro-oeste passando próximo. O terceiro é água: o Aquífero Cambriano-Ordoviciano dá abastecimento estável.

Em paralelo, Joliet tem zoneamento permissivo para indústria leve, força de trabalho disponível e proximidade com hub logístico (interestaduais 80, 55 e 355). Por isso, virou alvo natural de hyperscale.

O modelo financeiro prevê venda dos prédios para hyperscalers via build-to-suit. Conforme analistas, possíveis ocupantes incluem Google, Amazon, Meta e Oracle, embora nenhum tenant tenha sido confirmado publicamente.

Subestação de alta tensão em Illinois para suportar 1,8 GW de demanda do maior data center dos EUA
Subestação de alta tensão na rede ComEd, infraestrutura essencial para fornecer 1,8 GW ao Joliet Technology Center. Foto: ComEd.

1,8 GW: o que significa essa potência absurda

Conforme dados oficiais, 1,8 GW é energia suficiente para alimentar cerca de 1,5 milhão de residências americanas médias. Em paralelo, é praticamente a saída total da Hoover Dam (cerca de 2 GW).

O complexo vai consumir essa energia 24 horas por dia, sete dias por semana. Por isso, o impacto na rede regional é massivo, e a ComEd já anunciou planos de adicionar capacidade de geração e transmissão.

Conforme a ABC7 Chicago, consumidores residenciais da região expressam preocupação com possível repasse desses custos via tarifa. A ComEd afirmou que existem mecanismos regulatórios para isolar o consumo industrial pesado dos preços residenciais.

Em paralelo, o sistema de resfriamento será closed-loop, sem consumo significativo de água potável. O design utiliza glicol e ar para dissipação térmica, modelo aplicado em data centers do Texas e Arizona.

O ruído dos geradores de backup foi questão central da audiência pública. Por isso, a Hillwood comprometeu-se a usar geradores Tier 4 com supressão acústica avançada, padrão similar ao que vem sendo aplicado em projetos do Vale do Silício.

O contexto: Estados Unidos vivem boom histórico de data center IA

O Joliet entra num movimento maior. Conforme reportagem de mercado, Project Stargate, a iniciativa anunciada em janeiro de 2025 por OpenAI, SoftBank, Oracle e MGX (Abu Dhabi), prevê US$ 500 bilhões em investimento em infraestrutura de IA nos EUA ao longo de quatro anos.

Em paralelo, a Microsoft expande seu campus de Abilene, Texas, com mais 900 MW para chegar a 2,1 GW. Já a aquisição de 3.200 acres no Wyoming pela mesma Microsoft sinaliza apetite por escala ainda maior.

Conforme dados de mercado, o condado de Loudoun (Virginia), antigo epicentro mundial de data centers, viu demanda elétrica crescer 176% em cinco anos. Por isso, novos projetos migraram para Texas e Illinois, onde há terra abundante e energia disponível.

O CPG cobriu o componente de energia desse boom em cobertura sobre o avanço de tecnologias americanas em escala industrial, em paralelo. A próxima matéria sobre o acordo Microsoft-Chevron no Texas detalha a mesma lógica aplicada à geração elétrica dedicada.

Em paralelo, segundo o Crusoe, o campus de Abilene da OpenAI/Oracle já tem 1,2 GW completos, com planos de expansão. A Aligned Data Centers desenvolve Project Caprock no Texas com 540 MW em 313 acres.

Data center brasileiro em Tamboré, São Paulo, comparativo regional ao maior data center dos EUA em Joliet
Data center brasileiro em Tamboré, São Paulo. O mercado nacional cresce 22,5% ao ano e deve chegar a US$ 3,7 bilhões em 2026. Foto: Equinix.

Como o Brasil entra no mapa global de data centers IA

O Brasil tem mercado de data center em crescimento acelerado, mas em escala bem menor que a americana. Conforme a IDC Latin America, o setor cresce 22,5% ao ano e deve chegar a US$ 3,7 bilhões em 2026.

Em paralelo, os principais operadores nacionais são Equinix, Tivit, Ascenty (Digital Realty), Odata e Scala. Por isso, há concentração entre operadores globais com presença local e poucos jogadores 100% brasileiros.

Conforme a Scala, o Rio AI City no Rio de Janeiro vai chegar a 3,2 GW de capacidade ao longo de uma década, alimentado 100% por fontes renováveis. Em paralelo, esse projeto é maior que o Joliet em capacidade nominal, mas cronograma mais longo.

O Brasil tem vantagem em fontes renováveis: a matriz elétrica nacional é 80%+ renovável, contra 21% nos EUA. Já o ponto fraco é latência internacional e custo cambial em equipamentos importados.

Em paralelo, a expansão brasileira passa por Eldorado do Sul (RS), Tamboré (SP), Hortolândia (SP) e Vinhedo (SP). Por isso, há concentração no eixo Sudeste, próximo aos grandes centros de demanda corporativa.

O cronograma e o que vem em 2027

A Hillwood projeta início de construção entre o final de 2026 e o começo de 2027. Conforme o cronograma divulgado, a primeira fase de prédios entra em operação em 2028, com buildout completo até 2032.

Em paralelo, as quatro fases não dependem entre si. Por isso, mesmo que algum tenant atrase ou desista, o complexo pode operar parcialmente sem perder o acordo de zoneamento aprovado.

Conforme a PowerHouse, conversações com hyperscalers sobre compromisso de capacidade já estão avançadas. Já a confirmação pública de quem vai ocupar os prédios deve sair entre 2026 e 2027.

O caso Joliet abre precedente para outras cidades do meio-oeste. Em paralelo, projetos similares já estão em discussão em Wisconsin, Indiana e Ohio, com mesma lógica de proximidade com Chicago e disponibilidade de terra.

O fluxo de capital sugere que esse modelo veio para ficar. Conforme analistas do JLL, novos data centers hyperscale aprovados nos EUA em 2026 já totalizam mais de 30 GW de capacidade combinada, escala sem precedente.

Vale ressaltar, contudo, que nenhum tenant tem ocupação confirmada publicamente para o Joliet Technology Center no momento. A Hillwood e a PowerHouse podem ajustar fases conforme a demanda real do mercado de IA evolua. A matéria será atualizada conforme contratos de tenant sejam anunciados ou cronograma de construção revisado.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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