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Jim Farley, CEO da Ford: “Os carros elétricos muito caros não estavam vendendo.”

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 26/12/2025 às 10:39
Ford revê estratégia após queda nos elétricos, investe US$ 19,5 bilhões e amplia aposta em híbridos para atender demanda real do mercado.
Ford revê estratégia após queda nos elétricos, investe US$ 19,5 bilhões e amplia aposta em híbridos para atender demanda real do mercado.
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Após a queda de 5% no mercado de veículos elétricos nos Estados Unidos, a Ford revê sua estratégia, redireciona US$ 19,5 bilhões, amplia o foco em híbridos e projeta que 50% de suas vendas futuras venham de modelos eletrificados

O CEO da Ford, Jim Farley, afirmou que elétricos entre US$ 50.000 e US$ 80.000 não venderam, após retração de 5% do mercado nos EUA, levando a empresa a apoiar mudanças regulatórias e redirecionar US$ 19,5 bilhões.

Reação ao mercado e mudança regulatória

Após o anúncio de Donald Trump sobre o relaxamento das normas CAFE, a Ford foi uma das primeiras a apoiar a medida, sinalizando mudança completa frente aos planos recentes de eletrificação integral.

Em entrevista recente à CNBC, Jim Farley foi direto ao avaliar o cenário, afirmando que os últimos meses mostraram queda de 5% no mercado de elétricos nos Estados Unidos.

Segundo ele, a retração afetou sobretudo os veículos elétricos mais caros, na faixa de US$ 50.000, US$ 70.000 e US$ 80.000, que não estavam encontrando demanda suficiente entre os consumidores americanos.

Farley explicou que a empresa havia planejado uma linha completa de veículos elétricos, mas também mantinha híbridos, aprendendo com o comportamento real do mercado e decidindo ouvir os clientes.

Avaliação estratégica e impacto financeiro

O apresentador da entrevista observou que a mudança representava um investimento de US$ 19,5 bilhões, valor elevado para admitir que a estratégia anterior não entregou os resultados esperados com elétricos puros.

Farley reconheceu o custo envolvido, afirmando que a decisão era necessária para permitir foco no que os clientes realmente desejam comprar, em vez de projeções que não se confirmaram no mercado.

Ele ressaltou que a realidade observada orientou a estratégia, destacando que a empresa acompanha os clientes onde o mercado está hoje, não onde se esperava que estivesse anteriormente.

Segundo Farley, essa abordagem tende a melhorar a lucratividade das empresas, beneficiar acionistas e impulsionar a criação de muitos novos empregos nos Estados Unidos, reforçando a lógica econômica da mudança.

Plataforma elétrica acessível e caminho à lucratividade

O executivo afirmou que a Ford possui uma plataforma elétrica acessível, a UEV, com preços a partir de US$ 30.000, considerada central para o novo portfólio da montadora.

Ele destacou que a empresa conhece bem seus clientes e não está tentando adivinhar preferências, mas oferecer produtos alinhados à demanda observada, combinando elétricos, híbridos e soluções intermediárias.

Farley enfatizou que, com essa reorientação, a divisão de veículos elétricos da Ford passou a ter um caminho claro para a lucratividade, algo que não existia antes dessa decisão.

Segundo ele, o portfólio atual permitiria à equipe focar em levar esses produtos ao mercado de forma consistente, apoiada em preços acessíveis e maior diversidade tecnológica.

Expansão dos híbridos e metas de participação

As mudanças introduzem uma nova abordagem para a eletrificação, com um portfólio mais amplo e variado, integrando híbridos, elétricos e elétricos de autonomia estendida, conhecidos como EREVs.

A meta anunciada é que 50% das vendas da empresa sejam compostas por essas categorias, crescimento expressivo frente aos atuais 17% registrados no portfólio da montadora.

Farley afirmou que a Ford vinha ocupando a terceira posição no mercado de híbridos nos Estados Unidos, mas lidera o segmento de picapes híbridas com cerca de 80% de participação.

Segundo ele, a empresa passará a fabricar o Bronco e toda a linha com versões híbridas, reforçando o foco nesse segmento onde o desempenho comercial tem sido mais consistente.

Resultados recentes e perspectiva de mercado

O executivo destacou que as vendas de híbridos representavam 20% do total, mas em alguns meses passaram a alcançar 30%, impulsionadas pela F-150, veículo mais vendido nos Estados Unidos.

Ele sugeriu imaginar uma Ford com toda a linha incluindo híbridos e EREVs, combinada a uma plataforma elétrica acessível, formando uma base sólida para atender diferentes perfis de consumidores.

Farley concluiu afirmando que a empresa acredita estar seguindo o caminho certo, alinhado ao que os americanos querem comprar hoje, refletindo preferências reais do mercado automotivo atual.

Essa estratégia, segundo ele, reconhece o mommento do mercado e busca equilibrar eletrificação, acessibilidade e demanda, evitando repetir apostas que não encontraram tração suficiente.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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