Após a queda de 5% no mercado de veículos elétricos nos Estados Unidos, a Ford revê sua estratégia, redireciona US$ 19,5 bilhões, amplia o foco em híbridos e projeta que 50% de suas vendas futuras venham de modelos eletrificados
O CEO da Ford, Jim Farley, afirmou que elétricos entre US$ 50.000 e US$ 80.000 não venderam, após retração de 5% do mercado nos EUA, levando a empresa a apoiar mudanças regulatórias e redirecionar US$ 19,5 bilhões.
Reação ao mercado e mudança regulatória
Após o anúncio de Donald Trump sobre o relaxamento das normas CAFE, a Ford foi uma das primeiras a apoiar a medida, sinalizando mudança completa frente aos planos recentes de eletrificação integral.
Em entrevista recente à CNBC, Jim Farley foi direto ao avaliar o cenário, afirmando que os últimos meses mostraram queda de 5% no mercado de elétricos nos Estados Unidos.
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Segundo ele, a retração afetou sobretudo os veículos elétricos mais caros, na faixa de US$ 50.000, US$ 70.000 e US$ 80.000, que não estavam encontrando demanda suficiente entre os consumidores americanos.
Farley explicou que a empresa havia planejado uma linha completa de veículos elétricos, mas também mantinha híbridos, aprendendo com o comportamento real do mercado e decidindo ouvir os clientes.
Avaliação estratégica e impacto financeiro
O apresentador da entrevista observou que a mudança representava um investimento de US$ 19,5 bilhões, valor elevado para admitir que a estratégia anterior não entregou os resultados esperados com elétricos puros.
Farley reconheceu o custo envolvido, afirmando que a decisão era necessária para permitir foco no que os clientes realmente desejam comprar, em vez de projeções que não se confirmaram no mercado.
Ele ressaltou que a realidade observada orientou a estratégia, destacando que a empresa acompanha os clientes onde o mercado está hoje, não onde se esperava que estivesse anteriormente.
Segundo Farley, essa abordagem tende a melhorar a lucratividade das empresas, beneficiar acionistas e impulsionar a criação de muitos novos empregos nos Estados Unidos, reforçando a lógica econômica da mudança.
Plataforma elétrica acessível e caminho à lucratividade
O executivo afirmou que a Ford possui uma plataforma elétrica acessível, a UEV, com preços a partir de US$ 30.000, considerada central para o novo portfólio da montadora.
Ele destacou que a empresa conhece bem seus clientes e não está tentando adivinhar preferências, mas oferecer produtos alinhados à demanda observada, combinando elétricos, híbridos e soluções intermediárias.
Farley enfatizou que, com essa reorientação, a divisão de veículos elétricos da Ford passou a ter um caminho claro para a lucratividade, algo que não existia antes dessa decisão.
Segundo ele, o portfólio atual permitiria à equipe focar em levar esses produtos ao mercado de forma consistente, apoiada em preços acessíveis e maior diversidade tecnológica.
Expansão dos híbridos e metas de participação
As mudanças introduzem uma nova abordagem para a eletrificação, com um portfólio mais amplo e variado, integrando híbridos, elétricos e elétricos de autonomia estendida, conhecidos como EREVs.
A meta anunciada é que 50% das vendas da empresa sejam compostas por essas categorias, crescimento expressivo frente aos atuais 17% registrados no portfólio da montadora.
Farley afirmou que a Ford vinha ocupando a terceira posição no mercado de híbridos nos Estados Unidos, mas lidera o segmento de picapes híbridas com cerca de 80% de participação.
Segundo ele, a empresa passará a fabricar o Bronco e toda a linha com versões híbridas, reforçando o foco nesse segmento onde o desempenho comercial tem sido mais consistente.
Resultados recentes e perspectiva de mercado
O executivo destacou que as vendas de híbridos representavam 20% do total, mas em alguns meses passaram a alcançar 30%, impulsionadas pela F-150, veículo mais vendido nos Estados Unidos.
Ele sugeriu imaginar uma Ford com toda a linha incluindo híbridos e EREVs, combinada a uma plataforma elétrica acessível, formando uma base sólida para atender diferentes perfis de consumidores.
Farley concluiu afirmando que a empresa acredita estar seguindo o caminho certo, alinhado ao que os americanos querem comprar hoje, refletindo preferências reais do mercado automotivo atual.
Essa estratégia, segundo ele, reconhece o mommento do mercado e busca equilibrar eletrificação, acessibilidade e demanda, evitando repetir apostas que não encontraram tração suficiente.

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