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Japão testa uma turbina flutuante no “rio invisível” que corre dentro do oceano: máquina submersa captura a corrente Kuroshio a 50 metros de profundidade e tenta gerar eletricidade contínua sem sol, vento ou barragens

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 27/05/2026 às 19:40 Atualizado em 27/05/2026 às 20:00
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Kairyu submarine turbine
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Japão testa turbina submarina Kairyu para gerar eletricidade contínua usando a corrente oceânica Kuroshio sem depender de sol ou vento.

Enquanto boa parte do mundo aposta quase exclusivamente em painéis solares e turbinas eólicas, o Japão está tentando transformar uma das correntes oceânicas mais poderosas do planeta em fonte contínua de eletricidade. O projeto envolve uma enorme turbina submarina chamada Kairyu, desenvolvida pela gigante japonesa IHI em parceria com a NEDO, agência nacional japonesa de tecnologia industrial e energia.

A máquina opera submersa entre 30 e 50 metros de profundidade e tenta capturar energia da corrente marítima Kuroshio, um gigantesco fluxo oceânico comparado frequentemente ao Gulf Stream do Atlântico Norte. Diferentemente da energia solar ou eólica, a proposta japonesa é gerar eletricidade continuamente usando um “rio invisível” que flui permanentemente dentro do oceano.

A corrente Kuroshio é um dos maiores fluxos oceânicos do planeta

A Kuroshio é uma corrente quente e extremamente poderosa que sobe pela costa do Japão transportando enormes volumes de água do Pacífico tropical.

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Segundo estudos oceanográficos, ela pode atingir dezenas de milhões de metros cúbicos de água por segundo e exerce enorme influência no clima, nos ecossistemas marinhos e até na formação de tufões no Pacífico ocidental. O mais importante para o projeto energético é a estabilidade do fluxo.

Ao contrário do vento e da radiação solar, a corrente oceânica sofre variações muito menores ao longo do dia e das estações. Isso transformou a Kuroshio em alvo estratégico para pesquisadores japoneses interessados em energia renovável contínua.

Turbina Kairyu funciona como um avião submerso preso ao fundo do mar

O visual da máquina lembra um enorme avião submarino. A estrutura possui:

  • um cilindro central flutuante
  • duas turbinas laterais
  • rotores que giram em sentidos opostos
  • sistema automático de controle de profundidade
  • ancoragem ao fundo do mar

Segundo a IHI, os rotores contra-rotativos ajudam a estabilizar o equipamento debaixo d’água enquanto a corrente oceânica atravessa as pás.

O sistema permanece ancorado ao fundo oceânico, mas flutua parcialmente submerso graças ao equilíbrio entre:

  • empuxo
  • peso estrutural
  • força da corrente marítima

A máquina também consegue ajustar sua profundidade usando sensores de pressão e mecanismos internos de controle de flutuabilidade.

Japão conseguiu gerar eletricidade real usando a corrente oceânica

A Kairyu deixou de ser apenas conceito teórico. A IHI informou que a turbina conseguiu gerar aproximadamente 100 kW de potência durante os testes realizados próximos à ilha de Kuchinoshima, no sul do Japão. O sistema utiliza:

  • dois geradores de 50 kW
  • rotores com cerca de 11 metros de diâmetro
  • operação em correntes próximas de 1,5 metro por segundo
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Os testes ocorreram entre 2019 e 2021 em áreas reais da corrente Kuroshio, permitindo avaliar estabilidade, eficiência e resistência estrutural em ambiente oceânico profundo.

Projeto quer transformar o fundo do mar em fazendas de energia contínua

O objetivo japonês vai muito além do protótipo atual. Segundo documentos técnicos da IHI e da NEDO, a ideia futura é criar turbinas muito maiores, chegando a:

  • aproximadamente 40 metros de diâmetro
  • potência na faixa de 1 MW a 2 MW
  • instalação em fazendas submarinas conectadas por cabos submarinos

A expectativa é que essas turbinas fiquem operando continuamente em profundidades de cerca de 50 metros, capturando energia do fluxo permanente da Kuroshio.

Japão testa uma turbina flutuante no “rio invisível” que corre dentro do oceano: máquina submersa captura a corrente Kuroshio
Kairyu submarine turbine

Segundo estimativas citadas em estudos energéticos japoneses, o potencial teórico da corrente pode ultrapassar 200 GW, valor comparável a grande parte da capacidade elétrica atual do Japão.

Energia oceânica tenta resolver um dos maiores problemas das renováveis

A grande vantagem da corrente oceânica está na previsibilidade. Painéis solares deixam de gerar energia à noite. Turbinas eólicas dependem da intensidade do vento. Já correntes marítimas profundas mantêm fluxo relativamente constante durante praticamente todo o ano.

Isso faz da energia oceânica uma candidata importante para:

  • geração contínua
  • estabilidade da rede elétrica
  • apoio a ilhas remotas
  • substituição parcial de combustíveis fósseis

Pesquisadores japoneses afirmam que correntes oceânicas podem complementar solar e eólica justamente nos momentos em que essas fontes falham.

Manutenção em alto-mar continua sendo um dos maiores desafios

Apesar do avanço tecnológico, os obstáculos continuam enormes. Operar turbinas gigantes submersas exige enfrentar:

  • corrosão marítima extrema
  • pressão oceânica
  • manutenção complexa
  • tempestades
  • bioincrustação marinha
  • custos elevados de instalação

Além disso, conectar fazendas submarinas à rede elétrica exige infraestrutura oceânica sofisticada e cara. Os próprios documentos técnicos da IHI mostram que grande parte do projeto atual ainda está focada justamente em validar durabilidade, confiabilidade e viabilidade econômica de longo prazo.

Japão aposta no oceano porque tem pouco espaço para grandes renováveis terrestres

O interesse japonês em energia oceânica também tem motivo geográfico. O país possui:

  • território montanhoso
  • alta densidade populacional
  • espaço limitado para grandes usinas terrestres
  • dependência energética histórica

Ao mesmo tempo, o Japão é cercado por correntes oceânicas extremamente fortes. Isso transformou o mar em uma das principais apostas estratégicas do país para tentar ampliar produção renovável contínua sem ocupar grandes áreas urbanas ou agrícolas.

O “rio invisível” do Pacífico pode virar uma nova fronteira energética

Durante séculos, a corrente Kuroshio foi vista apenas como fenômeno natural importante para clima, pesca e navegação.

Agora, engenheiros japoneses tentam transformá-la em algo muito maior: uma usina oceânica permanente funcionando silenciosamente debaixo do mar.

E talvez seja justamente isso que torna o projeto tão impressionante: enquanto o mundo olha para o céu em busca de vento e sol, o Japão tenta capturar energia de um rio gigantesco que corre invisivelmente dentro do próprio oceano.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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