O Japão acelerou o projeto OHISAMA, que significa “Sol” em japonês, e prepara o lançamento de um satélite de 180 quilos capaz de captar energia solar em órbita a 400 quilômetros de altitude e transmiti-la para uma estação receptora na Terra por meio de micro-ondas. A potência inicial será de apenas 1 quilowatt, suficiente para ligar uma cafeteira, mas o objetivo é validar a tecnologia antes de escalar para 1 gigawatt até 2050. A iniciativa é coordenada pela Japan Space Systems com financiamento do governo japonês.
O Japão está construindo uma forma de gerar energia solar que não depende de clima, horário nem de painéis instalados no chão. O projeto OHISAMA prevê o lançamento de um satélite equipado com painel solar de 2 metros quadrados em órbita baixa, a 400 quilômetros de altitude, onde a luz do Sol é mais intensa e constante do que na superfície terrestre. A energia solar captada no espaço será convertida em micro-ondas e enviada diretamente para uma estação receptora na região de Saitama, no Japão, em uma área de recepção com raio de 40 quilômetros.
A potência prevista para a fase inicial é de apenas 1 quilowatt, o equivalente a manter uma cafeteira ligada por algumas horas. Mas o objetivo não é gerar volume: é provar que a transmissão de energia solar do espaço para a Terra funciona com precisão e segurança. Se o teste for bem-sucedido, a Japan Space Systems planeja escalar a tecnologia para um satélite em órbita geoestacionária a 36 mil quilômetros de altitude, com capacidade de transmitir 1 gigawatt de potência até 2050, o suficiente para abastecer centenas de milhares de residências.
Por que a energia solar no espaço é diferente da terrestre

A limitação mais conhecida dos painéis solares convencionais é que eles só funcionam durante o dia e perdem eficiência sob nuvens, chuva e poluição atmosférica. No espaço, a energia solar é constante: o sol não se põe, não há nuvens e a radiação é significativamente mais intensa do que ao nível do mar, onde a atmosfera absorve parte da energia antes que ela chegue aos painéis.
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Essa diferença muda completamente a equação energética. Um painel solar no espaço capta energia solar 24 horas por dia, 365 dias por ano, sem interrupção noturna e sem variação sazonal. A eficiência de captação é superior porque não há filtro atmosférico, e o sistema não ocupa área no solo, dispensando os vastos terrenos que fazendas solares terrestres exigem. Para regiões remotas ou zonas de desastre sem infraestrutura elétrica, a energia solar transmitida do espaço poderia fornecer eletricidade de emergência sem a instalação de nenhum equipamento local.
Como o satélite OHISAMA transforma luz em micro-ondas

O processo técnico do OHISAMA é direto. O satélite de 180 quilos captará energia solar por meio de seu painel fotovoltaico orbital. Essa energia solar será convertida em um feixe de micro-ondas direcionado com precisão para a estação receptora na Terra, onde antenas especializadas reconverterão as micro-ondas em eletricidade utilizável.
A escolha de micro-ondas como meio de transmissão não é aleatória. Ao contrário de laser ou luz visível, as micro-ondas atravessam nuvens e chuva sem perda significativa de potência, o que garante que a transmissão da energia solar funcione independentemente das condições climáticas na superfície. A equipe japonesa também vai estudar possíveis impactos na ionosfera, camada da atmosfera que abriga sinais de GPS e telecomunicações, como parte do protocolo experimental antes de qualquer ampliação.
A segurança do feixe de micro-ondas que vem do espaço
A preocupação com radiação é legítima, mas os dados técnicos tranquilizam. A densidade do feixe de micro-ondas que transmite a energia solar é comparável à da luz solar comum em um dia ensolarado, segundo análises publicadas por especialistas do setor. Sanjay Vijendran, da Agência Espacial Europeia, afirmou que o risco de queimadura solar seria maior do que qualquer dano causado pelo feixe.
A precisão da transmissão será o principal indicador de sucesso do teste. Se o feixe de energia solar se desviar da estação receptora, a potência se dissipa de forma segura na atmosfera sem causar danos. A tecnologia foi projetada para que a área de recepção seja grande o suficiente para absorver variações de direcionamento, e o satélite terá sistemas de controle que desligam a transmissão caso detectem desvio acima dos limites tolerados.
O que outros países estão fazendo com energia solar espacial
O Japão não é o único país que pesquisa a captação de energia solar no espaço. Os Estados Unidos desenvolvem os projetos PRAM e MAPLE, este último liderado pelo Caltech, que já realizou testes de transmissão de energia solar por micro-ondas em pequena escala. A China também anunciou planos para uma estação orbital de energia solar, e a Agência Espacial Europeia conduz estudos de viabilidade sobre o tema.
O Brasil não participa de nenhum projeto de energia solar espacial no momento, mas o sucesso do OHISAMA no Japão poderia abrir caminho para parcerias futuras.
A posição geográfica brasileira no Hemisfério Sul e sua liderança em produção fotovoltaica terrestre o colocam como receptor natural caso a tecnologia avance para fase comercial nas próximas décadas. no Hemisfério Sul e sua liderança em produção fotovoltaica terrestre o colocam como receptor natural caso a tecnologia avance para fase comercial nas próximas décadas.
A transição da fase experimental para a geração em escala dependerá de redução de custos de lançamento, avanços em transmissão de alta potência e acordos internacionais sobre uso do espectro de micro-ondas.
Você acha que energia solar captada no espaço e enviada por micro-ondas vai se tornar realidade ou é ficção científica demais? O que mais impressiona: a ideia de gerar eletricidade 24 horas sem nuvem, o feixe de micro-ondas ou o plano de 1 gigawatt até 2050? Conta nos comentários.
