Negociação deve começar em junho e pode mexer com tarifas na América do Sul, abrir espaço para exportações brasileiras de petróleo e ampliar a disputa por minerais críticos.
O Japão quer abrir em junho uma negociação com o Mercosul para criar um acordo de parceria econômica que pode reduzir tarifas sobre carros e autopeças japonesas na América do Sul. A movimentação mira diretamente um dos mercados mais sensíveis do bloco e pode alterar a conta de competitividade de montadoras que hoje vendem na região.
Segundo quatrorodas.abril.com.br, a negociação também envolve energia e minerais estratégicos, dois temas que ganharam peso na estratégia japonesa. No radar estão desde o petróleo brasileiro até terras raras e lítio, em uma tentativa de reduzir dependências externas e reforçar o abastecimento do país asiático.
O anúncio pode avançar durante a cúpula do G7, na França, em encontros da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, com os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Argentina, Javier Milei. O setor automotivo aparece como prioridade imediata, mas a pauta é bem mais ampla do que isso.
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Tarifas de mais de 13% colocam montadoras japonesas em desvantagem
Hoje, montadoras japonesas enfrentam tarifas médias acima de 13% em países como Brasil e Argentina. É um peso relevante para marcas que disputam espaço em mercados onde o preço final conta muito na decisão de compra.
Ao mesmo tempo, o governo japonês quer evitar perder terreno para fabricantes europeias depois da entrada em vigor provisória do acordo entre Mercosul e União Europeia. Esse tratado dá vantagens tarifárias a grupos como Volkswagen, Stellantis e Renault, e acendeu o alerta em Tóquio.
Toyota, Honda e Nissan podem ganhar espaço na região
Entre as empresas que podem se beneficiar de um eventual acordo estão Toyota, Honda e Nissan. Na prática, um alívio tarifário pode melhorar a posição dessas marcas no Mercosul, especialmente em um cenário de concorrência mais dura com grupos europeus.
Hoje, nenhum carro produzido no Mercosul é exportado ao Japão. No sentido contrário, veículos de marcas japonesas continuam sendo importados para países sul-americanos, incluindo modelos da Lexus e da Subaru. Se a negociação avançar, a relação comercial entre os dois lados pode ganhar outra escala.
Brasil vira peça central na busca por petróleo e minerais críticos
Além do setor automotivo, o Japão quer reforçar sua segurança energética. O país importa cerca de 90% do petróleo bruto que consome do Oriente Médio e sofreu impactos recentes após interrupções no Estreito de Ormuz.
Nesse cenário, o Brasil passou a ser visto como alternativa estratégica. Durante visita a Tóquio, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que a Petrobras está pronta para ampliar exportações ao mercado japonês.
Outro ponto sensível é o fornecimento de minerais críticos usados em baterias e veículos eletrificados. O Japão quer reduzir a dependência da China no acesso a terras raras, enquanto o Brasil tem uma das maiores reservas mundiais desses materiais. Já a Argentina aparece como uma das principais produtoras globais de lítio.
Resistência agrícola ficou para trás, e a urgência agora é outra
O acordo entre Mercosul e Japão vem sendo discutido há anos, mas esbarrava na resistência do setor agrícola japonês, sobretudo por causa da importação de carne bovina sul-americana. A crise energética recente, porém, alterou a prioridade do governo japonês.
Com a pressão sobre energia, minerais e competitividade industrial, a negociação ganhou novo fôlego. Para a indústria automotiva japonesa, o movimento virou urgente depois do avanço do pacto entre Mercosul e União Europeia, que pode deixar as marcas asiáticas em desvantagem dentro de um dos mercados mais relevantes fora dos grandes centros tradicionais.
Se a conversa andar, o impacto pode ir muito além dos carros mais baratos. O acordo pode redesenhar rotas de comércio, fortalecer exportações brasileiras e colocar o Mercosul no centro de uma disputa global por energia e matérias-primas. Se você acompanha o setor, vale ficar de olho nos próximos passos dessa negociação.

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