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Itaú encerra serviço, coloca 350 na ‘rua’ e gera tensão interna após fechar operação criada há apenas 10 meses; funcionários denunciam pressão por metas, falhas no sistema e custos extras para atender clientes

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 02/06/2026 às 18:55
Atualizado em 02/06/2026 às 18:59
Itaú encerra Emps+ e afeta 350 bancários, segundo a Contec; caso envolve metas, realocação e atendimento empresarial.
Itaú encerra Emps+ e afeta 350 bancários, segundo a Contec; caso envolve metas, realocação e atendimento empresarial.
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Encerramento do Emps+ mobilizou entidades sindicais e trabalhadores do Itaú após a descontinuação de uma operação criada recentemente para atendimento empresarial, com relatos atribuídos à Contec sobre cortes, critérios de desempenho, mudanças na rotina das agências e custos adicionais em funções externas.

O Itaú descontinuou o Emps+, segmento interno voltado ao atendimento empresarial, e provocou questionamentos de trabalhadores ligados à operação, que relatam surpresa com a decisão, falta de transparência nos critérios de avaliação e dúvidas sobre a continuidade profissional dentro do banco.

Segundo a Contec, Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito, e o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, cerca de 400 pessoas integravam a área, mas apenas 50 devem ser realocadas em dois novos projetos internos.

Com isso, aproximadamente 350 trabalhadores terão de buscar recolocação por conta própria na instituição, conforme informações divulgadas pelas entidades sindicais.

A mudança passou a valer em 27 de maio de 2026 e atingiu uma estrutura criada havia menos de um ano dentro do ecossistema do Itaú Empresas, voltado a pequenos empreendedores.

Em julho de 2025, o banco havia anunciado o Itaú Emps, plataforma digital para pessoas jurídicas, com serviços como pagamentos, recebimentos, integração com adquirência e crédito, além de suporte pelo aplicativo.

Fim do Emps+ atinge cerca de 400 trabalhadores no Itaú

A Contec e entidades sindicais ligadas aos bancários afirmam que a principal reclamação envolve o modo como o encerramento foi comunicado e a ausência de um plano amplo de transição para os funcionários afetados pela decisão.

Na avaliação dos representantes dos trabalhadores, a maior parte dos empregados ficou sem uma rota definida de aproveitamento interno, apesar de o serviço ter sido implantado recentemente.

Com o fechamento do Emps+, funcionários relatam aumento da tensão nas agências e nas áreas de atendimento empresarial, especialmente entre profissionais que aguardam definição sobre realocação ou desligamento.

Relatos reunidos pela Contec e por entidades de classe apontam cobrança por explicações sobre os critérios usados pelo banco para definir quem permaneceria nos novos projetos e quem passaria a disputar outras vagas dentro da própria companhia.

O sindicato também afirma que a situação ampliou a percepção de insegurança entre funcionários que já vinham questionando metas, ferramentas internas e mudanças operacionais nas unidades.

A entidade informou que seguirá acompanhando a rotina das agências e cobrando mais clareza nos processos conduzidos pela área de Recursos Humanos do Itaú.

Avaliação por metas vira foco de disputa entre bancários

O ponto mais citado nos relatos de trabalhadores envolve a avaliação de produtividade, usada pelo banco para medir o desempenho de funcionários ligados ao segmento encerrado.

De acordo com a Contec e com o sindicato, bancários relataram ter atingido metas contratuais, mas mesmo assim teriam sido classificados como “abaixo do esperado” por causa de falhas, omissões de pontos ou inconsistências no sistema interno de acompanhamento.

Para as entidades sindicais, a combinação entre metas, registros operacionais e ferramentas de gestão gerou dúvidas sobre a aferição real do desempenho dos profissionais avaliados.

Entre os trabalhadores, a falta de detalhamento nos dados usados nas avaliações é apontada como um obstáculo para contestar resultados e compreender os motivos de uma classificação negativa.

Em resposta formal enviada ao sindicato, o Itaú afirmou que os desligamentos ocorreram “exclusivamente por performance” e negou a existência de erros ou distorções no sistema de medição de produtividade.

Representantes dos empregados contestam a posição do banco e cobram acesso mais transparente aos critérios adotados nos processos de avaliação e realocação interna.

Além da avaliação individual, a categoria questiona os efeitos das mudanças sobre a rotina comercial, especialmente para profissionais transferidos a modalidades com novas exigências de atendimento.

Segundo os relatos encaminhados à Contec e às demais entidades, parte dos trabalhadores passou a lidar com deslocamentos, reorganização de carteira e cobrança por resultado sem considerar suficiente a estrutura oferecida pela instituição.

Custos de deslocamento ampliam reclamações na modalidade Pro

Outra queixa registrada pela Contec envolve funcionários migrados para a modalidade Pro, na qual o gerente precisa visitar clientes presencialmente durante a jornada de trabalho.

Segundo relatos apresentados pelas entidades, trabalhadores afirmam que o banco exige o uso de veículo próprio para atendimentos externos, enquanto o reembolso de combustível não acompanharia os preços praticados nos postos.

A reclamação também inclui a informação de que, conforme os bancários ouvidos pelas entidades, o uso de transporte por aplicativo não seria permitido nessa função.

Na prática, os funcionários dizem que parte dos custos necessários para atender clientes acaba ficando sob responsabilidade do próprio empregado, o que elevou a insatisfação com a reorganização da área.

A mudança também interfere na dinâmica das agências, já que deslocamentos externos reduzem o tempo disponível para tarefas internas e exigem readequação das agendas de atendimento.

Enquanto reorganizam a rotina, bancários relatam cobrança simultânea por atendimento, metas comerciais e adaptação a novas plataformas, em um período de indefinição sobre o futuro de parte das equipes.

Na avaliação da Contec e de representantes sindicais, o fechamento do serviço se soma a questionamentos sobre decisões rápidas, metas contestadas e mudanças de função em áreas que já acumulavam reclamações sobre cobrança intensa no cotidiano.

Clientes do Emps+ serão redistribuídos após encerramento

Com o encerramento do Emps+, os clientes que eram acompanhados pela estrutura interna devem ser absorvidos por outros canais e modelos de atendimento do banco.

O Itaú Emps, mantido como plataforma digital para pequenos empreendedores, segue apresentado pelo banco como uma solução de autosserviço, sem gerente ou agência física, com suporte direto pelo aplicativo.

A alteração, no entanto, levou trabalhadores a questionar como será mantido o atendimento humanizado antes prestado a carteiras selecionadas pelo segmento encerrado.

Funcionários ouvidos pela Contec e por entidades sindicais apontam risco de sobrecarga para áreas que receberem novas demandas, especialmente se a redistribuição ocorrer sem reforço proporcional de equipes.

No lançamento do Itaú Emps, em julho de 2025, o banco apresentou a iniciativa como uma plataforma voltada a pequenos empreendedores, inicialmente direcionada a negócios de sócios únicos e profissionais liberais, com previsão de ampliação gradual para outros perfis.

Essa informação contextualiza a curta duração do Emps+ como braço de atendimento humano associado à nova frente empresarial lançada pelo banco no ano anterior.

O caso ocorre em um período no qual a Contec e entidades sindicais já vinham criticando demissões, fechamento de unidades e mudanças de estrutura no Itaú.

Em publicações recentes, o Sindicato dos Bancários de São Paulo também relacionou o cenário a queixas sobre sobrecarga, falhas na divulgação de metas e falta de critérios claros em processos internos.

As cobranças sindicais devem seguir concentradas em três temas: transparência na avaliação de desempenho, condições de realocação para os profissionais afetados e compensação adequada para trabalhadores que assumirem funções externas.

Até o momento, não foi localizada manifestação pública do Itaú, em seus canais institucionais, com detalhamento adicional sobre o encerramento específico do Emps+ além das respostas atribuídas à Contec e às demais entidades sindicais.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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