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Itália rompe o silêncio e pressiona a UE: Meloni alerta que o veto total aos motores a combustão pode favorecer a China, encarecer carros e causar demissões em massa na Europa

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 03/11/2025 às 07:00 Atualizado em 03/11/2025 às 11:36
Meloni alerta que veto total aos motores a combustão pode favorecer a China, causar demissões e comprometer a indústria automotiva europeia
Meloni alerta que veto total aos motores a combustão pode favorecer a China, causar demissões e comprometer a indústria automotiva europeia
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Itália alerta para os riscos do plano europeu que proíbe motores a combustão até 2035, defendendo combustíveis sintéticos e biocombustíveis como alternativas viáveis e proteção aos empregos industriais

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, voltou a pressionar a União Europeia para rever a meta climática que prevê o fim dos motores de combustão em 2035. Em declarações recentes, ela afirmou que “não podemos impor uma transição que destrua nossa indústria automotiva” e insistiu que a UE mantenha as portas abertas para todas as tecnologias de baixo carbono, não apenas para os carros elétricos.

Meloni argumentou que o problema não está na meta de descarbonização, mas na abordagem escolhida. Segundo ela, a indústria precisa de um “cronograma claro, porém realista”, e os biocombustíveis e combustíveis sintéticos devem ser permitidos após 2035.

Para o governo italiano, a regulamentação aprovada em 2023, que determina emissões zero para carros e vans novos, deve ser revista em nome da “neutralidade tecnológica”.

Esse princípio, segundo Roma, permitiria que fabricantes e países escolhessem as soluções mais adequadas aos seus sistemas produtivos.

Intervenções urgentes no setor automotivo

A primeira-ministra também associou o debate climático à competitividade industrial. Assim como em encontros anteriores com Ursula von der Leyen, Meloni pediu “intervenções urgentes no setor automotivo e redução dos preços da eletricidade”.

Ela destacou que a energia cara prejudica a competitividade dos veículos elétricos europeus em relação aos fabricados na China, o que poderia acelerar a deslocalização da produção e causar perdas de empregos na cadeia de fornecimento de componentes.

A Itália encontrou apoio parcial de países como Alemanha e Eslováquia, que defendem uma revisão antecipada do plano europeu para o final de 2025.

O objetivo seria tornar a revisão não apenas técnica, mas também política, permitindo mais tempo e o reconhecimento dos combustíveis renováveis.

Essa posição também busca evitar que a transição bloqueie o uso de veículos híbridos e híbridos plug-in, especialmente em segmentos onde a eletrificação total ainda é inviável.

Indústria alerta para metas “inviáveis”

A preocupação da Itália é compartilhada por importantes líderes do setor automotivo europeu. A ACEA e associações de fornecedores alertam que a demanda por carros elétricos cresce abaixo do previsto, tornando as metas atuais “já não viáveis” sem ajustes.

Executivos de grandes fabricantes reforçaram esse alerta. Oliver Zipse, da BMW, chamou o prazo de 2035 de “grande erro” caso outras formas de descarbonização não sejam reconhecidas.

Ola Källenius, da Mercedes-Benz, alertou que a Europa “poderia acabar por bater de frente com um obstáculo” se insistir no plano inalterado. Já Oliver Blume, do Grupo Volkswagen, classificou as metas como “irrealistas”.

Meloni resumiu a posição italiana ao afirmar que o país não contesta a descarbonização dos transportes, mas rejeita a ideia de que o único caminho possível seja o elétrico até 2035. Para ela, essa posição deve constar claramente na revisão que a Comissão Europeia prepara para o fim de 2025.

Alemanha e Espanha adotam caminhos distintos

O chanceler alemão Friedrich Merz também defendeu mudanças no plano europeu. Em declarações recentes, afirmou que “não haverá um corte abrupto em 2035 se depender de mim” e reiterou o apoio à neutralidade tecnológica, que permitiria a convivência entre motores de combustão com combustíveis de baixo carbono, híbridos e elétricos.

No entanto, a Alemanha ainda não consolidou uma posição oficial. Merz consultou os principais fabricantes, mas o governo federal aguarda a proposta da Comissão antes de definir uma diretriz comum. Dentro da coalizão, há divergências: o SPD prefere flexibilizar prazos e criar exceções em vez de abandonar o plano.

Na Espanha, o presidente Pedro Sánchez ainda não se pronunciou nesta semana sobre o tema. Contudo, nos documentos enviados a Bruxelas, o país — ao lado da França — defendeu manter a data de 2035 como referência.

Assim, Madri posiciona-se entre os governos que desejam preservar o objetivo original e evitar retrocessos na política climática, mesmo sem manifestações públicas recentes do premiê.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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