Israel planeja rasgar o deserto do Negev com o canal Ben Gurion, criar uma rota oceânica própria entre o Mediterrâneo e o Mar Vermelho e abrir um novo corredor militar, energético e econômico no Oriente Médio.
No coração de uma faixa de terra onde quase nada cresce, nada navega e conflitos desenham fronteiras, Israel planeja rasgar o deserto com uma ideia que, se sair do papel, pode redesenhar o mapa marítimo e geopolítico do século. O canal Ben Gurion é apresentado como um projeto capaz de transformar rocha e areia em uma rota oceânica estratégica, conectando o porto de Ascalon, no Mediterrâneo, a Eilat, no Golfo de Aqaba, já no Mar Vermelho.
Ao imaginar uma alternativa ao canal de Suez, Israel planeja rasgar o deserto do Negev e abrir uma via própria para navios de grande porte, passando ao lado da Faixa de Gaza e próximo da fronteira com o Egito, em uma das regiões mais sensíveis e militarizadas do planeta.
Para Tel Aviv, seria a chance de se tornar uma potência logística e militar independente. Para o Egito, um rival direto ao seu maior ativo econômico. Para o mundo, um novo eixo de circulação de riqueza, influência e controle estratégico.
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Um canal que nasce de traumas e bloqueios em Suez
A ideia de que Israel planeja rasgar o deserto para criar uma rota alternativa entre o Mediterrâneo e o Mar Vermelho não surge apenas de ambição territorial.
Ela nasce de um trauma global: a dependência extrema do canal de Suez, um corredor estreito, vital para o comércio mundial e vulnerável a guerras, disputas políticas e bloqueios repentinos.
Em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias, o Egito fechou o canal de Suez por anos, isolando navios, desviando rotas inteiras e custando bilhões ao comércio internacional.
Para Israel, o recado foi claro: se quisesse sobreviver economicamente e militarmente, não poderia depender de uma rota controlada por um país hostil.
A partir daí, ganharam força estudos estratégicos que cogitavam uma rota totalmente situada dentro do território israelense, cortando o Negev e unindo dois mares sem passar por Suez.
Ao longo das décadas de 1970 e 1980, documentos militares, análises diplomáticas e pesquisas acadêmicas mencionaram rotas possíveis pelo deserto.
Em propostas experimentais, chegou-se até a discutir, em teoria, o uso de explosões subterrâneas com fins civis para acelerar escavações, em uma era em que Estados Unidos e União Soviética testavam aplicações desse tipo de detonação em megaprojetos.
O fato de o projeto nunca ter sido oficialmente lançado não significa que desapareceu: ele reaparece ciclicamente sempre que a geopolítica das rotas marítimas entra em crise.
Como seria rasgar o deserto do Negev

Se um dia Israel planeja rasgar o deserto e realmente partir para a obra, o canal Ben Gurion nasceria em um cenário extremo.
Não se trata de escavar à beira de um rio ou em um terreno plano, mas no silêncio de um deserto pedregoso, marcado por calor intenso, rocha dura, bases militares e vales secos.
As propostas variam, mas muitos estudos apontam para uma rota entre 250 e quase 300 quilômetros de extensão, com largura na casa de centenas de metros e profundidade suficiente para receber navios equivalentes aos que cruzam Suez e o Panamá.
Ao contrário de Suez, escavado em terreno arenoso e relativamente plano, o canal Ben Gurion teria de vencer montanhas baixas, vales rochosos, camadas espessas de basalto e calcário, além de diferenças de altitude entre os dois mares.
Na prática, isso significaria remover centenas de milhões de metros cúbicos de material sólido, executar explosões controladas em larga escala e instalar um sistema de eclusas e bombeamento contínuo para equalizar os níveis de água entre o Mediterrâneo e o Mar Vermelho.
Tudo isso sob vigilância militar intensiva, já que parte da rota passaria perto da Faixa de Gaza e de áreas sensíveis próximas à fronteira egípcia.
Do canal ao corredor multimodal
O ponto central é que, quando Israel planeja rasgar o deserto com o Ben Gurion, a proposta vai muito além da escavação de um simples canal. Diversos cenários consideram a criação de um corredor multimodal, combinando:
Zonas industriais ao longo da rota
Portos ampliados em Ascalon e Eilat
Ferrovias de carga e rodovias duplicadas
Oleodutos, gasodutos e linhas de transmissão de energia
Usinas solares, plantas de dessalinização e bases de defesa
Nesse desenho, o Negev deixaria de ser apenas um deserto árido para se transformar em um cinturão econômico, energético e militar, ligado a dois mares e cercado por infraestruturas de alto valor estratégico.
Alguns planejadores imaginam inclusive soluções híbridas, que combinam trechos navegáveis com ferrovias de alta capacidade, reduzindo custos e impacto ambiental, mas mantendo o objetivo principal: criar um eixo próprio entre Mediterrâneo e Mar Vermelho.
Em qualquer versão, o recado é o mesmo: não se trata apenas de abrir água no deserto, mas de abrir poder no deserto.
Comparando Ben Gurion com Suez e Panamá
Para entender a ambição de um projeto em que Israel planeja rasgar o deserto do Negev, é inevitável comparar o canal Ben Gurion a outras obras colossais. A referência mais óbvia é o canal de Suez, no Egito, inaugurado em 1869 e ampliado recentemente.
Com quase 200 quilômetros, escavado em terreno arenoso, Suez conecta Europa e Ásia, responde por uma fatia relevante do comércio marítimo mundial e rende bilhões em receitas anuais ao Egito.
Se o Ben Gurion fosse construído, ele se tornaria uma alternativa direta a Suez, desviando parte do tráfego e oferecendo uma rota sob controle israelense, mais protegida de crises na região do Sinai.
A paralisação do canal por causa do navio Ever Given, em 2021, mostrou ao mundo como um único ponto de estrangulamento pode travar a cadeia global de suprimentos em poucos dias.
A outra comparação inevitável é com o canal do Panamá, construído em terreno montanhoso e irregular, com uso intensivo de eclusas e lagos artificiais para equalizar níveis de água.
Em termos de geologia e topografia, o desafio de Ben Gurion se aproxima mais do Panamá do que de Suez, já que o Negev também apresenta altitudes variáveis e rocha sólida.
Porém, há uma diferença fundamental: Panamá e Suez nasceram como rotas comerciais prioritariamente civis, enquanto o canal israelense carrega, desde a origem, uma intenção geopolítica e militar explícita.
O canal como arma geopolítica
Ao imaginar um futuro em que Israel planeja rasgar o deserto e entregar o canal Ben Gurion, analistas não veem apenas uma obra de engenharia, mas uma coluna vertebral geopolítica.
O canal permitiria que frotas da Marinha israelense se deslocassem rapidamente entre o Mediterrâneo e o Mar Vermelho sem atravessar águas controladas por países vizinhos.
Além disso, o leito do canal poderia abrigar cabos de dados, oleodutos e gasodutos, transformando a região em um hub global não só de navegação, mas também de energia e conectividade.
Nesse cenário, o eixo tecnológico subterrâneo teria importância comparável ao eixo naval de superfície.
Para o Egito, isso significaria dividir protagonismo com um vizinho que ganha uma rota própria e potencialmente reduz a dependência global de Suez.
Para Gaza, significaria conviver com um corredor estratégico cercado por interesses militares e econômicos, alterando ainda mais o equilíbrio de forças em uma área já explosiva.
O preço de tentar moldar o deserto
Mesmo sem um orçamento oficial, fica claro que quebrar o deserto tem um preço. Estimativas comparadas a obras equivalentes falam em valores na casa de dezenas de bilhões de dólares, possivelmente ultrapassando o custo de expansões recentes em canais já existentes.
O esforço exigiria financiamento de longo prazo, consórcios internacionais e forte respaldo político interno. Ao mesmo tempo, o impacto ambiental seria profundo.
Escavar uma rota oceânica em um território árido, criar lagos artificiais, instalar infraestruturas industriais e militares e mudar padrões de circulação de água e energia são decisões que mexem não só com o mapa, mas com o clima local, com ecossistemas frágeis e com comunidades que vivem na região.
Cada quilômetro do canal é também um quilômetro de disputa entre economia, ambiente e segurança.
Um futuro em aberto para o canal Ben Gurion
Hoje, a ideia de que Israel planeja rasgar o deserto com o canal Ben Gurion permanece em um território híbrido entre estratégia, estudo técnico e ambição política.
O projeto reaparece sempre que crises em Suez expõem a fragilidade das rotas atuais, sempre que a competição entre potências por corredores logísticos se intensifica e sempre que o Oriente Médio entra em uma nova fase de reconfiguração de alianças.
Se algum dia sair do papel, o canal Ben Gurion não será apenas um atalho entre dois mares. Será a prova de que o deserto pode ser moldado, de que a geografia pode ser confrontada e de que o poder global também pertence a nações que criam novas costas, não só às que herdaram bons portos.
Israel não estaria apenas escavando um canal, mas testando os limites do que pode controlar, transformar e exportar para o mundo.
E você, acha que um projeto como o canal Ben Gurion, em que Israel planeja rasgar o deserto do Negev, seria uma solução inteligente para o comércio global ou um risco geopolítico grande demais para o planeta?
Com informações de Construction Time.

Es una decisión inteligente, oportuna y con visión de desarrollo, para el comercio, la navegación, la agricultura, la tecnología hidráulica y la geopolitica
Es una idea faraonica pero posible con la tecnologia actual.
No sirve para nada. Es pura propaganda sionista pues los barcos tienen que pasar por el estrecho de Bab el Manden controlado por Iran