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Índia testa dessalinização solar compacta que mira 10.000 litros de água potável por dia, usa calor do sol para evaporar água do mar em etapas e pode chegar a ilhas, condomínios e campi após piloto no extremo sul do país

Escrito por Carla Teles
Publicado em 15/05/2026 às 15:54
Atualizado em 15/05/2026 às 15:56
Índia testa dessalinização solar compacta que mira 10.000 litros de água potável por dia, usa calor do sol para evaporar água do mar em etapas e pode chegar a ilhas, condomínios e (2)
Dessalinização do IIT Madras usa energia solar em Kanyakumari para gerar água potável a partir do mar.
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Dessalinização do IIT Madras usa energia solar, coletores planos e tecnologia MED para transformar água do mar em água potável, com meta de 10.000 litros por dia, piloto em Kanyakumari, protótipo compacto no campus e aplicações possíveis em ilhas, condomínios, campi acadêmicos e regiões costeiras da Índia no futuro.

A dessalinização solar compacta desenvolvida por pesquisadores do IIT Madras ganhou destaque em 4 de junho de 2025, após o avanço de um sistema capaz de produzir água potável a partir da água do mar usando calor solar. O projeto mira uma produção de 10.000 litros por dia em uma planta baseada em tecnologia térmica.

Segundo o jornal do The Times of India, o piloto foi realizado em Kanyakumari, no extremo sul da Índia, em parceria com o National Institute of Ocean Technology e apoio do Ministério de Ciências da Terra do país. A proposta é tirar a tecnologia do laboratório e aproximá-la de locais que precisam de água doce sem depender apenas de redes tradicionais de abastecimento.

Dessalinização solar usa calor do sol em vez de eletricidade convencional

Dessalinização do IIT Madras usa energia solar em Kanyakumari para gerar água potável a partir do mar.

O sistema desenvolvido pelo IIT Madras utiliza coletores solares planos para aquecer a água do mar. Essa água chega a cerca de 75°C e, dentro do processo, é transformada em vapor sob vácuo.

A lógica é usar a energia térmica do sol como motor principal da dessalinização. Em vez de depender de uma solução elétrica intensiva, a planta aproveita calor solar para iniciar a separação entre água e sal.

O processo empregado é chamado de destilação multiestágio, conhecido pela sigla MED. Nesse modelo, a evaporação acontece em etapas sucessivas, aproveitando melhor o calor disponível.

A água não é simplesmente fervida de uma vez. Ela passa por uma sequência controlada, na qual o vapor se condensa e gera água doce em diferentes estágios do sistema.

Quatro câmaras de evaporação transformam água do mar em água potável

A planta utiliza quatro câmaras de evaporação. O vapor gerado no processo passa por essas câmaras e se condensa em água limpa a cada etapa, aumentando o aproveitamento térmico.

Um ejetor mantém o vácuo em torno de 100 milibar, removendo ar do sistema. Essa condição permite que a água ferva em temperaturas mais baixas, o que reduz a exigência de calor e melhora a eficiência do processo.

Segundo os pesquisadores, a planta produz cerca de 300 litros de água doce por hora entre 10h e 15h, período de maior disponibilidade solar. A água gerada apresentou teor de sal de apenas 1 parte por milhão.

Esse resultado é relevante porque mostra que a dessalinização solar pode entregar água com baixa salinidade usando uma estrutura térmica e compacta. Para regiões costeiras, ilhas e locais com sol abundante, o modelo pode ter aplicação estratégica.

Protótipo compacto foi construído no campus do IIT Madras

Além da planta piloto em Kanyakumari, a equipe desenvolveu uma versão compacta no campus do IIT Madras. Esse protótipo mede 2 m por 2 m e consegue produzir 100 litros de água doce por hora.

A versão compacta foi otimizada por Thilagan K., pesquisador do laboratório de refrigeração e ar-condicionado do IIT Madras. Ele substituiu um trocador de calor volumoso do tipo casco e tubo por um desenho de chapa fina, reduzindo espaço e consumo de energia.

Antes da instalação, os pesquisadores usaram ferramentas de simulação para modelar e testar o sistema completo. Componentes como câmara flash, evaporador multiestágio, condensador, ejetor e coletores solares foram analisados individualmente.

Esse cuidado mostra que a tecnologia não foi montada apenas por tentativa prática. A equipe validou partes do sistema antes de integrar tudo em uma solução menor, mais adequada para uso descentralizado.

Sistema pode funcionar à noite com armazenamento térmico

Um dos desafios da energia solar é a intermitência. O sistema depende do calor do sol, mas os pesquisadores afirmam que ele também pode operar à noite se for combinado a uma solução de armazenamento térmico.

Nesse caso, o calor produzido durante o dia seria retido para uso posterior. Isso permitiria estender o funcionamento da dessalinização além das horas de maior radiação solar.

A possibilidade é importante para locais que precisam de água de forma contínua. Produzir apenas durante o dia pode ser suficiente para alguns usos, mas aplicações comunitárias ou institucionais podem exigir maior regularidade.

O armazenamento térmico pode ser a peça que transforma uma solução solar diurna em uma fonte mais estável de água potável. Ainda assim, a viabilidade dependerá de custo, escala e manutenção.

Pesquisadores miram ilhas, condomínios e campi acadêmicos

Dessalinização do IIT Madras usa energia solar em Kanyakumari para gerar água potável a partir do mar.

O professor Advaith Sankar, do departamento de engenharia mecânica do IIT Madras, afirmou que a tecnologia pode ser econômica, incluindo custos operacionais e de manutenção, quando ampliada em escala.

Ele também destacou que o sistema pode funcionar bem em colônias residenciais e campi acadêmicos. São ambientes onde a demanda por água é concentrada, previsível e pode justificar uma planta própria.

Para o IIT Madras, a dessalinização movida a energia solar pode ganhar espaço em regiões onde água potável é um desafio constante. O piloto em Kanyakumari funciona como referência para testar se a tecnologia pode ser replicada em ilhas, condomínios, campi e áreas costeiras.

A equipe também está em conversas com a Marinha Indiana para replicar o sistema em regiões insulares. Ilhas costumam enfrentar desafios maiores de abastecimento, pois dependem de transporte, chuva, aquíferos limitados ou estruturas locais de tratamento.

Nesse contexto, a dessalinização solar compacta pode oferecer uma alternativa mais autônoma. O diferencial está em usar uma fonte abundante em muitas regiões costeiras: o sol.

Água cinza também entra no plano de reaproveitamento

Além da água do mar, a equipe trabalha no desenvolvimento de uma unidade de tratamento de água cinza. A ideia é reciclar água residual de cozinha para usos como jardinagem e descarga sanitária.

Essa frente amplia o escopo do projeto. Em vez de pensar apenas na produção de água potável, os pesquisadores também avaliam como reduzir desperdício dentro de comunidades, prédios ou instituições.

A combinação entre dessalinização e reaproveitamento de água pode ser especialmente útil em locais onde o abastecimento é caro ou instável. Produzir água doce e reutilizar parte da água usada cria um ciclo mais eficiente.

A segurança sanitária e a separação correta dos usos serão fundamentais. Água para beber, água para jardim e água para descarga exigem padrões diferentes, e cada aplicação precisa ser tratada com rigor técnico.

Índia testa solução compacta para um problema global

A Índia não está sozinha na busca por alternativas de água potável. Regiões costeiras em vários países enfrentam pressão crescente sobre rios, aquíferos e reservatórios, enquanto populações urbanas e industriais demandam mais abastecimento.

A tecnologia do IIT Madras chama atenção porque tenta unir três fatores: energia solar, desenho compacto e produção descentralizada. A meta de 10.000 litros por dia coloca o sistema em uma escala intermediária, acima de soluções domésticas simples e abaixo de megaprojetos de dessalinização.

A proposta ainda precisa avançar em patenteamento, replicação e validação em diferentes ambientes. Custos, manutenção, qualidade da água de entrada e armazenamento térmico serão pontos decisivos para determinar onde o modelo pode funcionar melhor.

No fim, a dessalinização solar indiana mostra como a corrida por água potável também passa por sistemas menores, modulares e adaptados a comunidades específicas.

Você acha que soluções compactas movidas a sol podem ajudar ilhas, condomínios e campi, ou grandes usinas ainda serão o caminho principal para enfrentar a escassez de água? Comente sua opinião

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Carla Teles

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