Dessalinização do IIT Madras usa energia solar, coletores planos e tecnologia MED para transformar água do mar em água potável, com meta de 10.000 litros por dia, piloto em Kanyakumari, protótipo compacto no campus e aplicações possíveis em ilhas, condomínios, campi acadêmicos e regiões costeiras da Índia no futuro.
A dessalinização solar compacta desenvolvida por pesquisadores do IIT Madras ganhou destaque em 4 de junho de 2025, após o avanço de um sistema capaz de produzir água potável a partir da água do mar usando calor solar. O projeto mira uma produção de 10.000 litros por dia em uma planta baseada em tecnologia térmica.
Segundo o jornal do The Times of India, o piloto foi realizado em Kanyakumari, no extremo sul da Índia, em parceria com o National Institute of Ocean Technology e apoio do Ministério de Ciências da Terra do país. A proposta é tirar a tecnologia do laboratório e aproximá-la de locais que precisam de água doce sem depender apenas de redes tradicionais de abastecimento.
Dessalinização solar usa calor do sol em vez de eletricidade convencional

O sistema desenvolvido pelo IIT Madras utiliza coletores solares planos para aquecer a água do mar. Essa água chega a cerca de 75°C e, dentro do processo, é transformada em vapor sob vácuo.
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A lógica é usar a energia térmica do sol como motor principal da dessalinização. Em vez de depender de uma solução elétrica intensiva, a planta aproveita calor solar para iniciar a separação entre água e sal.
O processo empregado é chamado de destilação multiestágio, conhecido pela sigla MED. Nesse modelo, a evaporação acontece em etapas sucessivas, aproveitando melhor o calor disponível.
A água não é simplesmente fervida de uma vez. Ela passa por uma sequência controlada, na qual o vapor se condensa e gera água doce em diferentes estágios do sistema.
Quatro câmaras de evaporação transformam água do mar em água potável
A planta utiliza quatro câmaras de evaporação. O vapor gerado no processo passa por essas câmaras e se condensa em água limpa a cada etapa, aumentando o aproveitamento térmico.
Um ejetor mantém o vácuo em torno de 100 milibar, removendo ar do sistema. Essa condição permite que a água ferva em temperaturas mais baixas, o que reduz a exigência de calor e melhora a eficiência do processo.
Segundo os pesquisadores, a planta produz cerca de 300 litros de água doce por hora entre 10h e 15h, período de maior disponibilidade solar. A água gerada apresentou teor de sal de apenas 1 parte por milhão.
Esse resultado é relevante porque mostra que a dessalinização solar pode entregar água com baixa salinidade usando uma estrutura térmica e compacta. Para regiões costeiras, ilhas e locais com sol abundante, o modelo pode ter aplicação estratégica.
Protótipo compacto foi construído no campus do IIT Madras
Além da planta piloto em Kanyakumari, a equipe desenvolveu uma versão compacta no campus do IIT Madras. Esse protótipo mede 2 m por 2 m e consegue produzir 100 litros de água doce por hora.
A versão compacta foi otimizada por Thilagan K., pesquisador do laboratório de refrigeração e ar-condicionado do IIT Madras. Ele substituiu um trocador de calor volumoso do tipo casco e tubo por um desenho de chapa fina, reduzindo espaço e consumo de energia.
Antes da instalação, os pesquisadores usaram ferramentas de simulação para modelar e testar o sistema completo. Componentes como câmara flash, evaporador multiestágio, condensador, ejetor e coletores solares foram analisados individualmente.
Esse cuidado mostra que a tecnologia não foi montada apenas por tentativa prática. A equipe validou partes do sistema antes de integrar tudo em uma solução menor, mais adequada para uso descentralizado.
Sistema pode funcionar à noite com armazenamento térmico
Um dos desafios da energia solar é a intermitência. O sistema depende do calor do sol, mas os pesquisadores afirmam que ele também pode operar à noite se for combinado a uma solução de armazenamento térmico.
Nesse caso, o calor produzido durante o dia seria retido para uso posterior. Isso permitiria estender o funcionamento da dessalinização além das horas de maior radiação solar.
A possibilidade é importante para locais que precisam de água de forma contínua. Produzir apenas durante o dia pode ser suficiente para alguns usos, mas aplicações comunitárias ou institucionais podem exigir maior regularidade.
O armazenamento térmico pode ser a peça que transforma uma solução solar diurna em uma fonte mais estável de água potável. Ainda assim, a viabilidade dependerá de custo, escala e manutenção.
Pesquisadores miram ilhas, condomínios e campi acadêmicos

O professor Advaith Sankar, do departamento de engenharia mecânica do IIT Madras, afirmou que a tecnologia pode ser econômica, incluindo custos operacionais e de manutenção, quando ampliada em escala.
Ele também destacou que o sistema pode funcionar bem em colônias residenciais e campi acadêmicos. São ambientes onde a demanda por água é concentrada, previsível e pode justificar uma planta própria.
Para o IIT Madras, a dessalinização movida a energia solar pode ganhar espaço em regiões onde água potável é um desafio constante. O piloto em Kanyakumari funciona como referência para testar se a tecnologia pode ser replicada em ilhas, condomínios, campi e áreas costeiras.
A equipe também está em conversas com a Marinha Indiana para replicar o sistema em regiões insulares. Ilhas costumam enfrentar desafios maiores de abastecimento, pois dependem de transporte, chuva, aquíferos limitados ou estruturas locais de tratamento.
Nesse contexto, a dessalinização solar compacta pode oferecer uma alternativa mais autônoma. O diferencial está em usar uma fonte abundante em muitas regiões costeiras: o sol.
Água cinza também entra no plano de reaproveitamento
Além da água do mar, a equipe trabalha no desenvolvimento de uma unidade de tratamento de água cinza. A ideia é reciclar água residual de cozinha para usos como jardinagem e descarga sanitária.
Essa frente amplia o escopo do projeto. Em vez de pensar apenas na produção de água potável, os pesquisadores também avaliam como reduzir desperdício dentro de comunidades, prédios ou instituições.
A combinação entre dessalinização e reaproveitamento de água pode ser especialmente útil em locais onde o abastecimento é caro ou instável. Produzir água doce e reutilizar parte da água usada cria um ciclo mais eficiente.
A segurança sanitária e a separação correta dos usos serão fundamentais. Água para beber, água para jardim e água para descarga exigem padrões diferentes, e cada aplicação precisa ser tratada com rigor técnico.
Índia testa solução compacta para um problema global
A Índia não está sozinha na busca por alternativas de água potável. Regiões costeiras em vários países enfrentam pressão crescente sobre rios, aquíferos e reservatórios, enquanto populações urbanas e industriais demandam mais abastecimento.
A tecnologia do IIT Madras chama atenção porque tenta unir três fatores: energia solar, desenho compacto e produção descentralizada. A meta de 10.000 litros por dia coloca o sistema em uma escala intermediária, acima de soluções domésticas simples e abaixo de megaprojetos de dessalinização.
A proposta ainda precisa avançar em patenteamento, replicação e validação em diferentes ambientes. Custos, manutenção, qualidade da água de entrada e armazenamento térmico serão pontos decisivos para determinar onde o modelo pode funcionar melhor.
No fim, a dessalinização solar indiana mostra como a corrida por água potável também passa por sistemas menores, modulares e adaptados a comunidades específicas.
Você acha que soluções compactas movidas a sol podem ajudar ilhas, condomínios e campi, ou grandes usinas ainda serão o caminho principal para enfrentar a escassez de água? Comente sua opinião

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