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Ilha do lixo toma o Oceano Pacífico, está maior que a França, alcança 1,6 milhão de km², recebe milhões de toneladas de plástico e esconde uma ameaça invisível que pode transformar o oceano..

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 08/07/2026 às 16:44 Atualizado em 08/07/2026 às 18:08
Assista o vídeoGrande Mancha de Lixo do Pacífico já ocupa 1,6 milhão de km² e concentra trilhões de plásticos que ameaçam a vida marinha.
Grande Mancha de Lixo do Pacífico já ocupa 1,6 milhão de km² e concentra trilhões de plásticos que ameaçam a vida marinha.
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Maior zona de acúmulo de plástico em mar aberto mostra como resíduos descartados em terra e no oceano são levados por correntes marítimas, formando uma concentração gigantesca que se fragmenta lentamente em partículas quase invisíveis e difíceis de remover.

Grande Mancha de Lixo do Pacífico é o nome dado à concentração de resíduos que ocupa uma área estimada em 1,6 milhão de km² entre o Havaí e a Califórnia, no Oceano Pacífico, segundo a organização The Ocean Cleanup.

Considerada a maior zona de acúmulo de plástico em mar aberto do mundo, a região reúne mais de 1,8 trilhão de fragmentos e cerca de 100 mil toneladas de resíduos flutuantes.

Ao contrário da imagem popular de uma ilha compacta de lixo, a mancha não forma uma superfície sólida e contínua sobre o mar.

O material aparece espalhado em diferentes densidades, com maior concentração no centro, o que torna parte da poluição difícil de ver a olho nu e impossível de tratar como um bloco único.

Responsável por manter esse acúmulo, o Giro Subtropical do Pacífico Norte funciona como um sistema de correntes que prende objetos flutuantes em uma área relativamente estável.

Garrafas, redes, tampas, caixas, cordas e fragmentos menores podem circular por anos nesse ambiente, enquanto se degradam lentamente sob ação do sol, das ondas e da vida marinha.

O que forma a mancha de lixo no Pacífico

Grande Mancha de Lixo do Pacífico já ocupa 1,6 milhão de km² e concentra trilhões de plásticos que ameaçam a vida marinha.
Grande Mancha de Lixo do Pacífico já ocupa 1,6 milhão de km² e concentra trilhões de plásticos que ameaçam a vida marinha.

Na composição da Grande Mancha, a maior parte da massa não vem dos microplásticos, mas de objetos maiores que 0,5 centímetro.

A The Ocean Cleanup estima que esses itens representem 92% da massa total, enquanto os microplásticos correspondem a 94% da contagem de objetos, revelando uma diferença importante entre peso e quantidade.

Entre os materiais recolhidos, aparecem sobretudo plásticos rígidos de polietileno e polipropileno, além de equipamentos de pesca abandonados, como redes e cordas.

Esses resíduos maiores preocupam porque continuam se quebrando em partículas menores, que depois se tornam muito mais difíceis de remover e podem ser confundidas com alimento por animais marinhos.

Pelos rios, segundo a organização, entram nos oceanos todos os anos entre 1,15 milhão e 2,41 milhões de toneladas de plástico.

Depois de chegar ao mar, os materiais mais leves e resistentes podem viajar por longas distâncias até serem empurrados por correntes convergentes, permanecendo na superfície ou nas camadas superiores da água.

Microplásticos ampliam a ameaça invisível

Levantamento de sete anos divulgado pela The Ocean Cleanup em 19 de novembro de 2024 apontou avanço expressivo dos fragmentos plásticos na região.

Grande Mancha de Lixo do Pacífico já ocupa 1,6 milhão de km² e concentra trilhões de plásticos que ameaçam a vida marinha.
Grande Mancha de Lixo do Pacífico já ocupa 1,6 milhão de km² e concentra trilhões de plásticos que ameaçam a vida marinha.

A massa de pequenos fragmentos subiu de 2,9 kg por km² para 14,2 kg por km², enquanto pontos de maior concentração passaram de 1 milhão para mais de 10 milhões de pequenos detritos por km² entre 2015 e 2022.

No mesmo estudo, a média de microplásticos por km² aumentou de 960 mil para 1,5 milhão de itens, e a de mesoplásticos saltou de 34 mil para 235 mil.

Esse crescimento reforça a urgência de retirar resíduos ainda em tamanhos maiores, antes que a fragmentação torne a limpeza mais complexa.

Nem todo o problema, porém, está restrito ao que flutua na superfície.

A The Ocean Cleanup informa que microplásticos já foram encontrados nas camadas superficiais da água, na coluna d’água e até no fundo do oceano, ampliando o alcance ambiental dessa poluição para além da área visível da mancha.

Animais marinhos enfrentam risco de ingestão e emaranhamento

Para a vida marinha, o plástico representa ameaça por ingestão e emaranhamento, sobretudo quando resíduos têm tamanho, cor ou movimento semelhantes aos de presas naturais.

Segundo a The Ocean Cleanup, estudos citados pela organização indicam que cerca de 900 espécies já tiveram contato com detritos marinhos, e 92% dessas interações envolveram plástico.

Entre os resíduos mais perigosos estão as redes de pesca abandonadas, conhecidas como redes-fantasma, porque continuam capturando animais no mar.

Na Grande Mancha, a organização estima que redes representem 46% da massa total, dado que ajuda a explicar o risco para tartarugas, aves, peixes e mamíferos marinhos.

Outro sinal do desequilíbrio aparece na própria superfície da região, onde a concentração de plástico flutuante chega a ser 180 vezes maior que a de vida marinha na área analisada.

Com partículas menores misturadas ao alimento disponível, cresce a chance de ingestão acidental por espécies que atravessam ou habitam a zona contaminada.

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Limpeza da Grande Mancha ainda depende de redução no descarte

Para retirar resíduos de giros oceânicos, a The Ocean Cleanup afirma que já opera sistemas de coleta na Grande Mancha de Lixo do Pacífico com o System 03.

Mesmo com tecnologia em operação, a escala do problema exige mapeamento, eficiência nas coletas e redução contínua da entrada de novos resíduos no mar.

Retirar o lixo acumulado resolve apenas parte da crise, já que o fluxo constante de plástico pelos rios e por atividades no mar mantém a mancha em renovação.

Sem reduzir o descarte, fiscalizar fontes de poluição e recuperar resíduos antes da fragmentação, a área contaminada tende a produzir partículas cada vez menores.

No Pacífico, a mancha de lixo revela uma contradição difícil de ignorar: resíduos descartados por sociedades em terra firme acabam concentrados em uma região remota que quase ninguém vê.

Se uma área maior que a França ainda não basta para mudar hábitos, políticas públicas e fiscalização, qual será o tamanho necessário para tratar o oceano como prioridade?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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