Papa Leão articula sucessão episcopal em arquidioceses brasileiras estratégicas e pode redefinir os rumos da Igreja Católica no país.
A Igreja Católica no Brasil viverá, nos próximos meses, uma transição histórica em sua alta hierarquia.
O Papa Leão deverá nomear novos líderes católicos para quatro das mais influentes arquidioceses brasileiras — São Paulo, Rio de Janeiro, Aparecida e Manaus — em um processo de sucessão episcopal motivado pela aposentadoria de seus atuais titulares.
As mudanças ocorrerão no maior país católico do mundo e têm potencial para redefinir estratégias pastorais, sociais e institucionais da Igreja.
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A escolha dos sucessores, conduzida pelo Vaticano com apoio da CNBB e da nunciatura apostólica, poderá imprimir a marca do novo pontificado em regiões-chave do catolicismo nacional.
Arquidioceses brasileiras concentram poder religioso e simbólico
As quatro arquidioceses brasileiras envolvidas na sucessão episcopal possuem relevância singular.
São Paulo e Rio de Janeiro concentram os maiores contingentes de fiéis do país.
Aparecida abriga o principal santuário católico nacional e um dos maiores centros de peregrinação do planeta.
Já Manaus representa o coração da Amazônia, região que ganhou protagonismo eclesial no pontificado de Francisco.
Com isso, o Papa Leão passa a ter a oportunidade de influenciar diretamente a condução pastoral em polos estratégicos da Igreja Católica.
Regra canônica abre caminho para sucessão episcopal
Assim, a transição ocorre em razão da legislação interna da Igreja Católica.
Então o Código de Direito Canônico determina que bispos apresentem renúncia ao completar 75 anos.
Assim, após isso, o Vaticano define o período de transição e nomeia o sucessor.
Embora não seja norma formal, os arcebispos aposentados costumam receber o título de eméritos, mantendo prestígio simbólico, mas sem funções executivas.
Quem são os atuais líderes católicos das arquidioceses
Os quatro titulares que abrirão espaço na sucessão episcopal têm trajetórias consolidadas:
Odilo Pedro Scherer comanda São Paulo desde 2007 e atingiu a idade limite em setembro de 2024.
O papa Francisco solicitou que permanecesse até o fim de 2026.
Orani João Tempesta, no Rio desde 2009, completou 75 anos em junho passado e recebeu prorrogação semelhante.
Orlando Brandes, em Aparecida há uma década, permanecerá até os 80 anos por decisão excepcional de Francisco.
Leonardo Ulrich Steiner, arcebispo de Manaus desde 2019, também atingiu a idade canônica recentemente.
Brasil no centro da estratégia da Igreja Católica
Especialistas avaliam que as nomeações terão peso geopolítico e pastoral.
“O Brasil é um país estratégico para o catolicismo romano”, analisa a antropóloga e cientista da religião Lidice Meyer, professora na Universidade Lusófona de Portugal.
Então ela destaca que bispos supervisionam o trabalho pastoral local:
“Assim, a escolha desses arcebispos é extremamente importante”.
O teólogo Gerson Leite de Moraes reforça:
“Não tenho dúvidas de que Leão 14 está diante de uma grande oportunidade. A verdade é que ele já está pensando de maneira muito estratégica. Esses nomes não serão escolhidos de forma aleatória”.
Arquidioceses brasileiras como porta de entrada ao cardinalato
Historicamente, líderes dessas sedes ganham projeção no Vaticano.
É comum que arcebispos dessas regiões sejam elevados a cardeais, passando a integrar o colégio responsável por eleger futuros papas.
Scherer, por exemplo, foi considerado papável no conclave de 2013.
Tempesta e Steiner também receberam o barrete cardinalício em seus pontificados.
Brandes é exceção, embora seu antecessor em Aparecida, Raymundo Damasceno Assis, tenha sido feito cardeal.
Perfis ideológicos moldam futuros líderes católicos
Estudiosos identificam correntes distintas entre os atuais titulares.
Assim, a socióloga Tabata Tesser define Scherer como moderado:
“Representa uma Igreja de estabilidade e governança, com forte densidade teológica e cuidado institucional”.
Sobre Tempesta, afirma:
“Fortaleceu uma Igreja de visibilidade, ordem e conciliação com o poder”.
Brandes é visto como pastoral e socialmente engajado:
“Com coragem discursiva em temas sociais”.
Já Steiner seria o mais alinhado à linha pastoral recente:
“Expressa uma Igreja desclericalizada, amazônica, sinodal e encarnada nas realidades dos pobres e dos povos originários”.
Desafios distintos nas arquidioceses brasileiras
A sucessão episcopal exige perfis administrativos diferentes.
Segundo o teólogo Raylson Araujo:
“São quatro bispos de formações distintas e, por conta disso, com linhas pastorais que se ajustam diante do povo ao qual eles foram designados”.
Então ele ressalta contrastes territoriais:
Grandes metrópoles como São Paulo e Rio demandam gestão urbana complexa.
Já Manaus envolve comunidades isoladas e desafios ambientais amazônicos.
Nunciatura e CNBB influenciam escolhas do Papa Leão
O processo de seleção envolve consultas amplas.
Portanto o núncio apostólico no Brasil, dom Giambattista Diquattro, exerce papel central desde 2020, fornecendo relatórios e percepções ao Vaticano.
Com base em Brasília, ele mantém interlocução direta com os principais líderes católicos do país.
Continuidade ou ruptura: a marca do novo pontificado
Analistas apontam dois caminhos possíveis para o Papa Leão.
Então ele pode manter perfis semelhantes aos atuais, garantindo continuidade pastoral.
Ou pode nomear nomes mais alinhados à sua visão eclesial.
Assim, a segunda hipótese indicaria escolhas próximas ao estilo de Steiner, mais do que ao de Scherer.
O que as nomeações revelarão sobre o Papa Leão
Assim, ainda no início do pontificado, o papa mantém postura discreta e cautelosa.
Suas nomeações nas arquidioceses brasileiras poderão sinalizar se pretende preservar o legado de Francisco ou avançar em novas direções.
Então como resume Moraes:
“Se ele quer preservar o legado de Francisco e consolidar isso” ou se pretende “avançar um pouco mais”.
“Até agora, Leão segue na esteira de seu antecessor. Aos poucos, deve deixar sua marca”.
Veja mais em: Igreja Católica: os novos líderes no Brasil que papa Leão 14 vai escolher – BBC News Brasil
