Deflação do IGP-M 2025 reduz pressão sobre o reajuste de aluguel, segundo dados da Fundação Getulio Vargas.
O IGP-M 2025, índice amplamente usado como referência para a inflação do aluguel, fechou o ano em deflação de 1,05%, segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas.
O indicador registrou queda de 0,01% em dezembro, após ter apresentado alta no mês anterior, refletindo um cenário de desaceleração econômica, redução de custos no atacado e melhora nas safras agrícolas.
O resultado foi observado em todo o país e impacta diretamente contratos de aluguel, tarifas públicas e acordos de prestação de serviços.
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Logo no início de 2025, a dinâmica de preços passou a indicar menor pressão inflacionária ao longo da cadeia produtiva.
Como consequência, o índice terminou o ano com comportamento oposto ao observado em períodos anteriores de forte alta, especialmente durante momentos de instabilidade econômica.
Deflação do IGP-M reflete desaceleração econômica e queda no atacado
A deflação do IGP-M ao longo de 2025 está diretamente relacionada ao enfraquecimento da atividade econômica global.
Esse cenário limitou o repasse de custos por parte das empresas, principalmente no setor produtivo, reduzindo preços ao produtor.
Além disso, a recuperação das safras agrícolas ao longo do ano contribuiu para a queda nos preços das matérias-primas.
Com isso, o índice passou a registrar recuos mais consistentes, especialmente nos componentes ligados ao atacado, que possuem maior peso na composição do indicador.
IPA puxa queda do IGP-M 2025 e acumula recuo expressivo
O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), responsável por 60% do cálculo do IGP-M 2025, caiu 0,12% em dezembro.
O movimento inverteu a alta de 0,27% registrada em novembro e consolidou uma queda acumulada de 3,35% no ano.
Dentro do IPA, as matérias-primas brutas recuaram 0,30% no último mês de 2025.
Os bens intermediários também apresentaram queda, enquanto os bens finais tiveram alta de 0,07%, inferior à variação observada anteriormente.
Esse comportamento reforça o papel central do atacado na deflação do índice.
IPC segue em alta moderada apesar da deflação do IGP-M
Enquanto o atacado ajudou a puxar a deflação do IGP-M, os preços ao consumidor apresentaram trajetória diferente.
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), com peso de 30% no cálculo, subiu 0,24% em dezembro, levemente abaixo da taxa registrada em novembro.
Ao longo de 2025, o IPC acumulou altas moderadas, com pressões concentradas principalmente nos setores de serviços e habitação.
Em dezembro, cinco grupos de despesas apresentaram desaceleração ou queda, como saúde, vestuário, alimentação e comunicação.
Por outro lado, habitação, educação, recreação e transportes registraram aceleração no mês, o que contribuiu para manter a inflação ao consumidor em patamar positivo, mesmo com a queda do índice geral.
INCC mantém alta e pressiona custos da construção civil
Outro componente relevante do IGP-M 2025 é o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que responde por 10% do indicador.
Em dezembro, o INCC subiu 0,21%, desacelerando em relação ao mês anterior.
No acumulado de 12 meses, o índice avançou 6,01%, refletindo pressões persistentes no setor da construção civil.
Os custos com materiais desaceleraram, mas os gastos com serviços e mão de obra aceleraram, influenciados por reajustes salariais e aumento de despesas operacionais.
Reajuste de aluguel: queda do IGP-M reduz valores automaticamente?
Apesar da deflação do IGP-M em 2025, isso não significa, necessariamente, queda imediata nos preços dos aluguéis.
O reajuste de aluguel ocorre, em geral, uma vez por ano, com base na variação acumulada dos últimos 12 meses.
Quando o índice fica negativo, o reajuste pode ser menor ou até resultar em redução do valor, desde que essa possibilidade esteja prevista em contrato.
Na prática, porém, muitos contratos mais recentes passaram a utilizar o IPCA como indexador, que segue em trajetória de alta.
Além disso, fatores como oferta e demanda por imóveis, renegociação de contratos e preços praticados no mercado imobiliário também influenciam o valor final dos aluguéis.
Por isso, mesmo com o IGP-M 2025 em queda, o custo da locação pode continuar subindo em determinadas regiões.
IGP-M segue como referência estratégica para a economia
Calculado mensalmente pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o IGP-M acompanha a variação de preços no atacado, no varejo e na construção civil.
O índice continua sendo uma referência importante para contratos de aluguel, tarifas públicas, energia elétrica, telefonia e serviços diversos.
Com o fechamento de 2025 em deflação, o indicador sinaliza um ambiente econômico menos pressionado, embora os impactos sobre o bolso do consumidor dependam de fatores adicionais.
Assim, o IGP-M 2025 encerra o ano como um termômetro relevante para entender os rumos da inflação do aluguel e do mercado imobiliário no Brasil.
