Encravado no alto da Serra do Sincorá, dentro do Parque Nacional da Chapada Diamantina, um vilarejo de casas de pedra sem argamassa abrigou 9 mil garimpeiros no auge da febre do diamante e hoje tem apenas 380 moradores entre ruínas que parecem medievais
No alto da Serra do Sincorá, dentro do Parque Nacional da Chapada Diamantina, existe um lugar que parece ter parado no tempo. Igatu, o vilarejo fantasma da Bahia, abrigou 9 mil garimpeiros no auge da febre do diamante no século XIX.
Hoje restam apenas 380 moradores entre casas de pedra sem argamassa que lembram ruínas medievais. O nome vem do tupi: y (água) + katu (bom), ou seja, “água boa”.
O vilarejo foi tombado pelo IPHAN em junho de 2000. Um perímetro com aproximadamente 200 imóveis, entre construções habitadas e ruínas, ganhou proteção oficial.
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Igatu é o único distrito brasileiro totalmente dentro dos limites de um Parque Nacional. Essa condição torna o lugar ainda mais preservado e isolado.
De 9.000 garimpeiros a 380 moradores: a ascensão e queda da febre do diamante em Igatu
No auge do garimpo, em meados do século XIX, Igatu fervilhava com 9 mil pessoas. Diamantes brotavam da serra e atraíam aventureiros de todo o Brasil.

As casas foram erguidas com pedras empilhadas sem cimento, encaixadas por pressão. Os garimpeiros construíam rápido para voltar logo às lavras.
Em 1854, um garimpeiro que encontrou um diamante mandou erguer a Igreja de São Sebastião em pedra como pagamento de promessa. Três cemitérios do século XIX cercam a igreja.
O declínio começou com o fim da escravidão e a concorrência de diamantes sul-africanos. O carbonato (diamante negro) sustentou a economia temporariamente por causa do Canal do Panamá.
A descoberta do diamante sintético deu o golpe final. Em 1996, o garimpo foi oficialmente encerrado.
O que fazer em Igatu: trilhas, cachoeiras, galeria de arte entre ruínas e um censo feito à mão

A Galeria Arte & Memória, criada pelo artista Marcos Zacariades, funciona como museu a céu aberto entre as ruínas. Exibe esculturas, utensílios de garimpeiros e escravizados.
Uma trilha de 7,5 km liga a Igreja de São Sebastião até Andaraí, passando por poços de banho no rio Coisa Boa. Esse era o caminho histórico dos garimpeiros.
As Cachoeiras dos Cristais e da Califórnia ficam a menos de 2 horas de caminhada do vilarejo. A Rampa do Caim, com 10 km, oferece mirante para o Vale do Pati.
Um morador chamado Amarildo dos Santos faz um censo artesanal de Igatu todos os anos. Registra em livros manuscritos vendidos em sua própria casa — é um dos censos mais curiosos do país.
Como chegar em Igatu: 25 km de estrada de terra a partir de Andaraí

Igatu fica a 25 km de Andaraí por estrada de terra íngreme. Não há transporte público regular — é preciso carro próprio, táxi ou agência.
Conforme reportou o Estado de Minas, as estimativas populacionais variam entre 300 e 400 moradores. O IPHAN descreve Igatu como “museu vivo da mineração diamantífera no Brasil”.
Comparações com Machu Picchu são frequentes pelo visual de ruínas de pedra mimetizadas à encosta. Porém Igatu é do século XIX, não pré-colombiano. É um pedaço de história brasileira que resistiu ao abandono e hoje encanta visitantes que aceitam a aventura de chegar até lá.

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