Estudo divulgado pela Universidade Técnica da Dinamarca aponta que o desprendimento acelerado das geleiras amplia o transporte de rochas e sedimentos, transforma ecossistemas profundos e aumenta os riscos para a navegação no Atlântico Norte
As geleiras da Groenlândia passaram a liberar quatro vezes mais icebergs do que há 25 anos, em um processo ligado à mudança climática e acompanhado por cientistas da Universidade Técnica da Dinamarca, a DTU.
O estudo, divulgado nesta quinta-feira (11) e publicado na revista científica Nature, mostra que o aumento no desprendimento de blocos de gelo não afeta apenas a paisagem do Ártico. Pelo contrário, o fenômeno também interfere na navegação, no transporte de sedimentos e na formação de habitats no fundo do oceano.
De acordo com os pesquisadores, os icebergs carregam grandes quantidades de rochas e sedimentos por centenas de quilômetros mar adentro. Depois, quando afundam ou se desfazem, esses materiais chegam ao fundo do mar e alteram as condições locais para a vida marinha.
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Além disso, a redução do gelo marinho abre novas rotas de navegação. Com isso, cresce o risco de embarcações encontrarem icebergs com mais frequência durante travessias pelo Atlântico Norte.
Icebergs da Groenlândia avançam e mudam áreas profundas do oceano
Segundo o estudo publicado na Nature, existe uma relação direta entre as mudanças na superfície das geleiras, o aumento do deslocamento de icebergs e a maior presença de substratos duros nas águas profundas.
Esses substratos são formados, principalmente, por rochas e sedimentos transportados pelos blocos de gelo. Assim, áreas distantes das geleiras passam a receber materiais que antes ficavam presos ao ambiente glacial.
Na prática, esse movimento transforma partes do fundo oceânico. Portanto, o impacto do derretimento e do desprendimento de icebergs não fica limitado às regiões costeiras da Groenlândia.
O processo também alcança áreas mais afastadas do Atlântico Norte e interfere em ecossistemas que dependem de condições estáveis nas profundezas do mar.
Estreito de Fram concentra aumento expressivo desde o ano 2000
O avanço dos icebergs chama atenção especialmente no Estreito de Fram, área localizada entre o nordeste da Groenlândia e o arquipélago norueguês de Svalbard.
Segundo a Universidade Técnica da Dinamarca, a presença de icebergs nessa região quadruplicou desde o ano 2000. O dado reforça a velocidade da transformação observada nas últimas décadas.
Além disso, os pesquisadores identificaram crescimento nos grupos de icebergs. Esses conjuntos, formados por mais de cinco blocos individuais, têm origem na Groenlândia e também no Ártico russo.
Desde o início do século, a proporção desses grupos aumentou 4,5% por década. Dessa forma, o fenômeno envolve tanto blocos isolados quanto grandes concentrações de gelo em movimento.
Mudança climática aparece ligada à instabilidade das geleiras
O pesquisador Shfaqat Abbas Khan, um dos autores do relatório, afirmou que medições e observações por satélite mostram perda de estabilidade nas grandes geleiras do nordeste da Groenlândia.
Segundo ele, os resultados indicam uma ligação provocada pelo clima entre as mudanças nas geleiras e o aumento da movimentação de icebergs.
Esse avanço, portanto, não representa apenas uma consequência visual do aquecimento no Ártico. Ele também modifica a dinâmica física do oceano e amplia os efeitos sobre ambientes profundos.
Além disso, o desprendimento acelerado reforça a preocupação com o aumento do nível do mar, embora o estudo destaque impactos que vão além desse ponto.

Novas rotas no Ártico aumentam preocupação com navegação
Com a diminuição do gelo marinho, novas áreas do Ártico ficam mais acessíveis para embarcações. No entanto, essa abertura também amplia o contato entre navios e icebergs.
Por isso, o aumento dos blocos de gelo no Atlântico Norte acende um alerta para o tráfego marítimo. Afinal, rotas antes menos utilizadas podem passar a registrar maior presença de icebergs.
Esse cenário exige atenção porque os blocos podem se deslocar por longas distâncias antes de afundar ou se fragmentar. Assim, o risco não fica restrito às proximidades das geleiras.
Impacto dos icebergs vai além do aumento do nível do mar
As consequências do desprendimento acelerado das geleiras não se limitam ao avanço do nível do mar. Segundo Shfaqat Abbas Khan, os efeitos atingem diretamente ecossistemas de águas profundas.
Essas mudanças ocorrem mesmo em áreas distantes das geleiras. Portanto, o estudo reforça que a Groenlândia influencia regiões amplas do Atlântico Norte.
Ao transportar sedimentos, rochas e outros materiais, os icebergs alteram habitats e criam novas condições no fundo oceânico. Enquanto isso, a navegação precisa lidar com um ambiente em rápida transformação.
Dessa forma, o aumento no número de icebergs da Groenlândia revela uma mudança climática com efeitos conectados: gelo, oceano, rotas marítimas e vida marinha passam a responder ao mesmo processo.

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