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Uma empresa italiana criou um drone submarino que mora no fundo do oceano por 12 meses seguidos sem voltar à superfície, e a inteligência artificial embutida permite que ele inspecione e conserte dutos de petróleo sozinho

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 13/04/2026 às 06:20
Atualizado em 13/04/2026 às 06:22
Drone submarino Hydrone-R da Saipem operando autonomamente no fundo do oceano
O Hydrone-R da Saipem mora no fundo do mar por até 12 meses e já acumulou mais de 500 dias de residência subsea no campo Njord da Equinor.
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O Hydrone-R da Saipem é o primeiro drone submarino residente do mundo, capaz de ficar submerso por 12 meses usando IA para inspeções e reparos em dutos de petróleo a até 3.000 metros de profundidade no campo Njord da Equinor no Mar da Noruega

No fundo gelado do Mar da Noruega, a cerca de 300 metros de profundidade, um drone submarino da empresa italiana Saipem trabalha dia e noite sem nunca voltar à superfície. O Hydrone-R é o primeiro Underwater Intervention Drone (UID) residente do mundo, projetado para permanecer submerso por até 12 meses consecutivos. Dessa forma, ele inspeciona, monitora e até conserta equipamentos submarinos de petróleo usando inteligência artificial, sem precisar de navio de apoio ou operador humano no local.

Desde 2023, o drone submarino opera exclusivamente no campo Njord da Equinor e já acumulou mais de 500 dias de residência subsea, com um recorde mundial de 240 dias contínuos no fundo do mar. Portanto, enquanto ROVs tradicionais dependem de navios que custam dezenas de milhares de dólares por dia, o Hydrone-R trabalha sozinho 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano.

Um drone submarino que enxerga, decide e conserta sozinho a 3.000 metros

Estação de acoplamento submarino para drone submarino Hydrone-R

O Hydrone-R opera a até 3.000 metros de profundidade e tem alcance de 300 metros em modo ROV ou mais de 20 km em modo AUV autônomo. Além disso, o sistema possui 12 kW de potência, compatível com ferramentas elétricas e hidráulicas para manipulação de válvulas e intervenções de emergência.

  • Profundidade: até 3.000 metros
  • Residência: 12 meses projetado, 6 meses comprovado, recorde de 240 dias
  • Alcance: 300 m (ROV) / +20 km (AUV autônomo)
  • IA embarcada: planejamento de rota, detecção de obstáculos, seguimento de dutos
  • Comunicação: satélite, 4G-LTE, 5G ou radiolink

A IA do drone submarino realiza planejamento de caminhos, seguimento de tubulações e detecção de obstáculos de forma autônoma. Consequentemente, em abril de 2026, o Hydrone-R completou uma missão autônoma sobre área de corais árticos no campo Njord, sem cabos ou suporte da superfície.

Contrato de 10 anos com a Equinor mudou o paradigma da manutenção offshore

Plataforma offshore com drone submarino sendo lançado no oceano

Em outubro de 2019, a Equinor selecionou o Hydrone-R para o campo Njord-A, firmando o primeiro contrato global de 10 anos para serviços com drones submarinos no setor de energia offshore. Dessa maneira, a decisão representou uma aposta de longo prazo em tecnologia residente, eliminando a dependência de navios de apoio para inspeções rotineiras.

No final de 2025, com ondas de 12,5 metros, o Hydrone-R habilitou o comissionamento de um poço no Njord enquanto ROVs tradicionais simplesmente não podiam operar. Portanto, o drone submarino provou que consegue trabalhar em condições extremas que paralisam sistemas convencionais. A tecnologia ganhou o prêmio Spotlight on New Technology na OTC 2021.

O futuro dos drones submarinos e o que ainda falta resolver

Braço robótico de drone submarino manipulando válvula subsea

O Hydrone-R não substitui ROVs de trabalho pesado, mas complementa a frota com capacidade residente inédita. Contudo, o sistema ainda depende de comunicações remotas e tem alcance limitado em modo ROV. Além disso, a Saipem negocia a possível venda da Sonsub, divisão que desenvolveu o Hydrone, para a Fincantieri, o que pode afetar o futuro do programa.

Ainda assim, o conceito de drone submarino residente está abrindo caminho para uma nova era na manutenção offshore, onde robôs moram permanentemente no fundo do mar e humanos supervisionam de terra firme. A tendência de petroleiras investirem bilhões em tecnologia reforça que esse é um caminho sem volta para a indústria global.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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