Projeto em Xerém transforma um terreno cedido por Zeca Pagodinho em horta urbana com apoio técnico, produção comunitária e potencial de abastecimento local ligado à segurança alimentar na Baixada Fluminense.
Uma área de 8 mil metros quadrados em Xerém, distrito de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, abriga a Horta Urbana Xerém I, projeto do Instituto Zeca Pagodinho voltado à produção de alimentos, à capacitação de moradores e ao uso de técnicas de agricultura urbana.
Segundo informações divulgadas pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, a iniciativa prevê o cultivo de verduras, legumes e frutas em um terreno cedido pelo instituto, com apoio técnico de instituições como Embrapa Agrobiologia e Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
A estimativa informada sobre o projeto é que a horta possa alcançar até 40 toneladas de alimentos por ano quando estiver em plena produção.
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Parte da colheita tem destinação social, com doações a famílias cadastradas, cozinhas solidárias e instituições locais, enquanto outra parcela pode ser direcionada à comercialização, inclusive por meio de programas públicos de compra de alimentos.
Nos primeiros meses de funcionamento, a horta já havia distribuído mais de uma tonelada de alimentos, segundo levantamento citado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro em registro sobre a repercussão do projeto na imprensa.
A universidade informou que a iniciativa envolve capacitação de agricultores urbanos, produção e doação de alimentos na região.
Horta urbana em Xerém usa técnicas de agricultura sustentável
A horta funciona como uma unidade de referência em agricultura urbana e periurbana.
Esse tipo de produção busca aproximar o cultivo de alimentos de áreas habitadas, especialmente em regiões metropolitanas, onde há terrenos disponíveis, quintais, espaços comunitários e áreas institucionais que podem receber sistemas produtivos.
No caso de Xerém, o projeto também recebeu o nome de Quintal Produtivo.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário, a proposta inclui técnicas de adubação e irrigação sustentáveis para o cultivo de verduras, legumes e frutas, com produção voltada tanto à doação quanto à venda no comércio local.
A dimensão técnica aparece na combinação de canteiros, mudas, frutíferas, irrigação e formação de moradores.
Em vez de funcionar apenas como uma área de plantio, a horta serve para demonstrar práticas que podem ser adaptadas a espaços urbanos menores, como quintais, escolas, associações e áreas comunitárias.

Alimentos cultivados na Horta Urbana Xerém I
O espaço reúne mais de 11 mil mudas de hortaliças, entre abóbora, acelga, alface, beterraba, brócolis, escarola, quiabo, rúcula e salsa.
Também há mais de 50 árvores frutíferas, com espécies como acerola, jabuticaba, carambola, laranja, manga e tangerina, de acordo com informações publicadas sobre o projeto.
A diversidade de culturas permite organizar colheitas em diferentes ciclos.
Hortaliças de crescimento mais rápido podem abastecer a distribuição em intervalos menores, enquanto frutíferas exigem mais tempo de desenvolvimento e podem ampliar a variedade de alimentos oferecidos quando entram em produção.
Na agricultura urbana, a escolha de espécies também se relaciona ao tamanho da área, à disponibilidade de água, ao tipo de solo e à mão de obra disponível.
Por isso, projetos desse tipo costumam combinar orientação técnica, capacitação e acompanhamento do manejo para reduzir perdas e manter a produção regular.
Embrapa e UFRRJ participam do projeto em Xerém
A parceria com a Embrapa Agrobiologia e a UFRRJ coloca o projeto em contato com pesquisa, extensão rural e formação comunitária.
Segundo o Canal Rural, a unidade trabalha com diferentes formas de cultivo adaptadas a espaços reduzidos, como hortas verticais, canteiros suspensos, irrigação eficiente, captação de água da chuva e compostagem orgânica.
Essas técnicas têm função prática.
A captação de água da chuva pode reduzir a dependência de abastecimento externo; a compostagem transforma resíduos orgânicos em adubo; e os canteiros elevados ou verticais ampliam o uso de áreas pequenas ou com limitações de solo.
A pesquisadora Mariella Uzêda, da Embrapa, afirmou ao Canal Rural que as técnicas foram adaptadas à realidade de pessoas com pouco espaço, mas interessadas em plantar e colher alimentos.
A declaração atribui à pesquisa aplicada um papel de adequar o modelo produtivo ao cotidiano de moradores de áreas urbanas.
Capacitação de moradores e produção de alimentos
O Ministério do Desenvolvimento Agrário informou que a iniciativa conta com Embrapa Agrobiologia, UFRRJ e outras instituições para promover segurança alimentar e inclusão social.
A pasta também registrou que o projeto está alinhado à Política Nacional de Agricultura Urbana e Periurbana, instituída pela Lei nº 14.935 de 2024.
A UFRRJ atua na formação e disseminação de conhecimento por meio de unidades pedagógicas e solidárias, segundo o ministério.
A proposta envolve capacitar moradores para práticas de agricultura urbana, o que pode permitir a reprodução de parte das técnicas em outros espaços da comunidade.
Louiz Carlos Piquet Chaves da Silva, presidente do Instituto Zeca Pagodinho e filho do cantor, afirmou que a insegurança alimentar motivou a entrada do instituto nessa área.
“A insegurança alimentar foi o que motivou a gente a entrar de cabeça nessa área, tendo em vista tudo o que aconteceu na pandemia e no pós-pandemia”, disse, em declaração publicada pelo MDA.
Zeca Pagodinho fala sobre a horta em Xerém
Zeca Pagodinho relacionou o projeto à ajuda que o instituto já prestava em Xerém.
Em declaração publicada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, o cantor disse que a ação amplia a forma de atendimento às famílias da região.
“É muito bacana poder contribuir com alimento para as famílias. A gente sempre ajudou o povo de Xerém distribuindo cestas básicas para quem a gente sabe que precisa. Esse projeto é legal porque, além de ensinar a plantar, vai colocar comida na mesa de muita gente”, afirmou o artista.
Em outra declaração reproduzida na cobertura sobre a horta, Zeca resumiu a proposta como uma forma de dividir o que recebeu.
“A vida tem que ser assim, ninguém pode viver sozinho. Tem que ser tudo dividido. É a vida, dividir o que eu ganhei”, disse o cantor.
Segurança alimentar no Rio de Janeiro e no Brasil
A horta de Xerém surge em um cenário em que a insegurança alimentar continua presente no país, embora os indicadores recentes mostrem queda.
Segundo a Agência de Notícias do IBGE, a proporção de domicílios brasileiros com algum grau de insegurança alimentar recuou de 27,6% em 2023 para 24,2% em 2024.
No mesmo período, a insegurança moderada caiu de 5,3% para 4,5%, e a grave passou de 4,1% para 3,2%.
No estado do Rio de Janeiro, o governo estadual informou, com base em dados do IBGE, que a insegurança alimentar caiu de 2,7 milhões de pessoas em 2022 para 1,2 milhão em 2023.
O número ainda indica a existência de uma população em situação de restrição ou incerteza no acesso regular a alimentos.
Em julho de 2025, o governo federal informou que o Brasil voltou a sair do Mapa da Fome da FAO.
O resultado considera a média trienal de 2022, 2023 e 2024 e coloca o país abaixo do patamar de 2,5% da população em risco de subnutrição ou falta de acesso à alimentação suficiente, segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.
Produção local entra no debate sobre abastecimento
Projetos de agricultura urbana não substituem políticas públicas de renda, abastecimento, alimentação escolar ou assistência social.
Ainda assim, iniciativas desse tipo podem funcionar como complemento territorial, principalmente quando reúnem produção local, distribuição de alimentos, formação e apoio técnico.
No caso da Horta Urbana Xerém I, o desenho combina terreno disponível, instituições de pesquisa, participação comunitária e destinação social da produção.
O modelo também prevê geração de renda para pessoas envolvidas no cultivo, quando parte dos alimentos é comercializada por meio de canais locais ou programas públicos.
A experiência em Xerém mostra uma aplicação prática de técnicas agrícolas em uma área urbana da Baixada Fluminense.
A continuidade do projeto dependerá de fatores como manejo, assistência técnica, disponibilidade de recursos, participação dos moradores e capacidade de manter a distribuição e a comercialização ao longo do tempo.


Que horta? Sou moradora do bairro ,não tem horta urbana, ajundado ninguém, tá é um matagal ,só foi feita pra tirar foto pra ganhar nome , clikes.
Depois q foi pra mídia, acabou , triste realidade , ainda põe q tá ajudando os pobres kk
Eu adoraria fazer parte deste projeto, parab
Reportagem mentirosa. Essa suposta horta foi a maior armação. Não produziu nada. Passo em frente do terreno todo dia. Maior brefe…