A Honda apresentou no CIMAMotor 2025 duas motos equipadas com motor de quatro cilindros em linha de 500 cm³. O retorno do tetracilíndrico resgata a tradição sonora e de alto giro que marcou esportivas japonesas das décadas passadas.
A Honda voltou a apostar nos motores de quatro cilindros em linha ao revelar duas novas motocicletas equipadas com um propulsor de 500 cm³ e até 80 cv de potência estimada.
Os modelos, apresentados no China International Motorcycle Trade Exhibition (CIMAMotor 2025), marcam o retorno de uma configuração que se tornou símbolo das esportivas japonesas entre os anos 1980 e 1990.
Essa configuração ficou famosa pela suavidade, alto giro e som característico.
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Retorno da essência tetracilíndrica
Enquanto grande parte do mercado migrou para motores bicilíndricos por questões de custo e manutenção, a Honda decidiu resgatar a experiência única oferecida pelos quatro cilindros médios.
O novo propulsor, refrigerado a líquido, foi projetado para entregar rotações elevadas, funcionamento linear e um ronco marcante, características que remetem diretamente às icônicas CBs e CBRs do passado.
Segundo estimativas divulgadas no salão, a potência deve se aproximar de 80 cv, o que coloca as novidades no mesmo patamar de desempenho da Kawasaki Ninja ZX-4R, principal referência atual nesse segmento.
CB 500 Super Four: tradição renovada
A naked CB 500 Super Four 2026 revive a linhagem “Super Four”, com motor tetracilíndrico que contrasta com a predominância dos bicilíndricos de média cilindrada.

Além da entrega de potência progressiva e da suavidade em altas rotações, o som de escapamento 4 em 1 reforça o caráter nostálgico do modelo.
O design combina farol redondo em LED, painel digital inspirado nos clássicos mostradores duplos e linhas que lembram as nakeds da década de 1990.
No conjunto técnico, a moto traz garfo invertido, pinças de freio radiais e eletrônica embarcada, incluindo acelerador eletrônico (TBW), modos de condução, controle de tração (HSTC) e a embreagem eletrônica E-Clutch, que permite uso automático ou manual.
CBR 500R Four: esportiva com DNA clássico
A CBR 500R Four 2026 foi a surpresa do evento.
A carenada esportiva adota o mesmo motor de quatro cilindros, agora aliado a um chassi de aço, suspensões ajustáveis e freios radiais.
O conjunto prioriza equilíbrio entre conforto urbano e pegada esportiva, com semi-guidões menos inclinados e ergonomia versátil.
O painel TFT de 5 polegadas com conectividade moderna contrasta com a estética inspirada nas esportivas de fim dos anos 1990.
O motor, no entanto, continua sendo o protagonista.
Suas rotações elevadas e o som metálico característico trazem de volta a experiência que consagrou a sigla CBR.
Motor 4 cilindros versus bicilíndricos
A opção da Honda por reviver um tetracilíndrico médio vai na contramão da tendência de simplificação adotada pelas japonesas nas últimas décadas.

Enquanto os bicilíndricos oferecem custo mais baixo de produção e manutenção, os quatro cilindros entregam maior suavidade, resposta mais linear e giro capaz de chegar a faixas muito mais altas.
Essa diferença é especialmente sentida no som, um dos principais atrativos do novo motor.
Especialistas o descrevem como uma “assinatura sonora” que remete ao auge das esportivas japonesas.
A aposta busca justamente explorar o fator emocional, cativando tanto novos motociclistas quanto os que viveram a era de ouro das tetracilíndricas.
Estratégia de mercado
Os modelos são produzidos pela joint-venture Wuyang-Honda na China, com foco inicial no mercado asiático.
Porém, já se especula a possibilidade de versões de 400 cm³ para mercados como Japão e Europa, que possuem restrições específicas.
Caso sejam exportadas para o Ocidente, as novas CB 500 Super Four e CBR 500R Four podem rivalizar com modelos premium de média cilindrada.
Isso abriria espaço para um novo ciclo das “quatro canecos”.
A Honda não divulgou preços nem previsão oficial de chegada a outros países, mas a boa recepção no CIMAMotor 2025 indica forte potencial de expansão.
Expansão da marca na China
Além das novas motos, a Honda reforçou durante o salão sua estratégia de expansão das redes DreamWing e Honda Dream no mercado chinês.
A marca destacou a importância da região para introduzir modelos que unem tradição e inovação.
Com o retorno dos quatro cilindros de média cilindrada, a fabricante japonesa reaquece a memória de uma geração de motociclistas.
A estratégia sinaliza que ainda há espaço para motores mais elaborados, mesmo em um cenário dominado por opções bicilíndricas. Afinal, seria esse o início de uma nova era para as esportivas de quatro cilindros?
