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Groenlândia não está sozinha: satélites medem perdas de dezenas de bilhões de toneladas de gelo por ano nos Andes, Alpes, Rochosas e Ásia Central, ameaçando o abastecimento de água doce de centenas de milhões de pessoas

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 01/01/2026 às 14:38
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Groenlândia não está sozinha: satélites medem perdas de dezenas de bilhões de toneladas de gelo por ano nos Andes, Alpes, Rochosas e Ásia Central, ameaçando o abastecimento de água doce de centenas de milhões de pessoas
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Satélites da NASA revelam que geleiras dos Andes, Alpes, Rochosas e Ásia Central perdem bilhões de toneladas de gelo por ano, colocando em risco a água doce global.

Muito além das imagens dramáticas da Groenlândia e da Antártica, uma transformação silenciosa e igualmente alarmante está em curso nas cadeias de montanhas do planeta. Dados obtidos por satélites de alta precisão mostram que geleiras de montanha em praticamente todos os continentes estão encolhendo em ritmo recorde, perdendo dezenas de bilhões de toneladas de gelo por ano. O fenômeno já não é pontual nem regional: trata-se de uma mudança sistêmica, monitorada por missões como GRACE e GRACE-FO, da NASA, analisada pelo IPCC e detalhada em estudos publicados em revistas científicas como Nature Climate Change.

O que os satélites estão mostrando sobre o degelo global

Desde o início dos anos 2000, satélites capazes de medir variações mínimas no campo gravitacional da Terra passaram a “pesar” grandes massas de gelo.

O resultado dessas medições é inequívoco: geleiras de montanha perderam mais de 6 trilhões de toneladas de gelo entre 2000 e 2023, segundo compilações científicas recentes. Em termos práticos, isso significa uma média superior a 250 bilhões de toneladas por ano, valor que cresce década após década.

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Diferentemente das calotas polares, as geleiras de montanha respondem mais rapidamente ao aumento da temperatura. Elas funcionam como reservatórios naturais de água, liberando fluxo constante durante as estações secas. Quando esse gelo desaparece, o impacto não é apenas climático, mas diretamente humano, agrícola e econômico.

Andes: o maior sistema de geleiras tropicais do mundo em retração acelerada

Na América do Sul, os Andes concentram a maior massa de gelo tropical do planeta. Países como Peru, Bolívia, Equador, Colômbia, Chile e Argentina dependem dessas geleiras para abastecimento urbano, irrigação agrícola e geração de energia hidrelétrica.

Medições por satélite indicam que algumas regiões andinas já perderam entre 30% e 50% de sua área glacial desde os anos 1980. Em áreas específicas do Peru e da Bolívia, geleiras menores simplesmente desapareceram do registro físico. O problema se agrava porque, após um pico temporário de vazão causado pelo derretimento rápido, ocorre o chamado “colapso hidrológico”, quando a água deixa de fluir de forma regular.

Alpes europeus: derretimento histórico em pleno coração do continente

Os Alpes, que se estendem por França, Suíça, Itália, Áustria e Alemanha, vivem um dos episódios mais rápidos de retração já documentados. Estudos baseados em dados da NASA e de serviços meteorológicos europeus mostram que os Alpes perderam mais de 60% de seu volume de gelo desde o fim do século XIX, com aceleração extrema após 2000.

Ondas de calor recentes fizeram geleiras alpinas perderem até 10% de sua massa em um único verão. Além do impacto hídrico, o degelo aumenta o risco de deslizamentos, colapsos de encostas e instabilidade geológica, afetando vilas, estradas, ferrovias e infraestrutura turística.

Montanhas Rochosas: gelo em retirada na “caixa d’água” da América do Norte

Nas Montanhas Rochosas, especialmente nos Estados Unidos e no Canadá, as geleiras funcionam como reguladoras do fluxo de rios essenciais, como o Colorado e o Columbia. Satélites indicam que mais de 70% das geleiras documentadas no Parque Nacional Glacier, em Montana, desapareceram desde o início do século XX.

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O impacto vai além da paisagem. Estados agrícolas do oeste americano já enfrentam escassez hídrica crônica, agravada pela perda de neve e gelo que antes sustentavam rios durante o verão. A tendência apontada pelos modelos do IPCC é de redução contínua, mesmo em cenários moderados de aquecimento.

Ásia Central e Himalaia: o “terceiro polo” do planeta sob pressão

A região que engloba o Himalaia, o Hindu Kush e a Ásia Central é frequentemente chamada de “Terceiro Polo”, por concentrar a maior massa de gelo fora das regiões polares. Satélites mostram que essa área perde dezenas de bilhões de toneladas de gelo por ano, afetando diretamente grandes bacias hidrográficas.

Rios como o Indo, Ganges, Brahmaputra, Yangtzé e Mekong dependem desse gelo para alimentar sistemas que sustentam mais de 1,5 bilhão de pessoas. O degelo acelerado eleva o risco de enchentes no curto prazo e de escassez severa no médio e longo prazo, criando um paradoxo hídrico sem precedentes.

Por que o degelo das geleiras de montanha é mais perigoso que parece

Ao contrário do gelo polar, que influencia diretamente o nível do mar, o degelo das geleiras de montanha afeta primeiro o abastecimento de água doce, a agricultura e a estabilidade social. Regiões que hoje contam com fluxo estável de rios podem enfrentar quebras abruptas de produção agrícola, conflitos por água e aumento da migração climática.

Outro ponto crítico é que essas geleiras não se regeneram em escala humana. Mesmo que as temperaturas se estabilizem, muitas delas já cruzaram pontos de não retorno, segundo o IPCC.

O que dizem os relatórios científicos mais recentes

Relatórios consolidados do IPCC, análises da NASA e artigos publicados em Nature Climate Change convergem em um diagnóstico claro: as geleiras de montanha estão entre os indicadores mais sensíveis do aquecimento global. Elas respondem rapidamente às variações térmicas e funcionam como alertas antecipados de mudanças mais amplas no sistema climático.

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Os modelos indicam que, sem redução significativa das emissões, até dois terços das geleiras de montanha do mundo podem desaparecer até o fim do século, alterando permanentemente o ciclo da água em vastas regiões habitadas.

Um alerta global que vai muito além do gelo

O que os satélites revelam não é apenas o encolhimento de paisagens geladas, mas a fragilização de um sistema que sustenta cidades, lavouras, energia e milhões de vidas. Groenlândia e Antártica chamam atenção pelo tamanho, mas o degelo das geleiras de montanha é o fator que atinge primeiro o cotidiano das populações.

A perda de gelo nos Andes, Alpes, Rochosas e na Ásia Central mostra que a crise climática não está concentrada em regiões remotas, mas avançando silenciosamente sobre as principais fontes de água doce do planeta. O gelo está desaparecendo — e com ele, uma parte fundamental do equilíbrio que sustentou a civilização moderna.

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Antonio ceaar
Antonio ceaar
02/01/2026 19:10

Afe..morremos todos e não sabemos…

Zeno E. S. Munhoz
Zeno E. S. Munhoz
02/01/2026 11:45

O importante é que toda estas massas de águas geladas vindas de todas as direções e de lugares longínquos ou pertinentes não peguem a muitos de surpresa e causem o imprevisto, o insustentável, desconhecidas, com muitos destroços, verdadeiros espantos mas improváveis ou com uma mínima probabilidade de atingir populações mundiais, nesta triste loteria; soberana dos azares …

Elizabeth Goncalves
Elizabeth Goncalves
02/01/2026 10:39

A educação e a consciência, são os pilares da raça humana: qualquer atividade que possa fazer pra salvar nosso planeta, é válida para todos, independente da sua raça, cor, posição social ou religião. Vamos imaginar a Terra como uma escada, com infintos degraus: onde suas ações sejam do tamanho da sua força para escala-la.

Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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