Mesmo com greve nacional por tempo indeterminado, a Petrobras afirma que a produção de petróleo e derivados segue normal. Empresa acionou equipes de contingência e diz que o abastecimento ao mercado está garantido.
Desde a madrugada desta segunda-feira (15), trabalhadores da Petrobras iniciaram uma greve nacional por tempo indeterminado. O movimento ocorre em meio às negociações do Acordo Coletivo de Trabalho e mobiliza diferentes unidades da estatal em várias regiões do país.
Ainda assim, segundo a companhia, não houve impacto na produção de petróleo nem na fabricação de derivados até o momento.
A paralisação reacende o debate sobre segurança operacional, negociação sindical e continuidade do abastecimento. No entanto, a Petrobras afirma que adotou protocolos já previstos para esse tipo de situação.
-
A ANP abre a porteira de 86 novos blocos de petróleo na Margem Equatorial e amplia a fronteira da Foz do Amazonas
-
A OPÉP+ acelerou o retorno de 188 mil barris por dia ao mercado em julho de 2026 e o petróleo caiu de US$ 112 para US$ 89 o barril em menos de dois meses
-
A TotalEnergies assinou um acordo de 20 anos para comprar 2 milhões de toneladas de GNL do Alaska LNG e deu ao projeto a demanda que faltava para sair do papel
-
A Turquia mandou seu navio de perfuração Çağrı Bey para o fundo do mar na costa da Somália e abriu uma nova fronteira de exploração de petróleo na África
Historicamente, quando greves duram poucos dias, os reflexos sobre a produção de petróleo tendem a ser limitados.
Petrobras aciona contingência e reforça garantia de abastecimento
De acordo com a estatal, as operações seguem sob controle graças à atuação de equipes de contingência. Essas equipes assumem temporariamente as atividades em plataformas, refinarias e terminais, evitando interrupções.
Em nota oficial, a empresa destacou sua posição institucional diante do movimento paredista.
“A empresa adotou medidas de contingência para assegurar a continuidade das operações e reforça que o abastecimento ao mercado está garantido”, disse a Petrobras, ao mesmo tempo em que reafirmou respeitar o direito de manifestação dos empregados.
Esse modelo operacional é recorrente no setor de petróleo, especialmente em empresas de grande porte. Por isso, a estatal afirma que mantém a produção e o refino dentro da normalidade, mesmo diante da mobilização nacional.
No entanto, enquanto a Petrobras minimiza impactos, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) destaca a forte adesão ao movimento. Segundo a entidade, a greve começou com a entrega da operação das plataformas do Espírito Santo e do Norte Fluminense às equipes de contingência.
Além disso, houve adesão integral dos trabalhadores do Terminal Aquaviário de Coari, no Amazonas.
Ainda nas primeiras horas do dia, a FUP informou que seis refinarias não realizaram a troca de turno às 7h da manhã. Esse procedimento impede o revezamento regular das equipes e exige, por protocolo de segurança, o acionamento imediato da contingência.
A situação envolve as refinarias Regap, em Betim (MG), Reduc, em Duque de Caxias (RJ), Replan, em Paulínia (SP), Recap, em Mauá (SP), Revap, em São José dos Campos (SP), e Repar, em Araucária (PR). Para a federação, o cenário reforça o caráter nacional e unitário da greve no setor de petróleo.
Negociação do acordo coletivo segue como pano de fundo do conflito
A Petrobras afirma que negocia o Acordo Coletivo de Trabalho desde o fim de agosto. Na última terça-feira, a empresa apresentou uma nova proposta. Segundo a estatal, o texto inclui avanços em relação aos principais pleitos sindicais apresentados até agora.
“A Petrobras segue empenhada em concluir a negociação do acordo na mesa de negociações com as entidades sindicais.”
Por outro lado, a FUP sustenta que a pauta dos trabalhadores foi entregue há mais de três meses e que pontos centrais continuam sem resposta. Entre eles estão a distribuição justa da riqueza gerada pela Petrobras, o fim dos Planos de Equacionamento de Déficits da Petros e o reconhecimento da chamada pauta do Brasil Soberano.
Esse último eixo inclui a suspensão de desinvestimentos e demissões no setor de exploração e produção de petróleo, considerado estratégico pela categoria.
Mobilização se estende além da produção de petróleo
Segundo a FUP, a paralisação não se limita às plataformas e refinarias. Há registros de mobilização em terminais de processamento de gás e em bases administrativas. Para o diretor-geral da entidade, a adesão demonstra a força do movimento logo no primeiro dia.
“O primeiro dia da greve nacional da categoria petroleira já demonstra um movimento muito forte em todos os estados do país”, afirmou Deyvid Bacelar, em nota oficial.
Paralelamente à greve, aposentados e pensionistas mantêm uma vigília em frente ao Edisen, edifício-sede da Petrobras, no Rio de Janeiro.
A manifestação já chega ao quinto dia consecutivo, segundo a federação, e amplia a pressão sobre a estatal em um momento sensível para o setor de petróleo no país.
