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Governo liga sinal de alerta e pode aumentar etanol na gasolina para não ter que aumentar preço do combustível

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 20/03/2026 às 22:06
Governo avalia aumentar etanol na gasolina para conter preços e reduzir importações. Entenda como pode funcionar o E35 no Brasil.
Governo avalia aumentar etanol na gasolina para conter preços e reduzir importações. Entenda como pode funcionar o E35 no Brasil.
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Mistura maior de etanol na gasolina entra em análise técnica enquanto governo busca alternativas para reduzir pressão sobre preços, ampliar uso de energia renovável e diminuir dependência de importações em um cenário de instabilidade no mercado global de combustíveis.

A possibilidade de elevar para até 35% a mistura de etanol anidro na gasolina voltou ao centro da agenda do governo federal em meio à preocupação com o custo dos combustíveis, a dependência de gasolina A e a pressão para ampliar o uso de fontes renováveis no transporte.

De acordo com a CNN Brasil, a medida, conhecida como E35, ainda não foi aprovada, mas já entrou na fase de articulação técnica para testar efeitos sobre motores, consumo, emissões e qualidade do produto vendido nos postos.

Hoje, a gasolina comum comercializada no país opera no padrão E30, com 30% de etanol anidro.

Esse percentual passou a valer em 1º de agosto de 2025, após decisão do Conselho Nacional de Política Energética, o CNPE, e ajustes regulatórios feitos pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a ANP.

A mudança anterior substituiu o E27 e foi apresentada pelo governo como parte da estratégia para reduzir importações, reforçar a oferta doméstica e conter pressões sobre preços.

Mistura de etanol na gasolina entra em nova fase de discussão

A nova etapa prevista na Lei do Combustível do Futuro autoriza que a adição obrigatória de etanol à gasolina varie entre 22% e 35%, desde que haja comprovação de viabilidade técnica.

Na prática, isso significa que o salto para o E35 depende de uma combinação de testes laboratoriais, ensaios mecânicos, avaliação regulatória e decisão política posterior do CNPE.

Nos últimos dias, o Ministério de Minas e Energia detalhou que a análise dos teores entre 30% e 35% será coordenada dentro da estrutura criada para o Combustível do Futuro.

O ministério informou que o trabalho envolve definição de laboratórios, custeio, logística de fornecimento dos combustíveis e consolidação de relatórios capazes de embasar uma eventual deliberação sobre o novo percentual.

Ainda não há autorização para adoção imediata da mistura de 35%.

O governo trata o tema como uma etapa de investigação técnica, e não como mudança já confirmada.

Essa distinção ganhou peso porque o debate sobre combustíveis voltou a ser acompanhado de perto por causa da sensibilidade do preço da gasolina para a inflação e para o custo do transporte no país.

Testes com E35 envolvem indústria, universidades e governo

A discussão atual repete, em parte, o caminho seguido antes da implantação do E30.

Na fase anterior, o Ministério de Minas e Energia organizou grupos de acompanhamento, promoveu oficinas com montadoras, fabricantes de autopeças, distribuidores e produtores de etanol e, ao fim do processo, usou os resultados para respaldar a mudança regulatória.

Agora, o foco está em percentuais superiores.

O governo estruturou uma rede nacional de pesquisa com investimento previsto de R$ 30 milhões ao longo de três anos para analisar o aumento das misturas de biocombustíveis.

O projeto reúne a ANP, universidades e centros de pesquisa, entre eles o Instituto Mauá de Tecnologia, além de instituições como IPT, UFMG, UFRJ, UFG, UFRN, INT e LACTEC.

Os estudos previstos incluem análises físico-químicas das novas formulações, testes de desempenho em motores e veículos e medições de impactos sobre eficiência energética e emissões de gases de efeito estufa.

O Ministério de Minas e Energia também informou que parte das análises será conduzida com apoio do programa Política com Ciência, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e ao CNPq.

Governo aposta no etanol para conter preços e reduzir importações

A defesa de uma mistura maior combina razões energéticas, ambientais e econômicas.

O argumento central é que ampliar a participação do etanol na gasolina reduz a necessidade de gasolina fóssil, fortalece a produção nacional e cria uma espécie de colchão interno contra oscilações do mercado internacional de petróleo.

Quando o governo anunciou a implantação do E30, o ministro de Minas e Energia afirmou que a mudança poderia ajudar a reduzir o preço da gasolina e tornar o país menos dependente de importações.

Segundo a estimativa oficial divulgada à época, a transição do E27 para o E30 evitaria a importação de 760 milhões de litros de gasolina por ano, com aumento da demanda por etanol e expansão de investimentos no setor sucroenergético.

Esse raciocínio ajuda a explicar por que o tema voltou à mesa.

Ao elevar o teor de etanol na mistura obrigatória, o país amplia a presença de um combustível produzido internamente na composição final vendida ao consumidor.

Com isso, mesmo quem abastece com gasolina passa a consumir um volume maior de biocombustível, o que pode aliviar parte da exposição aos custos do derivado fóssil.

Frota flex facilita avanço, mas testes ainda são decisivos

A ampla presença de veículos flex no mercado brasileiro costuma ser apontada como um dos fatores que tornam esse tipo de transição mais factível.

O país acumulou décadas de experiência com etanol, desde o Proálcool, e consolidou uma indústria automobilística adaptada ao uso combinado de gasolina e álcool combustível.

Isso, porém, não dispensa cautela.

O próprio processo que levou ao E30 recomendou testes complementares para veículos mais antigos ou com tecnologias específicas.

No caso do E35, a exigência tende a ser ainda maior, porque percentuais mais altos precisam demonstrar compatibilidade com desempenho, durabilidade, partida a frio, emissões, diagnóstico eletrônico e estabilidade do combustível.

A ANP já elevou o parâmetro mínimo de octanagem da gasolina C com a chegada do E30, ao ajustar o RON de 93 para 94.

O objetivo foi preservar a qualidade do produto com a nova proporção de etanol.

Em eventual avanço para o E35, esse tipo de especificação também deverá entrar no radar regulatório.

Biocombustíveis ganham espaço na estratégia de descarbonização

O debate ocorre em um momento em que a política industrial e a política energética passaram a dialogar com mais intensidade.

Para o governo, ampliar o uso de biocombustíveis ajuda a cumprir metas de descarbonização sem depender exclusivamente de uma eletrificação plena da frota, que exige infraestrutura, novos investimentos produtivos e maior poder de compra do consumidor.

Para a cadeia automotiva, a lógica é semelhante.

O uso de combustíveis de menor intensidade de carbono, sobretudo em um mercado dominado por motores a combustão e modelos flex, aparece como alternativa de transição mais rápida.

O peso dessa estratégia cresce em um país com produção agrícola em larga escala e tradição na fabricação de etanol de cana-de-açúcar.

Ao mesmo tempo, o avanço regulatório precisa evitar ruídos com fabricantes, distribuidores e consumidores.

Por isso, o governo tem insistido na ideia de decisão baseada em evidências, sem antecipar um calendário de implantação do E35 antes da conclusão dos estudos.

Decisão final ainda depende de testes e aval regulatório

No cenário mais imediato, a tendência é de continuidade dos testes e consolidação dos relatórios técnicos.

Só depois dessa etapa o governo poderá decidir se leva adiante uma proposta formal de aumento da mistura obrigatória.

O CNPE continua sendo a instância responsável por aprovar eventual alteração, e a ANP teria de adaptar especificações de qualidade para que a mudança chegasse aos postos.

A discussão, portanto, já ultrapassou o campo da intenção política e entrou na fase de preparação técnica.

Ainda assim, o país segue no E30, e qualquer migração para o E35 dependerá de prova de segurança, desempenho e compatibilidade regulatória.

Nesse contexto, a aposta do governo é clara: usar a política de biocombustíveis como instrumento de segurança energética, redução de emissões e contenção de custos em um setor que pesa diretamente no bolso do consumidor e no comportamento da inflação.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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