Novo programa do governo federal tenta reduzir a inadimplência no Brasil com apoio bilionário, porém especialistas questionam critérios adotados, alcance real e falta de embasamento técnico oficial
O governo federal lançou o programa Desenrola 2 como uma das principais apostas econômicas para reduzir a inadimplência no Brasil em 2026. No entanto, apesar da forte divulgação da iniciativa, o Ministério da Fazenda admitiu que não elaborou um estudo técnico consolidado para definir as regras e o alcance da medida.
A informação foi divulgada em maio de 2026 pela coluna do portal Metrópoles, que revelou detalhes sobre a estruturação do programa e os questionamentos feitos ao Ministério da Fazenda. Segundo a reportagem, a equipe econômica baseou as decisões em avaliações internas e conversas com representantes do setor financeiro.
Além disso, os números chamaram atenção. Embora o Brasil tenha atualmente cerca de 82 milhões de inadimplentes, o governo estima que o Desenrola 2 poderá atingir aproximadamente 20 milhões de pessoas. Na prática, isso representa apenas cerca de 24% do total de brasileiros endividados.
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Enquanto isso, economistas e analistas políticos passaram a questionar a efetividade da iniciativa e a ausência de estudos públicos que sustentem as regras do programa.
Governo aposta em renegociação de dívidas bancárias para reduzir inadimplência no país

O Desenrola 2 concentra suas ações em dívidas bancárias e financeiras. Dessa forma, o programa contempla débitos relacionados a cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC).
Além disso, as regras abrangem apenas dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 e que estejam em atraso entre 90 dias e dois anos.
Segundo o Ministério da Fazenda, o programa utilizará recursos do Fundo Garantidor de Operações (FGO), abastecido com dinheiro do Tesouro Nacional. Inicialmente, o governo autorizou o uso de R$ 2 bilhões. No entanto, a equipe econômica já avalia ampliar esse valor em até mais R$ 5 bilhões.
Enquanto o governo defende a medida como uma oportunidade de recuperação financeira para milhões de brasileiros, especialistas criticam a falta de transparência na formulação da política pública.
O cientista político Sérgio Praça afirmou que o programa aparenta improvisação. Segundo ele, uma política pública com impacto econômico tão relevante deveria apresentar estudos detalhados sobre alcance, riscos e resultados esperados.
Além disso, o especialista destacou que o governo repetiu um padrão já observado em outros programas recentes, como o Pé-de-Meia, lançado anteriormente sem estudos técnicos amplamente divulgados.
Ministério da Fazenda admite ausência de estudo técnico consolidado
Durante os questionamentos feitos pela imprensa, o Ministério da Fazenda reconheceu oficialmente que não produziu um estudo técnico único para estruturar o Desenrola 2.
Em resposta enviada à coluna do Metrópoles, a pasta informou que o programa nasceu a partir de “avaliações do governo e discussão com o setor”.
Além disso, o ministério explicou que considerou dados públicos sobre endividamento e os recursos disponíveis para financiar a iniciativa.
Ainda assim, a ausência de um documento técnico consolidado aumentou as críticas sobre a segurança econômica e a eficiência da proposta.
Enquanto isso, outra polêmica ganhou força: o governo confirmou que o programa não incluirá dívidas tributárias com a União.
Segundo a Fazenda, a equipe econômica decidiu priorizar dívidas que não envolvam diretamente recursos públicos subsidiados.
Por outro lado, críticos apontaram uma contradição importante. Afinal, o programa utilizará recursos públicos por meio do Fundo Garantidor de Operações.
Além disso, muitos especialistas questionaram o motivo de o governo não incluir renegociações fiscais no pacote.
Bancos públicos manterão juros próximos aos praticados pelo mercado
Outro ponto que gerou repercussão envolve os juros cobrados pelos bancos públicos.
Durante os questionamentos feitos à Fazenda, jornalistas perguntaram se o governo reduziria taxas praticadas pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil.
No entanto, o ministério descartou mudanças diretas.
Segundo a equipe econômica, os bancos públicos seguem as mesmas regras do sistema financeiro nacional aplicadas às instituições privadas. Dessa forma, mesmo exercendo funções públicas, essas instituições continuam operando dentro das condições normais de mercado.
Além disso, a Fazenda afirmou que intervenções artificiais nas taxas poderiam gerar impactos concorrenciais negativos no sistema financeiro brasileiro.
Enquanto isso, milhões de brasileiros continuam enfrentando dificuldades para quitar dívidas acumuladas nos últimos anos.
Na prática, o Desenrola 2 surge como mais uma tentativa do governo de reduzir a pressão da inadimplência sobre a economia nacional. Ainda assim, o alcance limitado do programa e a ausência de estudos técnicos robustos continuam alimentando debates sobre sua real capacidade de transformar o cenário financeiro do país.
Especialistas também alertam que o sucesso da iniciativa dependerá diretamente da adesão dos bancos, das condições oferecidas aos consumidores e da recuperação gradual da renda das famílias brasileiras.
Diante desse cenário, muitos consumidores acompanham com expectativa os próximos passos do programa e esperam condições mais acessíveis para renegociar suas dívidas.

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